Em retrospecto, eu confirmo tudo o que falei nos meus posts sobre fazer um doutorado. Aliás, é bom ressaltar que são posts irônicos. Os comentários que os posts receberam revelam que algumas pessoas simplesmente não captaram a ironia! Agora, sem ironia e com alguma quilometragem rodada, restituo a minha tese principal, a de que doutorados não são para todos. Só para dar uma idéia, no mês de setembro, tive que escrever dois artigos (um estou terminando – dedos cruzados – hoje), li uma dissertação e estou preparando a minha argüição para uma banca de Mestrado, tenho 5 pilhas de provas olhando para mim e me lembrando que tenho que corrigi-las todas esta semana. Tenho três livros para ler, dois congressos para ir — o que envolve viajar de avião, gastar e depois ter que repor todas as aulas que eu não dei em horários hiper esdruxulos. E tenho que entregar outro (o terceiro) artigo daqui a 10 dias. Não tenho tempo para correr há uma semana, o que me deixa sem energia. Tem a minha família, tem a casa = roupas, comida e limpeza. Estou cansada de responder “não posso” para as minhas filhas. O jardim? Imagina se sobra tempo para ele, pobre coitado, agora totalmente rendido às ervas daninhas.
Mas voltando à questão do doutorado, a balança ainda não pende para o positivo. Se considerar apenas o status do título e a possibilidade de ampliar para atividades de pesquisa, sim, foi excelente. Apareceram, rapidamente, oportunidades fantásticas. Mas todas implicam em muito mais trabalho, dedicação e tempo. Não há um incremento significativo em termos de salário, aliás, tenho que trabalhar ainda muitos anos para pagar tudo o que investi nas minhas 3 viagens de pesquisa para a Inglaterra e pagar todos os livros que eu encomendei, em 5 anos, da Amazon… Sem falar no fato que eu é que custeio as minhas despesas de viagem e não as universidades onde eu traalho. Além do mais, e aqui vem o mais importante: a minha vida não se resume ao lado profissional. Só que, desde que eu ganhei o título de doutora, a minha vida parece ser isso. O lado profissional. Yawn, yawn. Aliás, sabe o que se fala em inglês, né? All work and no fun, makes Jack a dull boy. Down with this dullness. Xô chatice, sou mais a vida. Então pense duas vezes.









