Cultura (in)útil:
Você conhece a expressão inglesa ”running around like a headless chicken“? Não? Então aprenda correndo, porque é utilíssima em momentos como os de hoje: quer dizer “correr de um lado para o outro, feito barata tonta“. Eu, eterna aprendiz do idioma de William Shakespeare, vibrei quando achei o correspondente em português para uma expressão tão aplicável à alguns momentos da minha vida. E a expressão colou: segue que há anos penso na galinha quando falo da barata ou falo da barata quando me refiro à galinha, num exemplo emblemático dos vários imbróglios lingüísticos de chez moi.
E, como até as baratas tontas da vida merecem um certo rigor acadêmico, abro o Aurélio para uma (auto)definição: Barata tonta. Fam. Pessoa atônita, desarvorada. Agora, engraçado mesmo foi descobrir a riqueza semântica do vocábulo barata – a língua portuguesa é realmente um barato…
E todo esse blá blá blá sem graça é para falar que eu estou feito uma headless chicken ou uma barata tonta (escolha o bicho e/ou a língua preferida), com mil coisas para fazer e não sabendo por onde começar. Aliás, tão logo eu me ocupo de alguma coisa, mudo de idéia, no melhor estilo desses insólitos animais.
Então, num raro gesto de resignação, concedo-me alguns momentos do desarvoramento, da tontice (existe, sim!) e de headlessness (também existe!) das baratas e galinhas do melhor pedigree. Et voilà!







