Archive for Fevereiro, 2007

Matisse no more.

Fevereiro 18, 2007

O Matisse que me perdoe, mas nem a minha paixão por sua pintura me permitiu que eu deixasse aquele header aqui no meu blog.

Fica, por enquanto, o original mesmo. Se a foto fosse minha, teria lugar garantido durante um bom tempo. Ela tem uma temática urbana que me agrada, mostra uma rua com vários cafés, algo bem apropriado para um blog. É uma frustração não poder dar a feição que você quer para o blog. Não que ele tenha que ter uma identidade visual definitiva. Nada disso, mudanças são benvindas. Aliás, se há alguma “identidade” neste blog, por favor me avisem. Porque eu não a encontro.

Qualquer dia apareço com um header elegante e discreto, que não canse o olhar.   

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O carnaval e o corpo feminino.

Fevereiro 17, 2007

Enquanto escrevo, as mulheres que desfilarão daqui algumas horas no sambódromo do Rio de Janeiro estão preparando os seus corpos, as grandes estrelas da noite. Após meses de malhação diária, massagens estéticas, aulas de samba, ensaios e provas das minúsculas fantasias. As celebridades orgulham-se em divulgar dietas e descrever os tratamentos corporais aos quais se sacrificaram. Os corpos agora estão sendo despidos, depilados. Óleos e purpurina são cuidadosamente aplicados para que brilhem mais e atraiam mais olhares. As mulheres descrevem tudo extasiadas.  Mais tarde, na passarela, a brasileira se mostrará sensual, bonita, dócil e fácil. Os corpos lindos au naturel balançando de um lado para o outro, convidando sensualmente.  

Tudo muito “natural”.

O baterista ensaia um passo e se ajoelha aos pés da linda modelo. A reverência ao corpo. Ela samba a ensaida coreografia em cima de seus saltos imensos e sorri. Canta o samba enredo inocentemente.

A mulher, no carnaval do Rio de Janeiro, contribuí imensamente para essa culto ao corpo brutal que temos no Brasil. Alimenta, também, a objetificação do corpo feminino que não apenas presenciamos na propaganda, mas também no próprio corportamento da sociedade. Afinal, no carnaval, ela mostra que seus atrativos não passam de coxas, peitos e bundas. Não é de se espantar que o mundo pare para olhar — curiosamente — para esse fenômeno.

The festival of Carnival with its spectacular street parades and vibrant music, has become one of the most potent images of Brazil” [O carnaval com os seus desfiles de rua espetaculares e a sua música vibrante, se tornou uma das imagens mais potentes do Brasil.], afirma a Enciclopédia Encarta aqui. É verdade, o carnaval é uma das imagens mais fortes que vendemos mundo afora. A Enciclopédia Encarta foi discreta, no entanto, e não mencionou a imagem-estrela do nosso carnaval: o corpo feminino.

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“Meme” de atitudes eco-conscientes.

Fevereiro 16, 2007

“Meme” das atitudes eco-conscientes

A Regina me convidou para participar da “meme” das atitudes eco-conscientes, criada pela Lúcia Malla, Denise e Allan, do excelente blog coletivo Faça a Sua Parte. Devo descrever algumas atitudes que sejam “eco-conscientes” . Receio estar muito longe de ser um modelo e confesso que tenho sentido que deveria contribuir muito mais do pouquíssimo que faço, porque, como sabemos, a situação está crítica. De qualquer forma, vamos lá:

  1. Transporte. Temos apenas um carro que usamos muito pouco. Nosso carro é pequeno e bem econômico. Ainda que eu tenha muito medo da violência, minha filha de 16 anos usa transporte coletivo com muito mais freqüência que suas amigas. O resultado é que não poluímos tanto o ar com dióxido de carbono, um dos principais contribuidores para o aquecimento global.
  2. Lixo. Há anos separamos tudo que é de plástico e de vidro para o “Lixo que não é lixo”, parte de um programa de reciclagem bem sucedido da minha cidade.
  3. Alimentação. Em casa, sempre comemos frutas e verduras orgânicas. Quem me conhece, me acha bem “natureba” com relação a alimentação. Nunca permiti que as meninas tomassem refrigerantes e só bebemos água ou suco natural. Quando eu tinha mais tempo, fazia broa integral, ricota e iogurte. Além de incentivar hábitos alimentares saudáveis, eu não usava tantas embalagens plásticas. Meu marido acabou se rendendo e, hoje em dia, come menos carne e adora saladas. Fazemos saladas com nozes, frutas e queijos, que ficam muito gostosas. Na medida do possível, reaproveitamos os alimentos que não consumimos na refeição anterior. Fora isso, planto temperos e couve. Temos também um limoeiro que rende limonadas bem fresquinhos no verão.
  4. Flores. Adoro ter flores na minha casa e, ao invés de comprá-las de grandes produtores que usam agrotóxicos, eu aproveito as minhas. E cultivo o meu jardim. 
  5. Ética. Sou professora de literatura. Nas minhas aulas e pesquisas tenho uma postura política, ou seja, sempre levanto questionamentos ideológicos sobre os textos que analiso. A ecocrítica é um exemplo de como podemos repensar o texto literário a partir do meio ambiente.  Pode parecer ínfimo mas requer que o aluno (e que o professor!) assuma uma postura crítica sobre o assunto. Acredito firmemente que uma mudança de comportamento se efetua a partir de uma reflexão ética. Esse é um dos conceitos principais que Al Gore advoga em  Uma verdade invonveniente.  Uma pequena contribuição minha pode ser lida nesse post aqui. É o post que recebe mais visitas no meu blog e fico muito feliz por isto.

Os meus pecados ecológicos são muitos e alguns são terríveis. Por exemplo, tenho usado muiiiito papel para imprimir os capítulos da minha tese que estão sendo freqüentemente revisados por mim e pela minha orientadora. Não consigo revisar textos longos no computador. Já tentei e não adianta.

Outro problema é o nosso excessivo consumo de eletricidade, apesar de usarmos lâmpadas econômicas e de não termos ar condicionado. Pelo menos dois computadores ficam ligados 24 horas por dia e a nossa conta é bem alta.

Agora convido a Edelize , a Laura e a Raquel para participar.

Atualização: O blogue “Faça a sua Parte” mantém uma lista atualizada com os links de todos que estão participando. Clique aqui para ver.

Helen Mirren: uma verdadeira rainha.

Fevereiro 13, 2007

Helen Mirren dá um show de interpretação em A Rainha. Eu, que sou uma crítica assumida, por natureza, pela posição dos astros e por força da profissão, assino em baixo: ela está espetacular no filme. Não é fácil estabelecer uma relação de intimidade tão grande entre o espectador e uma rainha distante, fria e, para muitos, antipática. A performance de Mirren nos transporta para os aposentos pessoais da rainha e nos leva a vivenciar os conflitos de uma monarca dividida entre o dever público e o dever privado (tema também abordado em Elizabeth I).  Somente uma performance tão apurada quanto delicada, pautada no gesto, no olhar e no silêncio poderia alcançar vôo tão alto. Helen Mirren, que no mesmo ano havia encenado Elisabete I, uma rainha infinitamente mais interessante e importante para a história da monarquia inglesa que a Elisabete II, é uma atriz com “A” maíusculo, e sabe muito bem, que encenar não é algo para novatos, tampouco para aqueles que se apóiam na infâme e frágil “intuição”. Como muitos de seus colegas britânicos, tais como Vanessa Redgrave e Judi Dench, Mirren faz parte de uma sólida tradição de atores que passam anos a fio estudando a história da dramaturgia, a estética do gesto, a técnica da voz, a articulação das palavras (até mesmo, para não articulá-las bem, se assim o papel exigir). Atores como Mirren, aprenderam a interpretar todos os tipos de papéis: dos mais clássicos até os mais, na falta de palavra melhor, mundanos. E mostram como a arte da encenação é, como todas as artes, algo laborioso. Que tem muito mais a ver com a transpiração (leia-se trabalho árduo) do que com a inspiração.

O que importa a realeza inglesa nestas alturas? Pouco ou nada. O espectador não precisa ser inglês, nem ter interesse ou conhecimento prévio para entender que ele está diante de uma verdadeira rainha.

[Aplausos]

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This is for you, Karina.

Fevereiro 12, 2007

Amanhã volto ao trabalho. Para ser franca, não me sinto muito feliz e nem muito animada. E é por isso que quero lembrar da Karina.

Karina foi minha aluna da graduação, desde o início do curso até o último ano. Uma menina bonita, quieta, tímida e muito inteligente. Eu era um pouco temida por esta turma, em específico. Eles me consideravam muito exigente e por vezes tivemos alguns conflitos. Alguns alunos, alegando que eu pedia muita leitura e que as notas estavam muito baixas, mudaram logo de turma. Foi uma turma bem difícil e, apesar de já ter tido bastante experiência na sala de aula, confesso que fiquei preocupada e comecei a questionar se o problema não estava comigo.  Nunca irei saber ao certo, esta é a verdade. Mas no último ano, nós tivemos que nos enfrentar novamente: a temida turma e a temida professora. Eles prontos para o ataque. Eu pronta para a defesa.  E eis que acontece o inesperado — por algum motivo, ambos nos desarmamos. Acho que deve ter sido a literatura: trocamos nossas desavenças pelo universo fascinante da ficção.  

Ao longo dos quatro anos, a Karina sempre ficou. As amigas próximas foram para a outra turma. Ela, entusiasmada pelas minhas aulas, participava até das disciplinas opcionais que eu ministrava.  Me seguia onde eu fosse. Num dado dezembro, antes das aulas acabarem, ela deixou a timidez de lado, chegou para mim com um sorriso, e falou: “Cris, I want to be just like you when I grow up”. Ela não imagina o bem que essas palavras me fizeram naquele momento…

Os alunos se formaram e a Karina ganhou um prêmio da universidade, por ter sido a melhor aluna do curso. Todos seguiram com suas vidas. Cerca de um ano depois, durante uma aula minha, aparece a Karina, assim, do nada. Bate na porta e me chama. Interrompo minha aula e, um pouco apressada, vou falar com ela. Ela me dá um pacotinho e um cartão: “open it when you get home, please”. Eu a abracei, feliz por revê-la, disse “Thanks a lot, Karina. I’d better get back to work”. Cheguei em casa e abri o presente, era uma miniatura a óleo: um lírio. O cartão: “Dear Cris, thank you so much for everything. I will never forget you. All the best for you. Sincerely, Karina”  Fiquei super feliz, guardei o cartão e coloquei o quadro em cima da minha mesa de trabalho, onde ainda está.   

Dois meses depois, recebi a notícia que a Karina havia falecido, de um aneurisma cerebral . Deixou duas filhas, uma ainda bebê. 

Agradeço por ter tido a oportunidade de ter tido a Karina como aluna. Por ela nunca ter desistido de mim quando a maioria havia. Pelo contrário, ela sempre estava lá, silenciosa, atenta, e com o brilho nos olhos, típico dos alunos inteligentes e interessados. Hoje vejo que ela foi um porto seguro, um conforto, e me trazia um pouco de segurança, num momento de insegurança. Imaginar que eu possa ter ensinado algo para uma pessoa como a Karina é uma motivação para mim. E é com a Karina em mente que eu quero retornar ao trabalho amanhã.  

O lírio, segundo O Dicionário de Símbolos de Chevallier e Gherbrant, é relacionado “com a árvore da vida plantada no Paraíso (…). É ele que que restitui a vida pura, promessa de imortalidade e salvação”. 

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Cansaço.

Fevereiro 9, 2007

“(in)Verdades” 

O blogger é um fingidor:

Finge a graça,

Para não narrar a desgraça.

“Gramática”

Homem grande, grande Homem,

Enquanto não acabares com o adjetivo,

O sujeito acabará com o resto.

“Morada” 

Terra vasta, vasta terra

Fosses tu menos vasta,

menos bela,

serias ainda a minha terra.

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Pura verdade…

Fevereiro 8, 2007

Pois é, fico escrevendo nesse blog, passando receitas, elogiando as minhas lavandas, lendo os quadrinhos do PhDcomics… A rainha da procrastinação. Bem feito para mim! Só quero ver a cara da minha (des)orientadora daqui um pouco…

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Camarão à baiana.

Fevereiro 7, 2007

A linha feminina é carimá

Moqueca, petitinga, caruru,

Mingau de puba, vinho de caju,

Pisado num pilão de piraiá

 (Gregório de Matos)

É agora que eu fico com fama de dona de casa, mesmo. Nada contra, mas acho que o pessoal aqui de casa discordaria veementemente! 🙂

Enfim, resolvi postar a receita que dei para a Denise ontem e que ela gostou. É uma receita super fácil de fazer e de sucesso garantido, logo deve ser partilhada. Uma dica: nunca deixe o camarão cozinhar mais do que 10 minutos, ele fica duro. Outra coisa, muitas vezes eu engrosso o molho com um pouco de maizena para ele não ficar ensopado. Se sobrar, ótimo: o camarão à baiana fica ainda mais gostoso no dia seguinte.

Ingredientes:

– 1 cebola média ralada

– uns raminhos de cilantro (coriander) ou salsinha. O cilantro fica muito melhor e é típico da culinária baiana (é também muito usado na culinária asiática).
– 2 ou 3 colheres (sopa) de óleo de canôla (ou similar)
– 3 dentes de alho amassados
– + – 1 quilo de tomates maduros (5 ou 6) sem pele e sem semente picado ou, se preferir, batido no liquidificador

– 1 quilo de camarão médio limpo temperado com sal, pimenta do reino e o suco de 1 a 2 limões (deixe marinando por, pelo menos, 1/2 hora).
– 1/2 colher (sopa) de pimenta dedo-de-moça sem a semente
– 1 vidro pequeno (ou uma xícara de chá) de leite de coco
– sal a gosto 
 

Modo de Preparo

Faça um refogado com a cebola e o alho (frite por 3 minutos + ou -). Junte o tomate, tempere com sal e cozinhe em fogo baixo por 20 minutos, ou até obter um molho denso. Se os tomates não estiverem maduros, adicione 2 colheres de sopa de extrato de tomate e uma pitadinha de açucar p/ amenizar a acidez. Junte os raminhos de coentro ou salsinha. Junte o camarão e a pimenta, com o suco que ele estava marinando. Deixe no fogo até que o camarão esteja cozido e o molho bem denso (cerca de 10 minutos). Adicione o leite de coco, deixe ferver por mais 1 ou 2 minutos no fogo baixo (não deixe o leite de coco talhar!). Se for preciso, engrosse o molho com pouca maizena, mas seja rápida(o) pois o camarão não deve cozinhar muito, lembra? Sirva em seguida.

Sugestão de acompanhamento: Arroz simples e uma salada de folhas verdes com manga cortada em cubinhos e lascas de queijo parmesão (c/ molho simples de azeite de oliva e vinagre balsâmico)

 

Para quem quiser fazer uma onda para os convidados, sirva o camarão à baiana individualmente dentro de abacaxis não muito grandes (óbvio!), que funcionarão como pratos fundos. Você tira o miolo e parte do abacaxi, apara as metades de abacaxi nos pratos para que eles não virem e serve! O camarão à baiana combina com o abacaxi e todo mundo vai gostar (eu já fiz algumas vezes, acho que é minha invenção, porque nunca li em nenhum livro!).

Bon appétit! Axé!

Leitura: E para mostrar que eu levo a coisa a sério (somente quando quero, óbvio!), mostro o meu livrinho básico de culinária baiana, que, convenhamos, é uma ma-ra-vi-lha.

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Referência do livro: SENAC. DN. A culinária baiana no restaurante do SENAC Pelourinho. 2 ed. rev. atual. / Marcos da V. Pereira (Coord.). Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1999. Edição bilíngue.

E a vida continua…

Fevereiro 7, 2007

Eu adoraria continuar a falar sobre flores, mas não se preocupe, a vida continua e tem mais para contar. Minha semana está cheia de reuniões e a temida volta às aulas começa na próxima segunda, às 7:30 da manhã, um horário que deveria ser interditado para qualquer atividade humana… Fora isso tem a cruzada da minha tese, que TEM que se intensificar.

Enfim, para levantar o ânimo, vou lembrar que escrevi dois parágrafos “bons” hoje de manhã. Motivo para celebrar, segundo os infalíveis quadrinhos do phdcomics!

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P.S. Achei por bem explicar (é, já estou nesta fase!), que muita coisa que eu escrevo é deletada, na maioria das vezes, sem nenhuma compaixão. O processo da escrita e de revisão é uma tarefa muiiito chata, parece que não acaba nunca…

All things lavender.

Fevereiro 6, 2007

Resolvi mostrar as minhas coisinhas de lavanda, mas tenho que admitir que o meu estoque anda modesto no momento.

  1. O Aquorum de lavanda é uma água de lavanda muito suave e totalmente natural, que deve ser vaporizada direto na pele, inclusive de bebês.
  2. Essa fragância para ambiente pode ser usada também direto na roupa de cama e pessoal.
  3. Creme hidratante de lavanda. É da L’Occitane e achei que a relação custo-benefício não vale o meu dinheiro. Os produtos que eu comprava diretamente dos produtores, nas fazendas de lavanda, eram bem melhores.
  4. E o campeão: o maravilhoso óleo essencial de lavanda, puríssimo. Uma gota faz milagres.

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Normalmente, além dos produtos acima, eu tenho chá, sabonete e uma eau de toilette de lavanda. Na Califórnia, dá para encontrar produtos ótimos em feiras ao ar livre. Mas os países onde eu encontrei os melhores produtos foram a Argentina (principalmente na Patagônia), Inglaterra e França (na região de Provence). Quanto mais rústico, melhor.

E vale lembrar, a lavanda é uma planta generosa:  tolera esquecimento, negligência. Não gosta de frescura.  Só não tolera falta de sol. Ou seja, é a planta ideal para iniciantes.

Leitura:

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McNAUGHTON, Virginia. Lavender. The Grower’s Guide. Woolbridge: Garden Art Press, 2000.