E justamente por ser móvel e tênue, muita gente se aproveita. E você às vezes não sabe o quanto exigir. O errado é o errado, certo? Eu estou pensando no caso de hoje à tarde, o que era pra ser uma correção de uma monografia de final de curso, virou uma caça frenética de horas na internet. Logo no primeiro parágrafo, eu vi que não era o aluno que tinha escrito. Então, ele fez uma verdadeira colagem de idéias de ótimos artigos de sociologia da Scielo. Como encontrei? Selecionei alguns fragmentos e fiz uma busca no google, foi fácil, embora um pouco demorado porque eu fui bem minuciosa. Não tem absolutamente um pingo de reflexão dele no que eu li, nem mesmo a idéia principal que é a questão do racismo nas universidades, um assunto extremamente pertinente e diretamento ligado à questões trabalhadas na disciplina que eu ministrei no ano passado. Eu ainda estou tentando acalmar o ânimo para poder escrever um e-mail sem aniquilar o sujeito. A vontade é dizer “Fulano, saiba que se apropriar das idéias de outros é considerado um crime chamado plágio. Fulano, tente pensar, refletir e articular os teus pensamentos. Você pode, com um certo esforço. Só não pode, meu filho, é colar. Sabe?? É errado e feio, muito feio. Ainda mais em um mestrado. Ah, a propósito, você tirou zero e reprovou na minha disciplina, tá?”
Agora o que não sai da minha cabeça é o desrespeito do sujeito no que tange a minha posição como profissional. Será que ele pensou que eu não iria desconfiar? Será que ele acha que vai sair impune? Ai, ai, ai… Vou dormir no assunto, mas tenham certeza que este caso, para mim, tem um certo e um errado. Tudo claro assim, como preto e branco. Sem tênue, sem móvel.