O vendaval de ontem — que mais parecia um tornado — derrubou três árvores aqui da minha casa. Duas delas caíram no telhado e racharam a laje, a outra caiu no meio da calçada. Que a Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba me desculpe, mas eu já havia reclamado duas vezes sobre essas árvores e pedido para derrubá-las. Elas não são nenhuma araucária sólida, muito pelo contrário, parecem mais galhos metidos a árvores. Além do mais, são árvores de vida curta e vão secando naturalmente com os anos. São altíssimas, têm uma madeira porosa e mole que se dobra com o menor sinal de uma brisa… Ninguém precisa ter um Q.I. excepcional para saber que essas árvores eram um acidente em potencial esperando acontecer. No entanto, em nome de uma rigidez burra e absurda, a Secretaria do Meio Ambiente não nos deixou tirar as árvores. Eu fico pasma com essas coisas no Brasil. A Amazônia sendo depradada, crimes ambientais sendo ignorados por motivos (muito) escusos e quando uma pessoa como eu apela à justiça municipal para resolver um problema de segurança, eles alegam, com uma rigidez desmedida e com caras de quem vai salvar o mundo, que não, que eu devo manter esses galhos secos que fingem ser árvores. Olha, gostaria de avisar aos ecologistas e engenheiros agrônomos que trabalham pelo meio ambiente de Curitiba, que as minhas “árvores”, nas suas curtas existências, não tornaram o mundo mais respirável. Que, tivessem eles permitido que eu tivesse derrubado essas infames, eu teria plantado árvores verdadeiras no lugar. Queria que eles também pensassem no que poderia ter acontecido se um de nós estivesse lá fora quando uma dessas “árvores” despencaram, algo que, acredite, não seria muito improvável aqui na minha casa: todo mundo gosta de “assistir” tempestades (tá, agora vou começar a repensar). Ora, apenas uma pequena dose de bom-senso teria resolvido o caso e evitado o acidente de ontem. E, pô, a ironia de tudo é que eu amo árvores e adoro o meu jardim, como todos que passam por aqui sabem muito bem. E como alimentos orgânicos, separo o lixo, tento economizar energia, enfim, tento fazer a minha parte como cidadã do mundo. Então tudo isso para mim é uma bruta injustiça, burrice e demagogia!! O Brasil é um país de demagogos que falam muito e fazem muito pouco. Ah, você pode estar pensando, mas Curitiba não ganhou o título de “capital ecológica” do Brasil à toa. De fato, Curitiba é modelo para vários programas ecológicos, a cidade é limpa e outros cuidados básicos são gerenciados pelo governo e pela população. O resultado conseguido foi fruto de uma campanha muito bem feita de conscientização ecológica da população. Mas nada do que Curitiba faz pelo meio ambiente é óóóóóó. No big deal. O que acontece aqui é o que todas as cidades deveriam fazer e não fazem. O diferencial é apenas este.
E a previsão para hoje é de chuvas e vendavais. Espero que os “tocos” que tenham permanecido não causem mais estragos.


