Adorável Alice

Janeiro 8, 2007

lewis-carrol.pngO autor: Lewis Carroll (1832-1898) era o pseudônimo do reverendo Charles Lutwidge Dodgson, professor de matemática na tradicional Universidade de Oxford. Homem tímido e reservado, deleitava-se, no entanto, na companhia de crianças, principalmente meninas. Alice no país das maravilhas foi escrito para a sua amiguinha favorita, Alice Liddell. Há inúmeras biografias sobre o autor e muitas se pautam na relação de Carroll com Alice. Sensacionalismos à parte, a sua ligação com Alice é talvez um pouco estranha, como podem comprovar as leituras dos diários de Carroll, bem como de suas cartas e nas inúmeras fotos que ele tirou de Alice. Os diários revelam que ele era um homem cheio de culpas. Acontece que não seria difícil se sentir “culpado” numa sociedade de valores tão moralistas e hipócritas quanto a vitoriana. Enfim.  

alice-with-the-cat_tenniel.png

O livro: Alice… é um livro adorável, narra as (des)aventuras de uma garota adolescente de classe alta que, subitamente, vê o seu mundinho confortável virar às avessas quando aterrisa no País das Maravilhas. Esse novo país põe em xeque tudo o que Alice considera lógico e normal, uma vez que ele é governado pela imaginação e pela fantasia. O conflito da trama, então, é basicamente a sensação de estranhamento de Alice, propiciada por esse universo nonsensical. Mas o mais interessante é quando a graciosa heroína começa a questionar suas próprias percepções do que é “certo” e “errado”.

 Alice no país das maravilhas já foi analisado de todas as maneiras possíveis e imagináveis. O livro é permeado de rica simbologia e se presta aos mais ecléticos argumentos. As análises freudianas, como pode-se imaginar, são lugar-comum e esmiúçam os significados da tocas do “White Rabbit”, do pé da Alice gigante na chaminé, dos banquetes, etc., etc., como evidências da perversão do autor.  

cheshire-cat-withgrin2.pngDeixando críticas literárias elaboradas de lado, gosto de pensar que Alice… é, sobretudo, uma história deliciosa sobre as dificuldades de “crescer” e se tornar um adulto. Carroll sugere que a vida é um constante reajuste de perspectiva. Que não há verdades absolutas e que a “lógica”, muitas vezes, não se aplica num universo onde a(s) realidade(s) é constante e velozmente reinventada. 

white-rabbit.png 

“No time to say hello, good-bye, I’m late, I’m late, I’m late”  hehe, esse aí, SOY JO!!

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4 Respostas to “Adorável Alice”

  1. Leila Says:

    Para falar a verdade, essa história me assustava bastante quando criança!!! 🙂

  2. JN Says:

    Não sabia que compartilhava algo com o Sr. Carroll, a Matemática… e confesso que também só passei a gostar da história já adulto…e quando li o original! (foi um presente na altura…)

    E como o Coelho…não tenho «tempo» para mais! 🙂

    Até à próxima…

  3. cris s Says:

    Leila,
    Eu também fica amedrontada c/ a idéia de cair num buraco e aparecer do “outro lado do mundo”. Aliás, eu não conseguia relate to aquele mundo de fantasias. O interessante é que as meninas sempre amaram a Alice. Talvez por ser uma bed story favorita da mãe :-). A minha primeira opção da tese de mestrado foi analisar “Alice…”, só depois me dei conta da loucura q seria, hehe.
    bjs

  4. cris s Says:

    JN,
    Há tratados matemáticos sobre “Alice in Wonderland” e, principalmente, “Through the looking glass”. Os matemáticos consideram o L. Carroll genial.
    Como você, só fui gostar do livro quando adulta e li em inglês.
    “I’m late, I’m late, I’m late”. C’est moi!
    Cris


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