Lost in “Lost”

Junho 21, 2007

Confesso, acabei sucumbindo, ainda que com um pé atrás: estou grudada na TV assistindo “Lost”.

Embora eu continue achando que “Six Feet Under” seja bem melhor, “Lost” é um seriado muito bem arquitetado. Obviamente não é nenhuma obra-prima, mas mantém a atenção em todos os momentos e consegue deixar o telespectador curioso para o próximo episódio. Ontem acabamos de assistir a primeira temporada e hoje começamos a segunda. 

Fico pensando no que reside o appeal de “Lost”. Além de interpretações bem convincentes, há a irresistível idéia de que o destino faz sentido, até mesmo quando um acidente de avião deixa um bando de sobreviventes que parecem ter sido pré-determinados, por uma ordem maior, a ficar na ilha para aprender mais sobre si próprios. Até agora deu para conhecer melhor alguns dos personagens e, por meio dos flashbacks, vemos que nenhum deles teve um passado, digamos, “light”. De uma maneira ou de outra, cada um está lá para dar conta de algo que fez no passado. Junto com a questão do destino, há outras paralelas que vão se complementando. A capacidade que o ser humano tem de aprender e se adaptar a situações jamais pensadas fica evidente desde o início. Os mais fracos vão logo perecendo e a lei darwiniana impera. Ao longo dos episódios, os personagens vão criando feições mais interessantes e as relações entre eles vão ficando mais complexas.  No final das contas, todos nós gostamos de escutar as mesmas histórias. Com pequenas variações.

lost.png

O mistério da ilha é obviamente parte do suspense e algumas coisas me soam bem forçadas, mas tudo bem. Vou tentar levar como um entretenimento leve e não ficar interpretando tudo (será que dá?). É verdade que eu sou super crítica e que é muito difícil não ser, com tanto trash movie por aí.  Aliás, hoje saiu a lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos do American Film Institute e o que salta aos olhos é a ausência de bons filmes na atualidade. Estamos, definitivamente, num período de estiagem no cinema. Incrível, com tantos recursos e possibilidades, pensaria-se que o cinema fosse se enriquecer. Mas em tempos de pobreza d’alma, podemos esperar o quê?

Por isso mesmo, enquanto não há nada fantástico no cinema, o melhor talvez seja se perder pelas trilhas tortuosas da ilha de “Lost” e dar crédito à criatividade dos diretores, que, pelo menos, são competentes o suficiente para manter o nível de suspense vivo. Pelo que eu leio por aí, parece que a trama ganha mais densidade. Então, ótimo. Já que eu não posso curtir a incomparável vitalidade do teatro inglês que eu tanto amo, tudo o que espero no momento são algumas horas de um seriado inócuo na TV.

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10 Respostas to “Lost in “Lost””

  1. Gi Says:

    Eu comecei a ver pela Globo mesmo, porque não tenho tv a cabo. Daí vi a segunda na França, pela internet e alguns episódios dublados em francês; ninguém merece.. ;-)) E até o terceiro da terceira temporada. Todo mundo que conheço tem medo de me contar “spoilers”, mas eu vivo pedindo porque pra mim não quebra muito a graça. Não ligo. Como não tenho a mínima paciência pra essas coisas de baixar séries, enfim, fico esperando um ano pra ver na programação da tv aberta..

    Eu era fã de Six Feet Under, sobretudo da abertura e da música. ;-))) Mas depois me desliguei, porque minha preferida , em termos de continuidade, é o “Jack Bauer”.. Vc vê que nem consigo dizer 24 horas, porque ele domina a série, afinal de contas é o protagonista e é um pedaço de homem! “Jesui”. hehe

    Cris, também sou crítica, mas pra série eu perdi completamente essa veia. Sento, assisto e pronto. E eu era daquele tipo que só novela, nada de série amerciana. Por causa do meu namorado, tudo mudou. Ultimamente, vejo Monk, CSI, Lei e Ordem, todas essas investigativas ou de hospital, onde role investigação. Adoro!

  2. Leila Says:

    Cris, o seu resumo esta’ perfeito. E tem que analisar sim, porque essa e’ que e’ a graca de Lost, ficar procurando o sentido escondido das cenas, descobrir a explicacao meses depois, ou entao continuar tentando adivinhar os proximos acontecimentos.

  3. Ana Lucia Says:

    Eu até me sinto incentivada a assistir, mas nao tem jeito teria que pegar na locadora os episodios, porque tentei assistir uma vez e nao entendi patavinas. Eu gosto de série velha e trash ha ha ha. Se eu contar uma que eu tava assistindo vocês ririam da minha cara, depois eu coloco no blog… mas gosto mesmo é de bobagens policiais e de preferência de coisas velhas, diga-se anos 80, 90. Beijocas.

  4. Edelize Says:

    Tentei assistir, mas não me prendeu a atenção. Gostei mais de Six Feet Under, mas não segui pois passava após a meia-noite (planos de pegar em DVD). Destes seriados, gostei muito de Os Sopranos.

    É verdade, o cinema atual anda meio fraquinho, e é por este motivo que ando (re-) assistindo muitos filmes antigos em DVD. Há muitas produções independentes de excelente qualidade, mas muitas vezes ficam um dia em cartaz.

    Beijos.

  5. cris s Says:

    Gi,
    Eu às vezes me acho crítica demais; mas não consigo deixar de ser e tem certas coisas que não assisto porque tenho livros legais para ler, outras coisas mais interessantes para fazer. Sinto que tô perdendo tempo. Quem é o Jack Bauer? O Jack do “Lost” é bem interessante também, não? Vai ver que é coisa do nome.

    Eu gostei bastante do Six Feet Under. Alguns episódios foram SUPER bons!! Eu acabei comprando a série toda.

    bjs

  6. cris s Says:

    Leila,
    E tudo vai, aos poucos, fazendo sentido… Agora confesso que estou um pouco perdida, já estamos no final da 2a temporada. Ah e eu realmente não entendi o porquê da morte da Shannon. Achei que foi uma perda grande p/ a trama, afinal, ela estava ‘crescendo’. É falta de justiça poética!!
    bjs

  7. cris s Says:

    Ana,
    Há uns trashs antológicos, que não dá para perder. Tô curiosa c/ a tua série. Eu gostava dos primeiros anos do E.R., o George Clooney como pediatra dedicado, tímido e meio perdido na vida era muito mais sedutor para a mulherada do que os filmes mais politizados que ele está fazendo.
    O “Lost” tem que ver desde o início, senão perde a graça. Nós alugamos. O meu marido está viciado, hehe!
    bjs

  8. cris s Says:

    Edelize,
    Aqui também passava em horários horríveis, por isso que eu comprei o “Six Feet Under” e não me arrependi. “Lost” vai prender a atenção, é bem feito, vc vai ver.
    Eu fico imaginando se vc anda assistindo bons filmes australianos. Eu também amei o “Lantanta”, já revi umas 3 vezes… Que filme bem feito.
    bjkas

  9. cris Says:

    oi, cris. de vez em quando eu venho aqui no seu cantinho pra poder me inspirar. assim como você, há pouco tempo atrás, também estou no meio de um doutorado, prestes a fazer a qualificação. minh área é estudos de linguagem. gostei muito daquele seu post sobre as dez razões para não se fazer um doutorado. você se importaria se eu o reproduzisse no meu blog com os devidos créditos? aquele texto me faz rir um pouco e relaxar é tudo o que eu estou precisando (e tudo o que não terei por um bom tempo…) bjs e parabéns pelo blog.

  10. cris s Says:

    Cris,
    Seja benvinda!
    Manda brasa, claro que pode reproduzir. Fico feliz em saber que o texto te faz rir!! É essa a idéia, relaxar um pouco porque muitas vezes a barra pesa, não?
    Boa sorte na qualificação. Vai dar tudo certo. Deu para mim! Adorei o teu comentário. Vou te fazer uma visitinha!
    bjs


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