Archive for Março, 2007

Contato.

Março 13, 2007

Os textos do meu blog são de minha autoria e alguns fazem parte de pesquisas que estou desenvolvendo no momento, algumas, inclusive, já registradas.

Fico muito feliz em compartilhar minhas idéias e pesquisas com quem quer seja, mas se você quiser reproduzir, citar ou usar partes de algum texto, peço que me avise e entre em  contato comigo via email: crisbs@superig.com.br . Obrigada.

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A mulher e as imagens.

Março 8, 2007

A década de cinqüenta testemunha uma mudança radical na sociedade americana, especialmente se comparada às décadas precedentes. Enquanto os anos trinta e quarenta limitaram os americanos à frugalidade e ao racionamento, os anos cinqüenta iniciam um processo de consumismo sem precedentes. Os americanos possuíam 75% de todos os carros e eletrodomésticos que se fabricava no planeta. Em busca de uma ‘vida normal’, a sociedade esquece muito rapidamente dos horrores da Segunda Guerra Mundial e tenta aplacar o pavor da Guerra Fria se transportando para um futuro maravilhoso anunciado na televisão, nas revistas e na publicidade.            

É neste contexto histórico que nasce a imagem da mulher como consumidora e como objeto de consumo. Pois, como observa Luisa Passerini, a mulher desempenha uma função-chave para a cultura de massa, “quer como lugar de afirmação dos valores definidos como puramente femininos, entre os quais a individualidade, o bem-estar, o amor, a felicidade, quer como amplificador de imagens de mulheres sedutoras […]”.   

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A imagem é tudo. Vale mais que mil palavras. Aliás, vale muito mais que mil palavras. E a mulher é, sem dúvida nenhuma, ao mesmo tempo a protagonista e a vítima da indústria do olhar. Esta mulher-imagem-objeto irá influenciar a maneira como vemos, como nos vestimos, como pensamos, como nos comportamos. Somos, para usar uma palavra bem contemporânea, “domesticadas” pelas imagens.  E o corpo é o nosso santuário. Como diz Baudrillard:

“No universo da sociedade de consumo, há um objeto mais bonito, mais precioso, mais impressionante que qualquer outro – um objeto mais carregado de conotações do que o automóvel; este objeto é o corpo. A redescoberta do corpo depois da época do puritanismo sob o signo da liberação física e sexual; a onipresença do corpo – especialmente do corpo feminino – na propaganda, na moda na cultura de massa – os cultos higiênicos, dietéticos e terapêuticos que circundam o corpo, a obsessão com a juventude, com a elegância, com a feminilidade, com tratamentos, dietas e sacrifícios ligados a ele. O Mito do Prazer que envolve o corpo – tudo é evidência que hoje o corpo tornou-se um objeto sagrado. O corpo literalmente substituiu a alma na sua função ideológica.” 

Baudrillard tem toda razão: o corpo se tornou objeto último da obsessão narcisista, dos cuidados excessivos e de tratamentos cosméticos, muitas vezes, inescrupulosos. Nos dias de hoje, são estes os rituais de verdadeira adoração: os cultos religiosos dedicados ao “Corpo”, que o tornam “sacrossanto”.   

Os estudos de gênero se empenham, entre outros assuntos, em especular criticamente sobre os processos culturais pelos quais somos todos subjetivamente e ideologicamente ‘moldados’ por meio de nossas interações com as imagens, ícones, e discursos que circulam na nossa sociedade.

A preocupação das feministas, em específico, é totalmente justificada quando vemos o crescente número de garotas e mulheres com distúrbios alimentares. A anorexia se tornou praticamente um culto em alguns meios e, quando aceitamos a premissa que as imagens nos possuem mais do que nós possuímos a elas, essa realidade não surpreende nem um pouco. A indústria da moda glorifica o corpo magro, esquelético e faces pálidas, com aspecto doentio.            

No entanto, na medida em que nos tornamos conscientes que as imagens são “construções sociais”, podemos criar um espaço crítico que nos permite articular os sentidos que elas emitem. O impacto positivo que o feminismo tem provocado, já pode ser presenciado em centros de moda como Milão e Madri, aonde se proibiu o desfile de modelos excessivamente magras. Escolher, negar, aceitar ou resistir às imagens é prerrogativa de cada uma de nós. womens-day2.png Mas respeitar e valorizar o próprio corpo é, sem dúvida nenhuma, uma das experiências mais liberadoras para a mulher nos dias de hoje.    

Bibliografia: 

BAUDRILLARD, Jean. Tela Total. Mitos-ironias da era do virtual e da imagem.  

PASSERINI, Luisa. “Mulheres, consumo e cultura de massas” in: DUBY, Georges e PERROT, Michelle (orgs.) História das Mulheres. O Século XX. Porto: Edições Afrontamento, 1991. 

Esse post faz parte da blogagem coletiva para o Dia Internacional da Mulher, organizado pela Denise, do blog Síndrome de Estocolmo.

To blog or not to blog.

Março 6, 2007

Ando muito insatisfeita com o resultado do meu trabalho. Estou a um passo de terminar a redação da minha tese de doutorado e estou “travada”. Ocorre que sou uma pessoa um pouco dispersa e não preciso de muito estimulo para que minha cabeça de vento troque de interesses sem hesitar. Blogar me dá prazer, mas concluir algo que eu lutei a minha vida toda para realizar, me dará muito mais prazer. Os meses que eu mais escrevi e produzi para a minha tese foram meses onde eu me obriguei a ficar longe da internet. Criei uma disciplina rígida e a segui. Reduzi radicalmente até a visita aos meus blogs favoritos.

A minha história na blogosfera começou recentemente, há um ano, quando eu estava fazendo uma pesquisa sobre amamentação e encontrei o Síndrome de Estocolmo, da Denise. Desde então, virei freguesa de um blog que valoriza não somente a amamentação, mas todas as questões pertinentes à mulher. “A pracinha” da Denise é um espaço para discussões inteligentes e saudáveis, onde o respeito pelas diferenças é lei. Via Denise, conheci outros blogs e fiquei fascinada em adentrar num universo totalmente novo, de gente que pensa, critica, informa e se diverte. A partir de então, as possibilidades de conexão se abriram para mim e eu pude conhecer e me comunicar com pessoas que pensam de forma semelhante. Para citar apenas alguns nomes, a Regina, do blog Always-por-um-triz, se tornou, para mim, mais do que uma amiga virtual. Não somente pelo fato de termos nos encontrado, mas, principalmente, por termos descoberto interesses em comum e respeitado as nossas diferenças, com muita humanidade. O Always-por-um-triz é um blog tão multi-cultural quanto sua autora, que, com doses deliciosas de poesia e de ritmos ‘exóticos’, abre as portas de seu fascinante cantinho da Califórnia. A Leila do Stuck in Sac é outra amiga querida: dona de uma inteligência crítica e um olhar jornalístico apuradíssimo, seu blog sempre foi parada obrigatória para mim. Ao contrário do que alguns de seus afiados posts possam sugerir, a autora é um doce de pessoa.

Honestamente, eu nunca alimentei a idéia de que o público&privado fosse ser um blog popular. O meu único desejo era falar sobre o que me viesse na cabeça e trocar idéias. É verdade que eu queria que uma das tônicas aqui fosse a questão feminina. Porém, por força da profissão (e talvez dos astros, a Gi diria), eu sou muito analítica. Percebi, também, que não consigo escrever sobre tudo com facilidade, que pareço um pouco artificial quando escrevo sobre a minha vida ou sobre o meu cotidiano e, sobretudo, que o meu português está muito deficitário (eu escrevo e leio em inglês com uma freqüência muito maior). Neste sentido, o blog poderia servir como uma ferramenta eficaz pois me obrigaria a escrever e, talvez, a melhorar.

No entanto, agora o momento é outro. O momento é o da minha tese e já que, ao longo dos quase três meses eu não fui competente suficiente para conjugar as duas coisas, eu escolho “not to blog”.

Dia 8 de março é o Dia da Mulher e, como eu abraço a causa veementemente, acho adequado que o último post, antes da minha defesa, faça uma homenagem para esta data tão importante.  

Por fim, ainda não decidi o que vou fazer: se deleto de vez o público&privado (nem sei se é possível) ou deixo o coitado às moscas até a minha defesa. Vou refletir e depois deixo um recadinho aqui, para os meus cinco queridos leitores.

Um abraço grande,

Cris S.

 P.S. Terei saudades dos comentários sobre cinema, literatura e teatro da Raquel; das palavras sempre motivadoras da Edelize, minha conterrânea; dos papos astrológicos-byrísticos com a Gi; dos cafézinhos luso-brasileiros com o JN; da Lili; da Flávia; da Alline.

02-03-2007 (b)

Março 2, 2007

Aviso: Um post meio meloso, pelo qual, reivindico poderes e direitos irrestritos.

Meu marido me surpreendeu com um café da manhã super especial: rosas, guloseimas e um novo teddy bear.

annivers1.png

O destaque das comidinhas: uma das minhas tortas favoritas, de chocolate branco e amargo. O contraste de sabores dos dois chocolates é perfeito. O creme de chocolate estava fondant, como dizem os franceses, e a massa croquant.  De comer de joelhos.

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Foi o bastante para tornar o nosso dia memorável. Thanks Sweetheart. Let me say it loud and clear — publicly&privately — I love you too.

02-03-2007

Março 2, 2007

anniversary.png

Love is not love

 which alters it when alteration finds,

Or bends with the remover to remove.

Oh no! it is an ever-fixed mark

That looks on Tempests and is never shaken.

Happy Anniversary, Sweetie.

Primeiro de março.

Março 1, 2007

Gostaria de lembrar melhor, mas vinte e sete anos é muito tempo. Olhos verdes brilhantes, a pele alva, os cabelos cheios e morenos. Um homem alto, muito bonito e carismático. No furor da minha adolescência, nunca pensei que fosse perder o meu pai tão jovem, apesar de vê-lo lutar contra o câncer durante nove anos. Ele nunca viu as minhas filhas. Não conheceu o meu marido. Não participou dos ‘grandes’ momentos da minha vida… Fazendo um breve balanço, acho que ele teria, no geral, orgulho de mim. Mas orgulho não é um sentimento que eu mereço – sem pieguice. Verdadeiro orgulho é o que eu sinto por ele e sua história de vida. Falo sem reservas, porque quem o conheceu confirma: o meu pai inventou o conceito de self-made-man, desafiando o destino típico que era reservado a um menino pobre, filho de imigrantes. Fugiu de um pai tirano, emprestou dinheiro e, sozinho, foi atrás do sonho de ser médico. O histórico do meu pai, uma pessoa que dedicou todos os dias de sua vida à causa da saúde pública, é invejável. Abraçava causas humanitárias sem medo nem preguiça, e fez diferença para muita gente. Principalmente os destituídos. Era a felicidade e a vocação dele.  

Com o passar dos anos, as pessoas lembram cada vez menos dele. Mas ainda acontece, e, invariavelmente, as pessoas ficam felizes em partilhar alguma história e de me contar como ele era. Não quero nunca esquecer. Porque o que eu me lembro se mistura um pouco com as fotografias e eu já não sei decantar o que vem da foto do que ele realmente era para mim. As cartas que ele me deixou, no entanto, são registros preciosos. Elas me confortam e me dão força para continuar a viver