Archive for 4 de Janeiro, 2007

Nancy Pelosi, a primeira presidente do congresso americano: Nem vidro, nem mármore!

Janeiro 4, 2007

Go, Nancy, go!

Nancy Pelosi , 66, acaba de tomar posse como a primeira mulher a ser presidente do congresso nos E.U.A. Uma vitória imensa para as mulheres, fato que ela fez questão de frisar não somente em seu discurso, mas também por intermédio da sua imagem.

A metáfora: “For our daughters and grandaughters, today we have broken the marble ceiling” [Pelas nossas filhas e netas, hoje quebramos o teto de mármore], Nancy, triunfante, proclamou.  A expressão que ela usou, “break the marble ceiling” é uma variação de “break a glass ceiling”, que, em seu discurso, significa superar o preconceito contra as mulheres na política (e, por extensão, na sociedade). O preconceito contra as mulheres, para Pelosi, não pode ser expresso por “vidro”, e sim por “mármore”, um material bem mais espesso, de formação rochosa. Amei a metáfora! O preconceito é mesmo uma rocha, vai se sedimentando ao longo dos anos e se torna algo quase que inpenetrável ou indestrutível.

A imagem: Nancy Pelosi, sabiamente, fez uso de uma das imagens femininas mais poderosas que temos no acervo das artes visuais: a da Virgem. Ao segurar o seu netinho de dois mêses de idade que, placidamente dormia em seus braços, Pelosi, indiretamente, se remete à imagem sagrada da mãe.

Esperta a mulher. Ao longo da história, várias personagens importantes fizeram uso da figura da Virgem Maria para se sobressair. A Rainha Elisabete I foi uma delas.

Muitos de vocês podem estar questionando se essa estratégia não funcionaria como uma “contra” estratégia. Ao meu ver, não. A referência à figura da Virgem, idolatrada há séculos por mulheres e por homens, confere uma aura pura e sagrada à Pelosi. Tudo o que ela precisa no momento para angariar simpatisantes e seguidores.

  

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As revistas femininas e o corpo da mulher.

Janeiro 4, 2007

A noção de que o corpo feminino é um construto social  (algo determinado pela sociedade) é lugar comum na crítica. Porém, mesmo a crítica mais engajada não consegue dar conta das reais implicações desta grave questão na nossa sociedade.

A anorexia é algo produzido, fabricado pela mídia. O papel da indústria da moda, que perpetua e fixa as imagens de modelos cadavéricas como padrão de beleza, é particularmente irresponsável. As revistas Vogue e Bazaar empregam, geralmente, um seleto grupo de modelos. Essas moças são MUITO mais altas e MUITO mais magras do que o padrão considerado normal. Elas são tão magras que as estruturas ósseas de seus corpos são macabramente visíveis sob suas pálidas e brancas peles.

A glamorização do corpo magro e a demonização do corpo “cheio” é assunto onipresente em quase todas as revistas de moda. As imagens conseguem transmitir muito mais do que palavras. Facilmente, nossos olhos aprendem a distinguir o que é bonito do que é “feio”. Mas não são apenas as imagens, há os artigos que advogam estratégias absurdas para se conquistar um homem, que discutem as dietas e exercícios da moda, além dos depoimentos de mulheres que perderam peso (e agora são, magicamente, felizes).  Fora os ensaios “científicos” (de médicos, psicólogos, terapeutas, etc.) com ultra-mega dicas de “saúde”. A linguagem destes textos é fácil, sedutora, e tudo é naturalmente assimilado.

Ainda que algumas mulheres reclamem dessa verdadeira ditadura pela magreza, é, de fato, muito difícil ficar imune a este discurso sorrateiro que permeia os nossos olhos diariamente. 

Assustador.