Archive for Abril, 2007

C’est fini!

Abril 30, 2007

Sempre tive pavor de primeiras palavras (vide meu primeiro post aqui) acho que é por isso que eu demorei três meses para escrever a minha introdução. Só que agora descubro que tenho pavor maior das últimas palavras. Que conclusão que se chega quando você escreve uma tese na área das Ciências Humanas? Como “provar” algo que escapa experiências, testes de laboratório? Não se prova nada, lógico. O ser humano é um “dark continent”, como diz Freud, e para quem conhece a citação já sabe que estou adaptando-a. Na realidade, ele fala que a mulher é um “dark continent”. E é mesmo. Taí a graça. Daí a minha implicância com as “últimas” palavras. No meu trabalho, que tem a ver com a representação, queria somente deixar as imagens falarem, elas são, logicamente, muito mais eloqüentes do eu poderia sonhar ser. Mas é isso: mais uma palavrinha e… c’est fini! Daqui uns dias eu tento voltar a viver uma vida decente: comer, dormir, pentear o cabelo, ver o sol e sentir o vento no rosto, cuidar das minhas flores, ter um café da manhã prolongado com a família nos fins de semana, jogar conversa fora com minhas filhas, essas coisas maravilhosas que fazem com que a gente se sinta vivo e feliz. 

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Chi: energia vital para você e para mim.

Abril 27, 2007

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O “Chi” /ki/ representa a energia do universo, que permeia todas as coisas. Ele está presente nos menores átomos e moléculas até os maiores planetas e estrelas. É a força vital e a fonte de existência de todas as coisas. Na China é conhecido como “Chi”; na ciência metafísica, “força vital”. Os yogis o chamam de “Prana” e os seguidores da “New Age” o conhecem como “energia cósmica”.  

Tire um minutinho para olhar para o “Chi”, respirar e expirar profundamente e sentir a felicidade de se estar VIVO!!

Bom fim de semana para quem passar por aqui e muito “Chi” para você e para mim.

“Eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge”

Abril 23, 2007

Hoje é Dia de São Jorge e eu estou me vestindo “com as roupas e as armas de Jorge.”

 SALVE JORGE

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu tambem sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos, e nao me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo, meu corpo nao alcançarão
Facas e espadas se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia,
Salve, Jorge! salve, Jorge!
Salve, Jorge! salve, Jorge!
Salve, Jorge! salve, Jorge!

(Caetano Veloso)
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Que São Jorge dê proteção e força para todos nós!

 Obrigada pela lembrança e pelo post, Denise. Ele veio no dia certo.

Self-portrait

Abril 18, 2007

“Ekphrastic portrait” 

Face unknown,

the page behind and between

eyes barely seen

(Forget the easy rhyme)

— now, a touching moan — 

I see, I see,

reads the (blind) woman.

Lustful glassy eyes,

 living a lie,

loving this long lasting line

of ludicrous al-liter-ation.

(What – ever)   

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The Librarian (Giuseppe Arcimboldo)

Evento: “Abril de Shakespeare II”

Abril 15, 2007

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Querendo ou não, nós pensamos um pouco como Shakespeare e muitas expressões e provérbios que falamos foram inventados por Shakespeare (mesmo em português). A sua influência no pensamento ocidental e na língua inglesa é inegável, e o fenômeno shakespeariano está mais vivo do que nunca, nos teatros em adaptações super criativas, nas intermináveis intertextualidades com a sua obra, na TV, nos festivais, nas versões fílmicas pops e “acadêmicas”, em congressos e em eventos democráticos como o “Abril de Shakespeare II”.

O “Abril de Shakespeare II” é para quem gosta de Shakespeare, para quem quer se familiarizar com Shakespeare, e para quem quer entender a sua importante presença na cultura contemporânea. Abaixo a programação, que contempla leituras bem ecléticas. Todos os palestrastantes são membros  do CESh (Centro de Estudos Shakespearianos), que é uma organização bem munida e estruturada (e, portanto, algo louvável no Brasil) e tem reconhecimento internacional.

O evento é aberto ao público e é grátis.

Programação quarta (25-04)

Abril 15, 2007

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Programação terça (24-04)

Abril 15, 2007

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Programação da segunda feira (23-04)

Abril 15, 2007

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Absolutamente imperdível: As palestras da Barbara Heliodora

Quickest, easiest chocolate mousse pie

Abril 10, 2007

Pessoal, segue a receita da “Quickest, easiest chocolate mousse pie”, a.k.a, “A torta que salvou a Páscoa da Cris”!! Nem preciso explicar que o “quickest” e “easiest” foram os superlativos que me seduziram para eu fazer a torta.

Eu vou copiar a receita em inglês porque sei que a Regina, a Leila e a Raquel não terão problemas e porque não tenho muito tempo. Ah, acho que a Edelize também vai gostar!! Mais tarde eu traduzo. Ah, a torta ficou ainda melhor no dia seguinte. Realmente, uma ótima descoberta!

Ingredientes:

One 9-ounce package chocolate wafers broken into large pieces

6 tablespoons (3/4 stick) unsalted butter, melted [eu só tinha salgada e foi assim mesmo, até gostei porque a crust fica um pouco doce demais para o meu gosto]

7 ounces bittersweet or semisweet chocolate, chopped [apesar de preferir o amargo, por causa do café, use o chocolate ao leite ou o semi-amargo]

1/2 cup strong brewed coffee [eu achei que era muito e coloquei um pouquinho menos, fiz bem]

1 1/4 cups heavy (whipping) cream [BR: creme de leite fresco]

1 teaspoon pure vanilla extract [imprescendível]

Pinch of salt [se vc usou a manteiga salgada, esqueça, óbvio]

[Eu adicionei 2 colheres de sopa de açucar, veja o porquê abaixo]

Butter a 9-inch springform pan (eu usei a forma para empadões tamanho pequeno). Pulse the chocolate wafers in a food processor until finely ground (foi no liquidificador mesmo). With the motor running, slowly add the butter, and process just until blended. Press the mixture onto the bottom and one third of the way up the sides of the prepared pan.

Melt the chocolate with the coffee in a heatproof bowl set over a saucepan of about 11/2 inches of nearly simmering water, whisking until smooth. Remove the bowl from the heat and let cool for 5 minutes.

Whip the cream, vanilla, and salt with an electric mixer on medium high speed in a large deep bowl just until the cream holds stiff peaks when the beaters are lifted. With a whisk or a rubber spatula, fold the chocolate mixture into the cream in 3 batches, just until well blended. Transfer the mousse to the pan and smooth the top with a rubber spatula.

Refrigerate, covered, until thoroughly chilled, at least 3 hours, or up to 1 day.

To serve remove the sides of the pan and cut into wedges.

[O que eu acrescentei e, acreditem, foi casamento perfeito com a o chocolate da mousse foram as framboesas (eu tenho um saco delas congeladas, são ótimas!). Eu fiz um ‘monte’ com as framboesas no meio e coloquei outras, de forma displicente, em torno. E depois coloquei algumas nozes moídas com a mão mesmo, mas lâminas de amêndoas ficariam bem melhor. Ah, outra coisa importante, eu adicionei 2 colheres de sopa rasas de açucar no recheio do creme + café + baunilha, depois de batido na batedeira. É que eu provei antes e percebi que precisava. Na próxima vez, vou diminuir a quantidade de manteiga para a massa, achei que ela ficou amanteigada demais (ou, que tal margarina?).]

 Olhem a observação que o livro acrescenta sobre a torta:

 “Adding coffee (or instant espresso powder) to a recipe can really boost the chocolate flavor; it both enhances and deepens its intensity, as you will see here. Perfect for a party, this pie couldn’t be easier to put together or more dramatic to present”

Fonte: LONGBOTHAM, Lori. Luscious Chocolate Desserts. San Francisco: Chronicle Books, 2004.

P.S. Meninas, façam e depois me falem se ficou boa. Não esqueçam das framboesas, vai ficar muito boa! 🙂 Enjoy!

Achei o livro na amazon.com com o mecanismo de busca “Search Inside”. As outras receitas são maravilhosas, mas mais trabalhosas e, no momento, ficam só na vontade. Segue a capa do livro que eu peguei da Amazon porque não tenho tempo de tirar fotos do meu.

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“Mãe, você sabe que data estamos?”

Abril 8, 2007

Há mais de 4 anos me sinto devedora com a minha família. Sempre tenho a mesma justificativa para não participar da vida de todos: preciso ler, pesquisar, escrever, re-escrever, trabalhar mais. Faltei muita coisa importante na vida das minhas filhas por conta de tudo isso, um tempo que nunca mais vamos recuperar. Eu não aconselho a ninguém trabalhar, escrever uma tese de doutorado e além disso ser mãe e esposa. Não é impossível mas é demais.

 Por outro lado, as minhas filhas ficaram mais autônomas e aprenderam a conviver com a situação. E eu fico muito feliz por elas me respeitarem e entenderem. O mesmo vale para o meu marido que sempre foi o meu maior incentivador e me ajudou muito com as meninas, indo em reuniões de pais, me substituindo quando podia.

Daqui uns dias tudo, TUDO estará chegando ao fim e eu juro que mal posso esperar. Vai ser difícil assimilar a nova situação de ser um ser “livre”, livre para ler o que quiser, ter tempo para voltar a correr ou ir à ginástica, cuidar da minha família com mais carinho. Ficar com uma cara de dever cumprido, de quem dormiu bem. Poder programar coisas diferentes para a minha vida. Tudo isso será muito benvindo!!     

Eu sou uma chocólatra assumida e por isso, sempre gostei mais da Páscoa do que do Natal.  Sempre gostei de fazer algo especial para as minhas filhas na Páscoa, fazia cestinhas com coelhinhos, ovos e bonbons coloridos. Deixava “pegadas” do coelhinho em diferentes lugares e, em alguns anos, inventava esconderijos, brincadeiras e jogos legais. Bem verdade que, ao longo de dezessete anos, tivemos algumas Páscoas menos festivas, quase sem ovos, menos coloridas, um tanto solitárias… mas, nem por isso, eu deixava a Páscoa passar em branco.  

Nessa Páscoa eu não comprei ovinhos para ninguém, estava tão absorta escrevendo que a minha filha mais velha , delicadamente, me perguntou se eu sabia que data estávamos. Já era tarde. Que ironia, eu que sempre fiz questão de honrar o coelhinho das minhas filhas, esse ano esqueci. Hoje de manhã, acordei antes de todo mundo e encontrei o ovo que o meu marido tinha comprado para mim… Ele não havia esquecido, é claro: ele nunca esquece. Saí voando e fui ao supermercado: só encontrei ovinhos quebrados… A culpa, minha companheira de quatro anos, bateu mais forte do que nunca. Quem quer ganhar ovos quebrados? Chegando em casa, a carinha da Maria Luiza.  

(…)

Me entoquei na cozinha para fazer essa torta de mousse chocolate com framboesas de sobremesa. Era o que eu podia fazer.

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Depois do almoço, a Maria Luiza me abraçou e disse que foi a melhor Páscoa da vida dela. É que ela ganhou dois ovos do namorado… 🙂 C’est la vie. 

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[Mas sabem que a torta estava deliciosa e eu a fiz em 1/2 hora (tá, aparece na foto, tava meio desmonorando, eu sei!). Ela não vai ao forno, só precisa ficar umas 2-3 hrs na geladeira. Se alguém se animar e quiser a receita, eu a publico aqui no blog.]

Espero que todos tenham passado uma Boa Páscoa.