Tenho tido mais atividades do que eu consigo dar conta. Às vezes parece que as pessoas pensam que você não passa de uma máquina que tem que produzir mais e mais. Publish or perish, esta é a absoluta ordem do dia para profissionais como eu… Mas fora o desumano número de coisas que tenho que fazer na e para as duas universidades onde trabalho, tenho que dar conta de tudo que envolve uma casa (limpeza, comida, roupa, arrumação). Por isso mesmo, ando muito cansada e pensando seriamente em contratar uma empregada para me ajudar nas tarefas já que os habitantes deste lar estão todos com tolerância mínima com essas coisas. Até o meu marido concorda. Seria mais fácil se eu fosse uma pessoa menos exigente, talvez convivesse bem com uma sujeirinha ou outra. No meu caso, definitivamente gosto da minha casa bem arrumada e limpa. Sempre, de preferência. Quanto à comida, sou igualmente exigente e preparo refeições saudáveis e leves que nem todo mundo sabe fazer (mas eu posso ensinar). Quanto ao jardim que eu tanto falava, estava horrível, rendido ao domínio das ervas daninhas – a epítome do descaso, mas o seu Manoel já deu um jeito nesta semana e agora só falta refazer os meus canteiros. De qualquer maneira, a minha vontade de cuidar do jardim eu mesma foi ridícula. Eu tenho mania de fazer tudo e tento obstinadamente até o momento que a coisa realmente é demais. Fora tudo isso, eu tento sempre encontrar um espaço para correr e outro para cuidar um pouco de mim – e acho que a vaidade, em doses sensatas, faz a pessoa se sentir bem. Mas é melhor admitir aqui pública e privadamente que eu não sou uma super mulher, que eu não dou conta de tudo. Que enough is enough e é bom entregar os pontos e pedir ajuda. É o que eu vou fazer.



