Go, Nancy, go!
Nancy Pelosi , 66, acaba de tomar posse como a primeira mulher a ser presidente do congresso nos E.U.A. Uma vitória imensa para as mulheres, fato que ela fez questão de frisar não somente em seu discurso, mas também por intermédio da sua imagem.
A metáfora: “For our daughters and grandaughters, today we have broken the marble ceiling” [Pelas nossas filhas e netas, hoje quebramos o teto de mármore], Nancy, triunfante, proclamou. A expressão que ela usou, “break the marble ceiling” é uma variação de “break a glass ceiling”, que, em seu discurso, significa superar o preconceito contra as mulheres na política (e, por extensão, na sociedade). O preconceito contra as mulheres, para Pelosi, não pode ser expresso por “vidro”, e sim por “mármore”, um material bem mais espesso, de formação rochosa. Amei a metáfora! O preconceito é mesmo uma rocha, vai se sedimentando ao longo dos anos e se torna algo quase que inpenetrável ou indestrutível.
A imagem: Nancy Pelosi, sabiamente, fez uso de uma das imagens femininas mais poderosas que temos no acervo das artes visuais: a da Virgem. Ao segurar o seu netinho de dois mêses de idade que, placidamente dormia em seus braços, Pelosi, indiretamente, se remete à imagem sagrada da mãe.
Esperta a mulher. Ao longo da história, várias personagens importantes fizeram uso da figura da Virgem Maria para se sobressair. A Rainha Elisabete I foi uma delas.
Muitos de vocês podem estar questionando se essa estratégia não funcionaria como uma “contra” estratégia. Ao meu ver, não. A referência à figura da Virgem, idolatrada há séculos por mulheres e por homens, confere uma aura pura e sagrada à Pelosi. Tudo o que ela precisa no momento para angariar simpatisantes e seguidores.