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“Volver”

Janeiro 24, 2007

No post abaixo, comecei a discutir a delicada questão que é o relacionamento entre mãe e filhas. Não tenho tempo para desenvolver, então deixo este vídeo que captura um momento do excelente filme Volver. É uma cena bela e emocionante, na qual a mãe de Raimunda (Penélope Cruz) “retorna dos mortos” para vê-la depois de mais de vinte anos.  É claro que a Penélope Cruz não é nenhum Carlos Gardel, o compositor de “Volver”, mas o que está em questão aqui é este retorno, um “volver”. E os retornos são geralmente episódios muito bonitos, carregados de muita dor, esperança e amor.

Reparem no vermelho que domina a cena. Raimunda, sua filha e sua mãe vestem vermelho, apontando à ligação visceral, de sangue. Vermelho também é a cor da força e da paixão. Uma cor que não vai apenas decorar belamente o filme ou os lábios das personagens, vai também ilustrar a morte e anunciar a vida. Há uma cena na qual Raimunda acaba de matar o marido e está com as mãos cheias de sangue. Subitamente chega o vizinho, e quando ele pergunta sobre o sangue, Raimunda, sem pestanejar, responde: “Coisas de mulher”. Fantástico.

Abaixo, a transcrição da parte de “Volver” que Penélope canta no vídeo:

Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida.

Tengo miedo de las noches
que pobladas de recuerdos
encadenen mi soñar.

Pero el viajero que huye
tarde o temprano
detiene su andar.

Y aunque el olvido
que todo destruye
haya matado mi vieja ilusión,

guardo escondida
una esperanza humilde
que es toda la fortuna
de mi corazón.

Volver
con la frente marchita
las nieves del tiempo
platearon mi sien.

Sentir
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
errante en las sombras
te busca y te nombra.

Vivir
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez.