Archive for Fevereiro, 2007

Flores e cores.

Fevereiro 28, 2007

“The violets in the mountains have broken the rocks” Tennessee Williams 

O mundo está virado e eu, todo e cada dia, consigo ficar mais perplexa com a crueldade e ignorância da humanidade.  Então vou mostrar algo bonito para os olhos, as flores que plantamos há três semanas. Alguém lembra do meu canteiro?

flowerbed2.png

Agora ele está assim:

flowerbed.png

Aqui, a minha arruda básica, que está crescendo muito bem, obrigada.

arruda.png

Impressionante as cores da borboleta:

borboleta1.png

Corri atrás da borboleta para conseguir fotografá-la de asas fechadas! Juro de pés juntos que é a mesma borboleta.

borboleta2.png

Então é isso. Num mundo tão doido e tão violento, um pouco de flores e cores para adoçar o dia.

“A valediction forbidding mourning”

Fevereiro 26, 2007

A VALEDICTION FORBIDDING MOURNING.
(John Donne, 1633)

(…)

But we by a love so much refined,
    That ourselves know not what it is, 
Inter-assurèd of the mind, 
    Care less, eyes, lips and hands to miss.                           

Our two souls therefore, which are one, 
    Though I must go, endure not yet 
A breach, but an expansion, 
    Like gold to aery thinness beat. 

If they be two, they are two so                                           
    As stiff twin compasses are two ; 
Thy soul, the fix’d foot, makes no show 
    To move, but doth, if th’ other do. 

And though it in the centre sit, 
    Yet, when the other far doth roam,                                
It leans, and hearkens after it, 
    And grows erect, as that comes home. 

Such wilt thou be to me, who must,
    Like th’ other foot, obliquely run ;
Thy firmness makes my circle just,                                    
    And makes me end where I begun.

Outro belo poema de amor inglês. O compasso é a metáfora usada por John Donne, conhecido como um poeta metafísico, para caracterizar o amor de duas pessoas.

Soneto CXVI

Fevereiro 26, 2007

 Sonnet CXVI

(Shakespeare)

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O, no, it is an ever-fixèd mark,
That looks on tempests and is never shaken
;
It is the star to every wand’ring bark,
Whose worth’s unknown, although his heighth be taken.
Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle’s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved
.

shakespeares-sonnets.png

O Oscar de Scorsese.

Fevereiro 26, 2007

A cara do Scorsese é a própria caricatura, não? E a voz então? 🙂

oscar1.png

fonte: Cagle Cartoons

Casa própria.

Fevereiro 25, 2007

Suas histórias sempre acalentaram o desejo da casa própria. Leve para o lado metafórico (que é muito belo, eu sei) e pelo lado literal (que é muito digno também, eu sei). Ele, do lado norte do globo, na América ou na Europa. Ela, peralambundo alguns anos por lá, mas, na maior parte do tempo, por aqui, do lado de baixo do Equador, onde nem todo pecado é pecado, nem tudo que é nobre, é nobre. Os dois lutando pelos mesmos direitos e sonhos, de maneiras diversas.

Hoje, o almoço descompromissado de domingo com o indefectível frango assado.  Mas, noblesse oblige, e a nobreza há de servir pelo menos para a culinária, o frango assado é realmente muito bom, com as ervas próprias, frescas; feito sem preguiça, e, portanto, jamais seco, mundos à parte daqueles que se assam nos bares de esquina. Tudo que é bem feito nessa vida vale a pena, ela pensa. O frango, fresco, marinado com ervas da horta, alho e cebola, um pouco de vinho branco seco, um fio de azeite extra virgem. Encontrar a quantidade certa dos ingredientes é uma arte para poucos, convenhamos. Vinte minutos no fogo alto para selar os sucos da carne, 45 minutos no forno baixo. Para acompanhar, batatas cozidas rapidamente e posteriormente assadas com raminhos de alecrim. Não há nada mais simples e melhor. O vinho branco na temperatura certa. Os filhos viajando e a sensação de liberdade, quase esquecida.

O céu azul se encobre de noves pesadas cinzentas. 

— Não há nada mais belo que ver uma tempestade se aproximar e sentir-se, ainda assim, protegido, dentro da própria casa, ela diz com um sorriso largo.

— Sempre gostei desta sensação. Desde criança, quando aguardava os tornados chegarem ansiosamente no Texas.

— E saber que aqui, dentro de nossa casa, a casa que construímos nós dois, nada há de acontecer. No matter what.

— É verdade.

Subitamente, ele diz: você sabe que na história de 4.6 bilhões de anos do nosso planeta, ele foi aniquilado pelo menos três vezes? A vez mais conhecida, apesar de não ter sido a mais destrutiva, foi aquela que acabou com a era dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás. Os astrônomos recentemente discutem o sólido argumento que o maior destruidor do nosso planeta é o fenômeno das supernovas (a exploxão espetacular que marca o fim da vida de uma estrela). De qualquer maneira, o importante é lembrar que a terra sempre teve recursos próprios para renascer das cinzas, feito fênix. Ela sempre se surpreende com o conhecimento dele.

— Você acha que a terra tem condições de sobreviver a destruição trazida por nós?

Ele, otimista, faz que sim com a cabeça.

A tempestade continua, inclemente. Logo a paz é interrompida: as folhas das árvores entopem a calha. A água, rapidamente, invade o banheiro dos filhos. A falsa promessa de paz e proteção é interrompida por uma tempestade passageira de dez minutos.  Os dois se levantam e, em gestos aparentemente coreografados, pegam os baldes e os panos para secar o banheiro.

Culpa.

Fevereiro 22, 2007

guilt.png

Sem comentários…

fonte: PhDcomics

Curiosidade.

Fevereiro 21, 2007

  

Eu estava tendo dificuldades em acessar o blog e, dando uma olhada nas estatísticas, descobri o que causou o ‘congestionamento’. Muita gente está pesquisando sobre o carnaval. Verifiquem as palavras usadas no mecanismo de busca. Como diria a minha filha, “só lamento”. Não tem nem um pézinho de mulher por aqui (vide “pés de modelos”!!!).  Uma ressalva (em vermelho) para a busca “sistema global da terra”. Destoa, não? 

   These are terms people used to find your blog.

Today

Search Views
mulheres no carnaval 18
MULHERES NO CARNAVAL 4
as mulheres mais bonita do carnaval do r 3
mulheres lindas do carnaval 3
as mulheres mais lindas do carnaval 2
fantasias minusculas do carnaval 2007 2
as imagem das garotas sexy do carnaval 2 2
sistema global da terra 1
pés de modelos do carnaval 1
carnaval mulheres 1

O tal congestionamento foi causado pelo post “O Carnaval e o corpo feminino”, que recebeu, até agora, 110 132 ‘views’!!  Nunca isso havia acontecido… Moral da história: o que dá ibope é mulher bonita (eureca!). Aposto que os meus ávidos “leitores”  não chegaram nem ao fim do primeiro parágrafo e que jamais voltarão…

These posts on your blog got the most traffic.

Today

Title

Views  
O carnaval e o corpo feminino. 132
E se fosse com você? 13
Woman in chains (I) 7
Será que a anorexia é apenas frescura 3
“A terra devastada”: os efeitos do aquec 3
As revistas femininas e o corpo da mulhe 3
Como NÃO escrever uma tese de doutorado 2
Perguntar ofende, sim… 1
“Babel”, ainda. 1
“Meme” de atitudes eco-conscientes. 1

Só assim mesmo para eu estar no topo de uma lista!! O público&privado é hoje o fastest growing blog do wordpress, hehe! 🙂

Fastest Growing WordPress.com blogs

  1. público&privado

E se fosse com você?

Fevereiro 20, 2007

Você passa cerca de três meses pesquisando para escrever um artigo e submetê-lo à uma revista literária com ótima reputação. Lê, escreve; lê, revisa, lê, deleta; lê re-escreve, um verdadeiro trabalho de Sísifo. Inclui a bibliografia, notas de roda-pé, segue as regras atualizadas da ABNT, enfim, todo o arsenal acadêmico. Está pronto!! Envia-o para a revista e aguarda oito meses para a resposta chegar: Yes! O trabalho foi aceito. O que significa que foi lido e aprovado por uma comissão editorial de pesquisadores sérios e competentes que trabalha na tua área e que todo o teu trabalho valeu a pena. Cerca de 4 meses mais tarde, recebo a revista e ele está lá publicado, bonitinho.

Isso aconteceu já faz algum tempo. Bem, dia desses fiz um search com meu nome e adivinhe o que eu descubro? O meu artigo publicado num site de “assuntos variados” de um fulano. O engraçadinho foi até generoso e deixou o meu nome… 

Eu sei que a questão de direitos autorais é altamente polêmica. Que a internet é uma “no man’s land”, que está revolucionando o conceito de autoria. Tá bom, tá bom… Mas, por favor, além do tempo que eu passei escrevendo o artigo, considere também os anos de experiência na área… É o resultado de um trabalho que eu levo muito a sério, pô! No início me deu a maior raiva e até pensei em ir atrás do dito-cujo. Mas adiantaria para quê? Vou tentar esquecer…

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A imagem é da pensadora e escritora Cristina de Pisano, autora de A Cidade das Damas (1400 AD).

Woman in chains (II)

Fevereiro 19, 2007

Continuação do post abaixo, a música “Woman in chains” da banda”Tears for fears”. 

 

… I will not accept the greatness of man

Its a world gone crazy
Keeps woman in chains….

Woman in chains (I)

Fevereiro 19, 2007

Cintos de Castidade  

O texto abaixo, do jornal Kahleej Times, de Dubai (Emerados Árabes), noticía que o líder religioso Abu Hassan Din Al Hafiz advoga o uso de cintos de castidade para evitar o crescente número de estupros, incestos e outros crimes sexuais na Malásia. Muitos religiosos islâmicos consideram que as mulheres são culpadas, pois usam roupas e maquiagens “provocativas”.  

 KUALA LUMPUR, Malaysia – Women should wear chastity belts to prevent rape, incest and other sex crimes, a prominent Islamic cleric in northern Malaysia was quoted as saying Friday. Abu Hassan Din Al Hafiz, speaking in the northern state of Terengganu, said chastity belts could protect women from a growing number of sex crimes in
Malaysia, The Star newspaper reported.
The best way to avert sex perpetrators is to wear protection,’ Abu Hassan told a crowd of followers. My intention is not to offend women but to safeguard them from sex maniacs.’The cleric said sex crimes had increased in the region of late. We have even come across a number of unusual sex cases where even senior citizens and children are not spared,’ he said.Figures on sexual assaults in the northern state were not immediately available. Religious leaders in Malaysia’s conservative north have in the past blamed sexual attacks on women wearing provocative clothing and make up. Local Islamic women’s groups and other organizations have routinely criticized those views.

Abu Hassan was not immediately reachable for comment.

Leia mais aqui.

chastity-belt.png

A história do cinto de castidade está intimamente (no pun intended!) relacionada à idéia de “posse” e “paternidade”. É quando o homem quer ter garantir a posse da terra e salvaguardar seus bens dentro da integridade de sua família. Em outras palavras, uma das únicas maneiras de saber que o filho era seu era garantir que sua mulher não o traísse e nem fosse violentada. Dessa maneira, os bens permaneciam “na família”. Leia sobre o cinto de castidade, também chamado de cinto florentino, aqui.

É inacreditável, mas cintos de castidade ainda são usados “como proteção”.

Leitura: DUBY, Georges e PERROT, Michelle. A história das mulheres. A Idade Média. Porto: Edições Afrontamento, 1991.