O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
(Álvaro de Campos)
8 respostas so far ↓
JN // Junho 26, 2007 às 10:54 pm
Uma escolha acertada diga-se
cris s // Junho 27, 2007 às 3:52 pm
É verdade. Adoro Fernando Pessoa!
Flávia Nogueira // Junho 28, 2007 às 1:21 am
Nossa, Álvaro de Campos se cansou com vc e como eu? Vixe, eu tô no mesmo estágio de cansaço. As perguntas surgem: “por que cê tá cansada?” Sei lá! Tô cansada.
Vamos descansar, né!
Beijos
Regina // Junho 28, 2007 às 7:19 am
Cris,
Eu entendo bem esse cansaco. Voce acredita que eu nunca vi o Lost, nem os Sopranos… Estou tao por fora, mas ao mesmo tempo nao sinto a minima falta.
Bjs.
Regina
Regina // Junho 28, 2007 às 7:19 am
Cris,
Ah, adorei o poema. Eu nao o conhecia.
Bj
Regina
Regina // Junho 28, 2007 às 7:23 am
Cris,
Espero que voce realize o sonho que descrevei ai embaixo. Eu tambem adoraria ir para o Nordeste.
Bj
Regina
cris s // Junho 29, 2007 às 3:03 am
Flá,
É verdade. Se cansou assim como eu, assim como você. Igualzinho.
beijocas e bom descanso.
cris s // Junho 29, 2007 às 3:06 am
Regina,
Acredito sim. E acho que você não está perdendo nada de mais. O “Six Feet Under” você iria adorar. É irônico, espirituoso, mais denso.
Quanto ao nordeste: fecho os olhos e é uma praia nordestina que eu vejo…
O poema é lindo mesmo. Esse Fernando Pessoa é o seguinte, não?
bjs, tava com saudades dos teus comentários aqui!
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