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Dez razões para você NUNCA escrever uma tese de doutorado

Janeiro 3, 2007 · 25 Comentários

1. A distância da família. Você nunca recupera o tempo perdido. Não recupera os momentos que poderia ter passado com os filhos e com o marido.

2. Você fica mais burra(o). Certeza! Você perde a noção do macrocosmo. O teu horizonte fica limitado ao assunto da tese durante bom tempo da tua vida. Para muitos, aliás, a vida toda…

3. Você vira uma alienada(o). Enquanto teus amigos discutem livros que você não teve tempo de ler, filmes que você não pode assistir, as últimas medidas do governo, você fica olhando com cara de tonta(o). Os amigos sequer perguntam a tua opinião. 

4. Ninguém vai ler a tua tese de doutorado. Convenhamos, quem vai ler as minúcias entediantes do que você escreveu? Olha, dissertações de mestrado até valem a pena ser lidas. Elas são mais gerais, mais soltas, menos descompromissadas, criativas.  Menos – a palavra temida – ”acadêmicas”. A tua tese vai colecionar pó nas estantes de uma (ou duas) bibliotecas.

5. Você vira uma pessoa chata. Você só quer ler sobre “aquilo”. Só se interessa sobre “aquilo”. Só quer falar sobre “aquilo”. Só que “aquilo” é o que ninguém gosta de falar. Ao menos que você seja uma das raras sortudas(os) e encontre uma outra(o) louca(o) que se proponha a discutir o assunto com você. Aí, ninguém segura.

6. As pessoas se frustram com o teu (parco) conhecimento.  Presumem que você saiba tudo sobre a tua área de pesquisa. Quando percebem que você hesita, re-avalia e, até mesmo, questiona as próprias idéias, as pessoas te olham de soslaio, suspeitas… Devem pensar, “essa aí, nunca vai ser doutora”. Os alunos, nossa, esses são os primeiros a atirar pedras. Professor tem que saber tudo, pô! :-)

7. Não sobra tempo para cuidar de você. Pois é, eu já cheguei a correr maratonas. Hehe, até eu acho difícil de acreditar. Hoje em dia fico feliz com pequenas caminhadas. As unhas, cabelos, pele, horrores à parte. A situação é especialmente triste para aquelas(es) que costumavam cuidar da aparência, como eu.

8. As tuas costas ficam destruídas. É batata, acontece com todos. Já passei semanas tomando relaxantes musculares por conta de ficar muito tempo (mal)sentada. Seções de fisioterapia para agüentar o tranco são a única salvação.

9. Os (des)encontros com a(o) (des)orientador(a). Você passa meses a fio escrevendo, re-escrevendo, deletando, revisando um capítulo e quando, triunfante, consegue um horário com “Vossa Majestade”, os comentários são, geralmente, críticos. Nenhum orientador elogia. E aí… você começa a duvidar da tua própria capacidade. Droga!

10. A vida! Filmes, livros, teatro, sessões da tarde, amigos, namorar, curtir os filhos. Ou o simples e indefectível dolce fare niente. É, a vida não espera por ninguém.

 Bem, se eu não consegui te convencer a desistir dessa empreitada, não diga que eu não te avisei! E eu, por que continuo? Pois é, agora não dá para parar. O estrago já foi feito. E a tese, essa ”coisa” monstruosa que no momento está dormente,  está 80%  concluída. Ah, e já estava me esquecendo, o significativo ”aumento” de salário. Não vejo a hora de ganhar uns trezentos (reais) a mais…

Palavras escritas na tese: nenhuma. Nem uminha.  Culpa: pois é, a coisa está ficando feia mesmo.  

Categorias: Tese de doutorado

25 respostas so far ↓

  • minhoca // Janeiro 3, 2007 às 6:06 pm

    outra razão de não fazer um doutorado:
    uma filha que ama sua mãe princesaaaaaaaaaaaaaaaaa linda não gosta que ela fique o tempo todo no computador escrevendo aquelas chatices.

  • cris s // Janeiro 3, 2007 às 7:05 pm

    Filhota,
    Não há minhoca mais linda neste minhocal.
    xxx

  • Regina // Janeiro 4, 2007 às 4:09 am

    Cris,

    As vezes fico com a maior vontade de encarar um doutorado e depois desanimo. No meu caso, e’ mais porque eu nao estou disposta a me mudar para qualquer area do pais para conseguir trabalho. Alem do mais, na area de humanas o salario nao e’ la essas coisas considerando o custo de vida daqui.

    Bjs.

    Regina

  • cris s // Janeiro 4, 2007 às 12:40 pm

    Regina,

    Pois é… Sabe que apesar do tom irônico, qse tudo que eu falei acaba acontecendo.
    Imagina só vc sair de Berkeley? No way. E a questão do salário é triste mesmo. As ciências chamadas “duras” é que são valorizadas. :-(
    Beijão,
    Cris

  • Lili // Janeiro 4, 2007 às 4:09 pm

    Estou na dissertação e agradeço eternamente pelo meu marido estar fazendo mestrado junto comigo. Sobre doutorado, ele não quer nem ouvir falar… Eu ainda estou interessada, mesmo depois de ler suas recomendações…

  • cris s // Janeiro 4, 2007 às 6:51 pm

    Lili,
    Pois é, e eu que, depois do mestrado, havia jurado não fazer o doutorado. Mas o doutorado é uma parte importante da minha carreira. E o suplício já tá no final… Depois, juro que vou ler o que quiser e sem culpas.
    Qual é a tua área, Lili?
    A propósito, dei algumas “espiadinhas” no teu blog e gostei muito!! Já te linkei!!
    bjs,
    Cris

  • JN // Janeiro 5, 2007 às 11:12 pm

    Pois…o ponto 3. é mau e é verdade…mas, o que IRRITA,

  • JN // Janeiro 5, 2007 às 11:19 pm

    ups…carreguei em algo…(o que uma tese faz… ;)

    Como estava a dizer, o que realmente irrita (além do ponto 3.), é que ninguém vai ler…isso é que irrita!
    Tanto trabalho e depois morre numa prateleira qualquer de uma biblioteca…
    Ao menos podiam ter a decência, e não é pedir muito, de publicar as «nossas teses » em formato livro, uma tiragem de uns milhares delas e distribuírem por muita gente… :)
    Aí, alguém até poderia ler…
    E tornar-se um best-seller ! :) … Lindo!

    Isso ou pagarem-nos umas longas férias…uns 6 meses em local (ou locais) à escolha! Até fazia outra…LOL

  • Alexandra // Janeiro 9, 2007 às 4:06 pm

    pois é, pior do que vida de estudante de doutorado é vida de professor universitário que leva o trabalho a serio. Eu vejo meus professores e meus amig@s que já se formaram e encontraram trabalho com filas de alunos na porta, escrevendo a aula de amanha até altas horas da noite, tendo que fazer parte de incontáveis comitês, e tentando arrumar um tempinho para conseguir escrever um artigo ou transformar a tese em um livro. Uma amiga minha estava comemorando pois ela estava trabalhando “só” 60 horas semanais ;)

    É… o trabalho nao termina nunca… temos que ser muito masoquistas mesmo ;)

    Coragem Cris!!

  • JN // Janeiro 9, 2007 às 4:21 pm

    Agora imagine que é as duas coisas ao mesmo tempo… poupem-me!
    E agora então, na altura dos exames, poupem-me ainda mais…
    Nem sei para onde me virar… :)
    Neste caso é ser masoquista ao quadrado…
    E poupem-me de novo (gosto deste termo… ;)

  • cris s // Janeiro 10, 2007 às 10:24 pm

    Alexandra,
    Conheço na pele a situação que você está descrevendo… Eu tive apenas um semestre p/ concluir a tese e retorno às aulas daqui a um mês. E devo defender a tese até final de abril. E publicar artigos. E participar de congressos. E… E… inacreditável. A pior fase p/ mim é o final de semestre quando os alunos ficam enlouquecidos e eu tenho que escrever mil relatórios inúteis. O que eu gosto mesmo é da pesquisa. :-) É, tem que ter uma dose de masoquismo, mesmo!!
    Obrigada pela visita, Alexandra! E coragem para você também.
    Um abraço,
    Cris

  • cris s // Janeiro 10, 2007 às 10:28 pm

    JN,
    hehe, também gosto do “poupe-me”, ainda que no fundo saiba que como professora raramente sou poupada.
    Coitado de você, JN!! Está na época de exames já??? Nem me fale, começa a me dar urticária.
    Deveriam inventar um software que corrigisse as provas e trabalhos para os professores, não achas? Você é professor de matemática?? (mais urticária, sorry!! ;-) )

  • JN // Janeiro 11, 2007 às 4:29 pm

    Sou prof de matemática sim… e diga-se que não sou o «favorito» dos alunos nestas épocas de exames… poupem-me! ;)

  • cris s // Janeiro 11, 2007 às 6:24 pm

    JN,
    Jamais julgue um blog pelos seus posts!! Só imaginei que você fosse professor de matemática pelo comentário que você fez sobre o Lewis Carroll.
    Boa sorte com os exames!!

  • Izabel Viola // Janeiro 23, 2007 às 3:26 am

    Achei o maximo suas razões…. pensei em todas, como rezei para todos os santos: dai-me forças para chegar ao fim…. agora, desestressada, eu te recomendo uma dose de otimismo, porque é bom o resultado, mesmo que ninguem leia…
    Consegui até um nome charmoso para a minha: O gesto vocal: a arquitetura de um ato teatral. É
    um estudo sobre a expressividade da fala e o simbolismo sonoro.
    Siga em frente. Força, aí!!!
    Bjs
    Izabel

  • cris s // Janeiro 23, 2007 às 2:22 pm

    Izabel,
    PARABÉNS! Você conseguiu. Menina não é fácil, não? Ainda mais no final…
    Que bonito o nome da tua tese. O título da minha está bem sem gracinha ainda.
    Obrigada pela motivação e força. Apareça quando quiser!
    bjs,
    Cris

  • Claudete // Março 11, 2007 às 1:24 pm

    já senti as dores, estou sentindo (rsss) e olha que não tenho 80% pronto ainda.

    meu problema é que não tenho bolsa nem patrocinador e dois filhos que ainda exigem de mim. Preciso trabalhar senão não como…. ai a coisa pega, pois o cliente não está nem ai se eu estou fazendo doutorado ou não.

    mas não sou de desistir e ando otimista, então…..tudo, tudo vai dar certo… tudo tudo…

    Grande abraço Isabel

    Claudete

  • Lu // Março 21, 2007 às 1:29 am

    Nem sempre é assim tão ruim, basta vc escolher um tema dinâmico e interessante e pensar em algo que vá realmente ajudar um determinado segmento da sociendade ou pessoas. Eu já fiz uma de mestrado que é muito lida e por isso sou procurada por várias pessoas do país e estou construindo uma sequencia dela no doutorado.

  • cris s // Março 22, 2007 às 12:00 am

    Lu,
    Que ótimo!
    Espero que você tenha percebido a ironia da minha lista. É óbvio que se fosse tão horrível eu não teria escrito a minha dissertação de mestrado e nem estaria finalizando a redação da minha tese de doutorado; e tampouco seria pesquisadora numa área que eu considero importante. Agora também não acho uma tarefa nada fácil e não acho que se resume em ‘escolher um tema dinâmico e interessante’. É MUITO mais do que isso, não? :-)
    Bjs e boa sorte!

  • Marcela // Junho 28, 2007 às 3:19 pm

    Oi, Cris, li sua lista no blog da Cris. Adorei! Estou no meu segundo ano de doutorado e ainda resolvi fazer concurso para o Itamaraty…não é fácil não. A família já me esqueceu, o marido só não esqueceu porque me vê todo dia…mas vamos em frente, né? beijos

  • cris s // Junho 28, 2007 às 4:57 pm

    Oi Marcela,

    Seja benvinda!! Nossa, como é que você está dando conta p/ conciliar o doutorado c/ a preparação p/ o Itamaraty?? Talvez porque você ainda não está na fase de redação da tese e já tenha acabado os créditos do doutorado… É isso? Menina, haja fôlego. No final da minha defesa, falaram que a minha vitória não tinha sido somente ter o título, mas também ter tido a habilidade para manter o marido, hehe. Tem que ter muita paciência mesmo…
    Qual é a tua área? A minha é Literatura.
    beijocas e apareça sempre.
    Cris.
    P.S. Vou fazer uma visitinha no teu blog.

  • Julio Antonio do Amaral // Julho 12, 2007 às 3:39 pm

    Isto é coisa de quem tomou pau e está procurando uma Descupa por não ter conseguido o Doutorado … Fiz o Mestrado no ITA e estou cursando o Doutorado no INPE e não estou passando por todos estes maus bocados que vcs citaram … bem é isto … abraços…

  • cris s // Julho 14, 2007 às 11:15 pm

    Julio,
    Pena que nem o ITA nem o INPE conseguem ensinar algo essencial para qualquer ser humano: ironia e humor! Logo, logo parto para o meu Pós Doc e espero falar com ainda mais humor e mais ironia sobre o assunto. A propósito, é conveniente mostrar um pouco de rigor linguístico quando você deixa um comentário no blog de alguém: há um excesso de reticências e falta e acentuação. Coitado do teu orientador.
    Cris.

  • EU // Setembro 9, 2007 às 5:24 pm

    Nunca vi tanta ignorância junta!

    Concelho: Compra um cérebro!

  • Gisele H. Blogueira & Publicitária. » Procrastinar é… // Dezembro 20, 2007 às 5:37 pm

    [...] que aí eu dei de cara com um post genial, chamado Porque NUNCA escrever uma tese. A inspiração foi para as cucuias, mas dei excelentes risadas. Com certeza alguns pontos se [...]

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