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“Você já encontrou um homem de bom caráter no que diz respeito às mulheres?” (George Bernard Shaw)

Janeiro 2, 2007

“Have you ever met a man of good character where women are concerned” (George Bernard Shaw, Pygmallion) Pois é, hoje eu quase vesti uma camiseta que estampa esta citação do grande dramaturgo inglês. Só que não tive coragem.  Eu entendo bem porque Shaw escreveu estas palavras. Escritor de ironias afiadas, o seu grande barato era ironizar a Era Vitoriana e seus falsos moralismos.

Anos atrás, a camiseta me caiu como uma luva (!), tanto é, que a comprei num festival de teatro. Mas hoje, graças aos bons céus, ela ficou estranha em mim. Afinal, ela é uma agressão terrível aos homens decentes, como o meu marido. O meu marido é uma prova viva que existem homens respeitadores, educados, carinhosos, e motivadores. Que não têm ciúmes nem amor doentios. Homens que, com efeito, acrescentam algo de bom na vida de suas esposas (namoradas, etc.). Você já se perguntou se o teu companheiro te faz uma pessoa melhor? Se a resposta for positiva, você, como eu, está numa boa relação. Toc, toc, toc.

Mas não é isso o que a Susana Vieira deve estar pensando no momento. Aliás, acho que vou lhe enviar a minha camiseta. Não que eu seja contra o casamento de uma mulher com um homem bem mais novo. Só que o cara é um cafajeste, ponto. O que estava me soando muito estranho era este afin sem tamanho de fingir e ostentar a felicidade a todo custo. A over-exposição do casamento dela, tinha um quê de artificial. Mas, enfim. Talvez mais delator tenha sido a feição de pilantra do “maridinho amoroso”. Um policial (pois é, nada mais cliché…) violento e aproveitador.  Bateu na prostituta que ele levou para o motel, armou o maior barraco e parou na delegacia.

Desconheço o nome do dito-cujo e nem é importante saber. Que estes “homens” sejam lembrados apenas pelas agressões que eles cometeram. Que as esposas, namoradas, casos, nunca se esqueçam que o homem que comete um ato de violência contra a mulher, cometerá outro, mais cedo ou mais tarde. Tolerância zero, absolutamente zero para a violência.

É muito comum, passada a raiva inicial, que a mulher sinta a sua auto-estima enfraquecida. Muitas devem pensar: “devo ser um lixo” e que, inconscientemente, “mereceram” a “punição”. Gente, a mulher NÃO deve ser mártir: SEMPRE na vida a gente encontra alternativas. Tenham coragem, levantem a cabeça e tenham orgulho do que vocês são.  Nós existimos para tentar ter uma vida plena.

Bem, a despeito do marido da Susana Vieira, a minha resposta é “Sim, eu já encontrei um homem de bom caráter no que diz respeito às mulheres. Ele é o meu marido.”

Qualquer dia eu falo um pouquinho sobre a questão da mulher e do “martírio”, um conceito (melhor dizendo, uma construção sócio-cultural) fundamental para a gente entender a situação da mulher no passado e nos dias atuais.

E viva os homens de bom caráter!! Long live men of good characters!!

Ah, dando continuação ao meu projeto “Como NÃO escrever uma tese de doutorado”, vou ver o filme “An inconvenient truth”. Palavras escritas na tese: zero. Culpa: zero.

A garoa aqui não dá trégua. Bonito de ver.

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