Archive for Setembro, 2007

Constatações.

Setembro 30, 2007

Sábio desânimo que estava me mostrando para desacelerar. Há quase dois meses eu não paro de tossir e adotei a não tão sábia estratégia de ‘fingir que não é comigo’, até parar no médico e descobrir que eu estou com uma bronquio-pneumonia ‘básica’. Tô ainda super fraca e claro que sucumbi ao antibiótico de bom grado (dessa vez).

O público&privado anda feito a sua dona: meio jogado às moscas. A grande perplexidade é verificar que os números do sitemeter continuam a crescer. Já percebi que a dinâmica da blogosfera é altamente móvel, frágil e cambiante, o que significa que pessoas que comentavam e liam os teus posts, deixam de existir, sabe-se lá por que motivo. Talvez por não terem gostado de um post, de uma palavra escrita rapidamente e totalmente sem importância ou por qualquer outra razão fugás. Alías, fugacidade é um bom substantivo para muitas relações que aqui se criam e se perdem. Vejam, eu não estou reclamando, apenas constatando algo que percebi nos últimos meses. Algo que para mim é realmente um pouco estranho. Eu sou uma pessoa constante nas minhas relações do dia a dia: minhas amigas e amigos são os mesmas de muitos anos atrás. É claro que tenho em mente que estou me referindo a relações virtuais e que essas são muito mais frágeis. No entanto, se você me disser que não desenvolve nenhum sentimento de amizade via o seu blog, vou, de fato, pensar que você é uma pessoa fria. Eu conheci algumas pessoas aqui por quem eu realmente me interessei e isso não é nenhuma irrealidade.

Mais c’est la vie, ou melhor dizendo, c’est la blogosphère. E eu vou tentar manter esse cantinho nem que seja só por mim. Considero-o um registro válido, meio que um diário de bordo, ainda que ele não tenha as características próprias de um diário. O autor de um diário, a rigor, sente-se livre para escrever suas intimidades, seus pensamentos, seus medos, suas reais emoções. Aqui eu escrevo apenas o que eu quero e não me sinto obrigada a abolutamente nada, o que me faz muito bem. Adoro publicar as fotos das minhas flores aqui, mas, até agora, é isso. E se alguém pensar que eu apenas penso em flores, ou que sou o que falo aqui, ipsis literis, ó meus sais, então aconselho que leiam um pouco mais para aprender a coisa mais básica de qualquer escrita: a voz narrativa não é “exatamente” a voz do autor em carne e osso.

E prá não perder o costume, uma singela flor de jasmim para iniciarmos uma boa semana: 

jasmim.png

 

Tanto pra fazer…

Setembro 23, 2007

e o desânimo se alojou por aqui. Duas pilhas indecentes de trabalhos e provas para corrigir, um artigo para escrever, uma palestra para dar na sexta. Fora as aulas, que, este semestre, estão sugando tudo de mim. A palestra da sexta é sobre o assunto da minha tese, e confesso aqui que eu não tenho o mínimo interesse no que eu escrevi. É como se eu tivesse ‘purgado’ o assunto e agora ele ficou obsoleto, para não dizer chato. Tenho uma chance concreta de publicar a tese, mas só ontem é que eu tive que dar uma olhada nela para me preparar para a palestra. Sei lá…

O negócio é mudar de assunto e  mostrar uns presentinhos que o meu marido trouxe da Califórnia.

Da esquerda para a direita: 1. extrato natural de baunilha; 2. chá branco; 3. trufas; 4. extrato natural de amêndoas; 5. vagens de baunilha; e 6. chá de flor (acho que é de jasmin).

Todo mundo aqui em casa tá perguntando o que eu vou preparar c/ as coisas. Sabe-se lá, por enquanto é só cházinho branco, que é ferver a água e despejar nas folhinhas. Bem adequado para o momento.

Um dos presentes mais legais não entrou na foto porque a foto foi tirada com ele: uma super lente. Já comecei a me aventurar pelo jardim e fotografei uma das minhas orquídeas com ela:

  

A lente é excelente e permite que eu tire fotos de detalhes próximos.

Bem, vamos ver o que consigo fazer na semana. Eu ia falar que sempre consigo dar conta de tudo, mas não é verdade. A maioria das vezes sim. Mas há momentos que eu simplesmente não consigo.

Atualização: Ontem consegui dar cabo das correções (nem eu acredito!). Além disso, pedi para que a palestra fosse adiada para a semana que vem e agora estou escrevendo o artigo. Vou tentar acabá-lo até o fim de semana.  Ah, e eu pedi pro “tar” do desânimo ver se eu tô na esquina e ele foi. ha ha. Que fique por lá.

Sobre a “temível durabilidade” do Orientalismo de Edward Said.

Setembro 12, 2007

Não é à toa que a noção do “Orientalismo” vem ocupando um lugar de destaque nas discussões da minha disciplina sobre alteridade no Mestrado.

Edward Said emprega  o termo “orientalismo” para se referir a uma construção discursiva que o Ocidente fez (e faz) sobre o Oriente. Na elaboração ocidental, o mundo fica reduzido a uma divisão arbitrária entre Ocidente x Oriente, num pensamento maniqueísta: o Ocidente é assim, o Oriente, assado. Acontece que o Ocidente, nesta visão eurocêntrica, é tudo que é de racional, normal e ‘civilizado’, enquanto que o Oriente é tudo que é diferente, excêntrico e bárbaro. O Orientalismo, segundo Said, pode ser mais facilmente perceptível a partir do século XIX, época na qual a carreira de ‘orientalistas’ se profissionalizou. Cambadas de estudiosos tais como antropólogos, historiadores, sociólogos e filólogos, que trabalhavam sob os auspícios do Império Britânico e francês dedicaram partes de suas vidas à fazer descrições e declarações  sobre o Oriente, numa empreitada que, ao invés de revelar aspectos “reais” sobre o Oriente, desnuda o estilo ocidental de dominação e colonização.

Nas décadas que sucedaram a publicação de Orientalismo (1978), Said se deu conta da importância política de seu estudo e a sua afirmação de que o Orientalismo teria uma “temível durabilidade” se tornou profética, a despeito das críticas que seu trabalho recebeu na academia, que, naturalmente, tem sempre que encontrar defeito em tudo.

Ontem eu li a notícia  da BBC Brasil sobre a manifestação do movimento europeu contra a islamização na Europa, denominado “Stop the Islamization in Europe”. O objetivo do movimento é “evitar que os islamismo se torne uma força política dominante na Europa”. A marcha de 200 militantes acabou sendo proibida e 50 pessoas (dentre as quais 2 deputados do Parlamento Europeu) foram detidas. 

Sobre a manifestação, Terry Davis, secretário de Direitos Humanos da União Européia, afirma: “Os organizadores do protesto dizem que os valores europeus estão sob ameaça. Sim, eles estão, mas o perigo não vem do Islã. Nossos valores comuns europeus estão sendo ameaçados por intolerantes e radicais, sejam islamistas ou islamofóbicos, que exploram medos e preconceitos a favor de seus próprios objetivos políticos”.

Essas notícias hediondas sempre têm o poder de me apalermar… Nunca vou me curar e ficar imune. Como pode o ser humano ser tão absurdamente intolerante? O ser humano não consegue aprender as lições mais básicas da história.    

Seria melhor para todos nós se Said tivesse errado.

orientalismo.png

Procura-se uma (study) playlist decente.

Setembro 5, 2007

Quando estou preparando as minhas aulas do mestrado, ou seja, quase todos os dias (os outros dias fico preparando as aulas da graduação) eu tento repetir o ritual relativamente bem-sucedido de quando estava concentrada escrevendo a minha tese. Trabalhar num lugar tranqüilo, claro, numa cadeira que seja anatomicamente comfortável, com um chá branco para despertar e um sonzinho maneiro que inspire o sempre árduo e solitário trabalho de escrever. Pois desde que eu defendi a minha tese, não tive tempo de atualizar as minhas playlists, algo extremamente importante para uma pessoa cujo modus operandis é semelhante ao meu: uma playlist adequada ajuda a concentração e o trabalho. Acontece que a playlist que eu tocava todos os santos dias, hora após hora, muitas vezes 14-16 horas por dia, nos últimos meses, me irrita, agora, pro-fun-da-men-te. Não sei como eu consegui escrever a minha tese com aquelas músiquinhas que me soam tão absurdamente chatas agora. São no melhor (ou pior?) estilo New Age / “oriental” / “africana” / instrumental. São músicas que trabalham com ritmos e melodias cíclicas e repetitivos; muitas com sons da natureza. Acho que elas promoviam uma certa hipnose em mim. O meu marido, uma das vítimas do meu surto musical, me contou que ele se questionava como eu podia agüentar as mesmas músicas e os ritmos da minha playlist e confessou que ele acabou por fazer as suas próprias playlists para combater a minha, numa espécie de manobra de sobrevivência. 🙂 No wonder. As minhas filhas também, obviamente.

Eu preciso encontrar umas novas (study) playlists urgentemente pois a música tem o poder de me sintonizar com o meu trabalho e faz com que eu esqueça dos barulhos do mundo lá fora. Eu moro num lugar muito tranqüilo, mas mesmo assim, o telefone toca, as meninas conversam (alto!), falam ao telefone, recebem amigos, escutam os sonzinhos delas, saem e voltam, etc. Todo o tempo penso na tese que Virginia Woolf defende em Um teto todo seu (A room of one’s own): a mulher precisa ter um “teto todo seu” e uma certa independência para poder escrever, uma verdade inescapável. Não há como desenvolver um trabalho sério acadêmico se você tem vários filhos, tem que dar conta das tarefas domésticas e, ainda por cima, tolerar um marido chato e machista, uma espécie sem previsão de extinção na nossa sociedade patriarcal, infelizmente. Além de eu contar com o serviço de uma faxineira, sou muito grata pela ajuda irrestrita do lado da minha família: todo mundo aqui ajuda. Quando eu posso, cozinho; quando não posso (o que significa a maior parte da semana), o meu marido cozinha ou uma das minhas filhas. Se não fosse por isso, nada daria certo.

music1.png

Mais la mùsique, qu’est-ce qu’elle me manque! 

 Com ou sem música, volto para as palavras do Edward Said. Ainda bem que ele é muito bom porque o dia está lindo e me convidando para uma bela caminhada.

Como fazer um watermark: um projeto em andamento.

Setembro 3, 2007

Faço esse post principalmente pensando nos comentários das queridas Ana Lúcia, Raquel e Regina, que querem aprender a fazer um watermark (marca d’água?).

Meninas, vejam, eu me aventurei sózinha e tenho certeza que há um jeito profissional muito melhor. Mas foi assim que eu consegui. Bem, antes de mais nada, estou assumindo que vocês possuam o software chamado “SnagIt”; caso contrário, não tenho a menor idéia se os passos abaixo funcionarão.

  1. Abra um documento no Word e escreva a sua ‘assinatura’ com a fonte e a cor de sua escolha. Se você quiser aquele “cezinho” ou “errezinho” para dar a idéia de “marca registrada”, clique em inserir –> símbolo e depois no dito cujo. Marque a assinatura com o mouse e formate a fonte para +- 26 (tem que ser grande porque quando você insere a watermark ela fica sempre mínima) 

  2. “Corte” (ou “snag”) a assinatura com o SnagIt e salve-a em alguma pasta de fácil acesso.
  3. Quando tiver selecionado a foto no “SnagIt”, clique no ícone da casinha (home) e depois no watermark. Vai aparecer um watermark bobo, próprio do SnagIt. Nesta mesma etapa, aparecerá o caminho para você abrir o documento do teu watermark. Vá até a pasta onde você o salvou, e clique nele. Voilà!

Ele provavelmente vai ficar mínimo e você terá que fazer alguns ajustes. Percebam que eu não encontrei a minha ‘assinatura ‘ ainda. Mas estou chegando lá. Desculpem pelos passos rudimentares, porém eu já li vários comentários da Raquel pedindo para que alguém a ajudasse e a Ana e a Regina falaram que também queriam. Então meninas, sorry, mas é o melhor que eu consegui sózinha. Tenho certeza que vocês acharão caminhos melhores. Depois voltem para contar.

Boa sorte! 

O post da Maria Luiza.

Setembro 3, 2007

Um momento muito caro para compartilhar com os meus cinco queridos leitores:  

Mãe, fiquei muito feliz que você escreveu um post em memória ao meu bolho, tadinho, morreu de frio, quem quer morrer de frio ? Que coisa horrível né, mas tudo bem, só era um peixinho : ( .
Vou sentir muitas saudades de você nessa semana tá ??
Eu sempre vou te ligar ! NÃO SE ESQUEÇA DE MIM!!!

Esquecer de você, filha? 🙂 Nem se você quisesse. Nunca. 

Ninguém imagina o quanto a minha filha é carinhosa, inteligente, espirituosa, amiga e companheira. Ninguém imagina o que nós duas já enfrentamos juntas e o quanto crescemos juntas. Eu mesma nunca imaginei que pudesse ser tão abençoada assim. É verdade que eu tinha uma certa suspeita nos meus anos mais românticos, mas a natureza da suspeita é mundos aparte da verdade absoluta que se estabeleceu assim que eu vi o rostinho dela pela primeira vez. Seria lugar-comum falar que por ela tudo sempre valeu e valerá a pena? Pois se é, viva os lugares-comuns e viva hoje e sempre a Maria Luiza. Linda como só ela sabe ser. 

maria-luiza3.png

Que você seja sempre alegre, inteligente, boa, justa, generosa e cheia de vida. Saiba que essa é uma combinação mágica que poucos possuem.