Soneto CXVI

Fevereiro 26, 2007

 Sonnet CXVI

(Shakespeare)

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O, no, it is an ever-fixèd mark,
That looks on tempests and is never shaken
;
It is the star to every wand’ring bark,
Whose worth’s unknown, although his heighth be taken.
Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle’s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved
.

shakespeares-sonnets.png

Anúncios

11 Respostas to “Soneto CXVI”

  1. Raquel Says:

    Cris,
    que coisa, hein?
    Engraçado que eu já li as peças do Shakespeare todas, mas nunca peguei os sonetos. Uma vez comprei essa edição “completa” das obras de Shakespeare (link abaixo, a minha edição era mais nova) toda empolgada. Depois fiquei sabendo que era péssimo, com vários erros, uma decepção.
    Não sei se você viu minha resposta lá no bloguinho, mas recebi seu email sim. Fiz o download do “Monsieur Caloche” e estou lendo. Achei que tinha que ler o conto primeiro antes de ler a crítica, para ter mais noção do assunto. 🙂 Bom também que treino meu inglês para lá de enferrujado. :p
    Bjs

    http://www.amazon.com/Oxford-Shakespeare-Complete-Works/dp/0199267170/sr=8-3/qid=1172589813/ref=pd_bbs_sr_3/002-9668417-4372044?ie=UTF8&s=books

  2. cris s Says:

    Raquel, como assim… vc leu TODAS as 38 peças do Shakespeare? Todos os Henriques e os Ricardos? O The Two Noble Kinsmen? Timon of Athen? Cymbeline? Troilus and Cressida?
    É inacreditável, vou virar tua fã. É porque eu trabalho, justamente, com Shakespeare. Freqüentemente dou cursos sobre estudos shakespearianos, etc. E ainda não consegui ler todas as obras, hehe.
    Quanto à edição da Oxford que vc falou, há um consenso nos estudos shakespearianos que o editor, o Stanley Wells, diretor do Shakespeare’s Birthplace Trust em Stratford, é um dos maiores estudiosos e mais respeitados. Já li vários livros dele.
    O problema com os textos Raquel é extremante complexo — não há, por assim dizer, “erros” nas edições porque os manuscritos não sobreviveram. Se vc pega uma obra como Hamlet, por exemplo, vc tem o primeiro “Quarto” (tbém chamado de “bad” quarto), o segundo Quarto (conhecido como “good” quarto) e o Folio (este último, o único q foi publicado depois q Shakespeare morreu). É de praxe usar o good quarto nas edições, mas todos os editores acabam fazem escolhas para dar mais “coerência” ao texto. E obviamente não são escolhas aleatórias. A melhor edição, sem sombra de dúvidas, para os estudiosos é a da Arden. A Arden também faz escolhas mas justifica tudo em notas de rodapé e, o mais importante de tudo, inclui as diferentes versões dos quartos e do fólio.
    Desculpa me estender– é que eu sou apaixonada mesmo. A história das edições da obra de Shakespeare me fascina. Em abril vai ter um evento que está virando tradicional por aqui, “Abril de Shakespeare” — vem a Barbara e alguns outros especialistas. Eu vou dar uma palestra justamente sobre as edições de Hamlet. 🙂

    Que bom q vc vai ler Monsieur Caloche. É um conto excelente!! Depois me fala p/ eu não ficar mto curiosa,hehe.
    bjkas

  3. Raquel Says:

    Pô, todas não! Aquele artigo femino plural “as” não era para estar ali! Leia-se “Eu já li peças do Shakespeare, mas nunca peguei os sonetos.”
    Meu, que horror, que coisa mais arrogante que o meu comentário soou! Ai, Jesus (Raquel se joga embaixo da mesa e se esconde dentro da lata de lixo, de onde nunca mais sairá, espiando sua vergonha).

    Eu li Hamlet, Rei Lear, A Megera Domada, Muito Barulho por Nada, A Tempestade e Sonhos de uma Noite de Verão. Li também Romeu e Julieta (que eu não gosto) e empaquei em Macbeth. Li pedaços do Henrique V, que deu o azar de estar na minha mesa de cabeceira quando saiu o filme com o Kenneth Branagh. Dançou, larguei de mão e fui ao cinema. Outro dia, para uma aula de inglês, reli aquele trecho que fala “we happy few, we band of brothers… Saint Crispin’s Day”. Gosto muito do Mercador de Veneza, podem falar que é anti-semita, o que for, acho o Shylock um dos personagens mais fascinantes jamais criados/escritos. E a cena do julgamento é sensacional. Quer dizer, é de uma crueldade sem tamanho e, por isso mesmo, brilhante. Quer dizer, eu penso que é.

    Li o óbvio, né?

    Vi alguns filmes sobre as peças, os do Bragnah (nunca entendi porque ele parou), o Hamlet do Laurence Olivier, alguma coisa da BBC que passou na TV a cabo. É que, como deu para perceber, eu gosto muito de cinema.

    Vale ressaltar que li em português, em inglês só o Mercador de Veneza e o Rei Lear, trabalho de cão, porque meu inglês vai bem com textos jornalísticos/ciências sociais/afins, mas não dá para encarar Shakespeare no original sem um esforço tremendo. Tive que ler cenas do Rei Lear em francês para uma aula, bizarro, jamais entendi. Acho que a professora queria provar que a língua francesa se prestava a tudo. Em português li alguns com tradução da Bárbara Helidora, os outros, sinceramente, não lembro quem traduziu, só olhando na estante.

    O primeiro de todos foi Hamlet, comprado em uma livraria que já fechou. Tinha 13 anos e obviamente entendi bulhufas e achei Hamlet um cara muito denso demais (aliás, chamar o Hamlet de denso demais é pleonasmo triplo :p ). Como disse, tinha 13 anos e me achava muito inteligente por ter comprado eu mesma um livro de Shakespeare ter conseguido ler aquele tipo de texto.

    Pena que os 13 anos não voltam.

    Fico aliviada de saber que a minha edição não é a coisa hórrível que eu pensava. Lá no fundo bateu aquela vontade de pegar a dita cuja e me aventurar, mas tem tanta coisa na frente e o bardo é difícil no original!

    Não gosto muito de animais domésticos, não sou uma puppy person, mas acho peixes beta muito bonitos. Tive vários, todos batizados com nomes de personagens de Tolkien, de Shakespeare ou nomes de astros de rock. Ofélia era branca, Elvis era vermelho e Sauron negro (bem óbvio, né?). No carnaval vi uns betas imeeensos sendo vendidos na beira da Lagoa, tinha um azul que eu olhei, bati o olho e pensei “Putz, esse tem cara de Polonius”. Mas estava andando, suada e só com celular e uns trocados para uma água de coco.

    Ainda volto lá para comprar o Polonius. Ele está me esperando.

    Fascinante, uma historiografia das edições de Shakespeare Hamlet. Juro que nunca tinha pensando nisso e agora parece tão óbvio! É por isso que eu adoro a web, você aprende tanto com as fontes certas! 🙂

    Que chique! Eu realmente moro na cidade mais atrasada e violenta da face da terra, não tem fetival literário. Só de cinema. É nisso que dá tanto calor. Funde o cérebro e ninguém pensa.

    Eu já estou lendo o Monsieur Caloche. Estou no primeiro capítulo. Boggs é detestável. Não é à toa que ele é comparado aos Rotschilds e os Vanderbilts da vida. Ou vai ver que estou errada, não me diz, vou descobrir.

    Impressionante como literatura de “época” tem sempre personagem que teve varíola! Um romance contemporâneo não tem como ter alguém vítima de varíola, escarlatina, essas coisas. Se a literatura pode ser abordada pelo ângulo da ecologia (aprendi com usted!), também deve poder ser abordada pela questão da saúde. Se bem que, na África e em países muito pobres ainda tem pólio e tal.

    Ih, me perdi e escrevi demais.

    Bjs bjs bjs

  4. cris s Says:

    Adorei o teu comentário. Estou chegando muito tarde da universidade e um pouco cansada. Então respondo amanhã.
    bjkas!

  5. Raquel Says:

    Sabe aquele lata de lixo? Deixa eu me enfiar mais um pouquinho nela, para eXpiar a vergonha de escrever espiar.

    Bjs

  6. cris s Says:

    Raquel,
    Hehe, vc já leu o suficiente da obra de Shakespeare, mais do que os meus alunos de literatura!!
    Adoro o Shylock também. O que eu acho mais incrível é mesmo ele sendo sem caráter, mesquinho, desprezível, cínico, vilão, Shakespeare mostra o lado humano de Shylock. Não somente com o famoso: “Hath a Jew not eyes” (III.i), mas, principalmente, por mostrar a extremidade do sofrimento de um ser humano. Uma das questões interessantes que Shakespeare levanta é: ‘será que é o sofrimento que leva Shylock ser um vilão, ou será que é a sua vilania que o faz sofrer… Enfim, eu adoro o Shylock também, a despeito dele. 🙂

    O evento “Abril de Shakespeare” no ano passado trouxe, entre outros, a Barbara (p/ variar) e o Diogo Vilela p/ fazer uma leitura dramática. Menina, ele não tinha ensaiado e estava pésssimo. A Barbara deu de 10 a zero nele, hehe, com aquele vozerão. Eu ainda estou refletindo sobre o tema da minha palestra. No ano passado foi sobre as Edições de Hamlet no século XIX. Como a história das edições é bem complexa e tem mais de 4 séculos, estou pensando em dar o título “Instabilidades textuais: Hamlet, uma história de 4 séculos”, mas estou achando o título meio longo. Sei lá. Tem alguma sugestão??

    Ler Rei Lear em francês?? Bizarro mesmo! Sabe, eu amo a peça e já vi diferentes montagens no teatro (é uma peça que não funciona mto bem no palco). Vi uma em Stratford com o irmão da Vanessa Redgrave, o Collin Redgrave (como Lear, claro). O bobo perdeu todo o encanto que ele tem no texto, mas as filhas megeras, a Gonoril e a Reagan eram fabulosas. Nossa, don’t get me started porque eu AMO teatro. Por falar nisso, estou indo comprar ingressos p/ o Festival de Teatro que começa no final de março. Tem cerca de 30 peças/adaptações de Shakespeare. Dessa vez, eu só ver Two Gentlemen from Verona, que é da amostra oficial e tem boas críticas.

    Queria ter visto a tua “peixinha” Ofélia, qquer dia te conto porque!! E fico a imaginar o Polônio, deve ser um peixe meio gordinho e metido a pomposo!!

    O Bogg é um cretino mesmo Raquel. Abominável e asqueroso!! 🙂 Já vi que vc é ótima e vou aguardar a tua crítica!! Para c/ esse negócio de lata de lixo.

    Bjkas,
    Cris

  7. cris s Says:

    Raquel,
    Voltei p/ contar — p.q. sei que vc vai gostar — eu vi o Kenneth Brannagh no palco em Londres, em “Edmond” de David Mamet.
    Nem eu acreditei: se eu já o considerava fabuloso no cinema, depois de ter visto a energia e brilho do homem em cena foi demais. Ele não tem feito mais nada né? O q será q aconteceu? A única coisa q eu sei é que ele está gravando comentários p/ o Hamlet dele. Tem muita gente q vai comprar o filme de novo p.q. o Hamlet dele marcou época, feito o do Olivier. A Ofélia (Kate Winslet) dele é perfeita. Vc assistiu?
    bjs

  8. Raquel Says:

    Vio Hamlet do Kenneth Bragnah sim, gostei muito. Adoro o homem. Ele é brilhante em Muito barulho por Nada com a Emma Thompson. Aquele filme é tão bom! Saí do cinema tão feliz!

    Aliás ele é brilhante em tudo. Também não sei por onde ele anda, o último filme que vi com ele foi um da série Harry Potter, ele estava, como sempre, ótimo!

    Não sei se Vênus está passando por aí, se estiver vá. É muito bom, o Peter O’Toole e o Leslie Philipps são dois atores de teatro, que ainda fazem uns trabalhos aqui e ali. Há várias citações shakespereanas e teatrais em geral, um fica implicando com o outro, falando coisas do tipo “Ah, fulano de tal foi um ótimo Laertes”, “Você foi um Polônius exuberante” e ainda Antígona e outros clássicos (eu não reconheci que a citação era de Antígona, mas a pessoa do meu lado sim). Tem uma cena em que eles vão na St. Paul’s Church/Actor’s Church e ficam vendo as plaquinhas com os nomes dos grandes atores.

    E tem a Vanessa Redgrave também, que arrasa, como sempre.

    Que tal…
    – “Hamlet – 4 séculos de intabilidade textual”
    – “A historiografia de Hamlet: uma paixão shakesperiana”.
    – “Hamlet: diferentes edições, olhares distintos”
    – “To edit or to no edit: Hamlet”.

    Huhmm, esse último é pouco acdêmico…

    Ah, sim. Quase me matriculei em uma pós em
    Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo. Em tese, a idéia é “Considerar a literatura enquanto potência catalizadora de interconexões entre as artes (artes visuais, música, cinema e teatro, etc.) e outras formas do pensamento, em perspectiva contemporânea, envolvendo os espaços erudito, popular e midiático. Desenvolver atividades de produção de textos literários e de textos críticos (conforme padrões acadêmicos ou sob forma ensaística).”.

    Mas desconfio muito das pós-graduções que têm 15 professores e apenas 2 que não são formados pela própria universidade., apesar de que já tive aula com um deles e foi ótimo.

    Bjs

  9. cris s Says:

    Raquel,
    Se a universidade é boa, os professores *devem* ser bons. A proposta do curso é bem interessante e contemporânea. Mas é claro que vc tem q analisar os benefícios que ele pode trazer p/ vc.

    Gostei dos 2 primeiros títulos e não acho que o ‘to edit or not to edit’ seja pouco acadêmico. Eu gosto de títulos criativos e que chamem a atenção. O problema é que esse título não contempla bem a questão da história das edições.

    Então vc gostou de ‘Venus’? Que legal! Vou ver e depois te conto. Menina, fiquei c/ uma peninha de ver a carinha do Peter O’Toole qdo ele viu q não ganhou…. Ele, como bom britânico, tentou disfarçar… mas os olhos o traíram. Pecado!

    E eu já vi a Vanessa Redgrave no teatro, tbém. Na 6a fila!! A platéia aplaudiu qdo ela entrou em cena, majestosa. E vi a Charlotte Rampling, linda. Lindérrima. Na saída do teatro estava ela, esperando o taxi. Eu, tímida, não pedi autógrafo. Burra!
    bjs

  10. Raqu3l Says:

    Vênus é bom sim. Não é brilhante, mas vale e muito pelos atores, que são fantásticos. O Peter O’Toole está fabuloso e também fiquei com pena dele no Oscar. Você sabia que há uns dois anos ele recusou um Oscar honorário porque disse que ainda ia ganhar um “de verdade”, com um bom papel e uma boa atuação?
    Você vai gostar, tem muitas referências teatrais. 🙂 Tem também uma coisa que incomoda, que é a relação do personagem do Peter O’Toole com a adolescente sobrinha do amigo, não sei se é creepy pura e simplesmente ou se vem muito do fato que, em geral, estamos condicionados a não conjugar sexo (ou desejo sexual) com velhice.

    Quanto ao curso, sim a universidade é boa, a PUC daqui e acho que você tem razão. Mas pensei e não me inscrevi. Prefiro fazer uns cursos livres, algo sem tanto comprometimento, e descobrir o foco. Interesses demais dá nisso.

    Bjs bjs

  11. cris s Says:

    Raquel,
    Não consegui ver Vênus no fim de semana. Fui ver Song and Lyrics e achei + ou -. Mto água c/ açucar para mim. Mas meu marido, que é mais romântico que eu e gosta de happy endings, achou bonzinho.
    A PUC daí é muito boa. Pena, mas vc tem que procurar fazer o q acha melhor p/ vc/a tua carreira no momento.
    Bjkas e boa semana,
    Cris


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: