Arquivo para Junho 26th, 2007

Cansaço II

Junho 26, 2007

Ando tão cansada que nem consigo descrever o meu cansaço. Já comecei a escrever sobre mil coisas, ensaiei um post sobre a Paris Hilton e outro sobre a imagem da mulher. Não sai nada. Estou numa fase de irritação com “Lost”, e chegando a conclusão que são todos paranóicos naquela ilha. E não me sinto nem um pouquinho mal em falar que fiquei super satisfeita com a morte da chatérrima da Ana Lucia. Isso é o máximo de “justiça” que pretendo encontrar nesse seriado. Para a poesia não há nem lugar, nem efeito na ilha. No entanto, receio que tenha que resignar-me a assistir o resto desse seriado, já que eu é que incentivei meu marido e filhas a assistirem comigo… O meu refúgio é o maravilhoso romance de Ian McEwan, Atonement, que, inclusive, já foi traduzido para o português como Reparação (Companhia das Letras). A boa literatura, fiel escudeira, nunca me deixa na mão.

Outra coisa, detesto a sensação que os posts desse blog possam gravitar somente em torno do meu umbigo e que eu não tenha nenhum assunto de ‘utilidade pública’ para discutir. O último post legal que eu escrevi foi, se não me falha a memória, sobre a visita do Papa ao Brasil. Tenho tanto para falar e, provavelmente, para contribuir ao importante debate sobre a imagem da mulher, que é, para quem possa interessar, o assunto da minha tese. Mas, no momento, desculpem-me, meus cinco caros leitores, a dona desse blog está cansada, muy cansada. Tão cansada, que recorre às palavras do poeta (vide post abaixo) para falar do próprio cansaço. Sorry.

My kingdom for a sunny beach…

tired-woman.png

Meu cansaço via Álvaro de Campos.

Junho 26, 2007

O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
 
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
 
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
 
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
(Álvaro de Campos)