Archive for Abril, 2008

Eta Carinae versão 2

Abril 25, 2008

Ultimamente temos tido céus espetaculares aqui no hemisfério sul, algo um tanto raro em Curitiba. A foto é de Eta Carinae e foi tirada ontem pelo meu marido, com longas exposições e muita habilidade e técnica. Eu fico admirada não somente pela beleza de Eta Carinae, mas também pelo conhecimento, seriedade e dedicação que meu marido dedica ao seu “hobby”, a fotografia astronômica. O seu encantamento com as belezas e mistérios do céu certamente se traduz na perfeição de suas fotos.

Este post é para o meu querido amigo Aldo Gusmão, outro amante e exímio conhecedor de astronomia.

Anúncios

O céu que nos protege hoje à noite

Abril 24, 2008

Eta Carinae.

Foto do meu fotógrafo predileto, Bill Smith. Tirada aqui do nosso quintal.

Programação de quarta, dia 23.

Abril 15, 2008

 

 

Abril de Shakespeare

Abril 15, 2008

ABRIL DE SHAKESPEARE

Prestigiando o Abril de Shakespeare na sua terceira versão! 🙂

 

Por quê?

Abril 12, 2008

Por que há apenas mulheres inscritas em um curso que discute a mulher? Já notaram como a maioria dos homens detesta discutir a mulher? Como, no geral, homens ficam incomodados em falar sobre o patriarcado, sobre a violência e sobre a exploração da mulher? E por que diabos esse desconforto que vejo em várias mulheres, repito, em várias mulheres (inclusive nas universidades), em discutir a sua própria história e conhecer melhor o seu lugar no mundo? As resignadas e as que vivem em denial alegam que já conquistaram o que tinham que conquistar. Há também as eternas culpadas que afirmam que é por conta “dessas coisas” que a família está se desintegrando, que os divórcios só fazem crescer. Essa culpa perene é resquício do mito de Eva… Há uns quatro anos, em um Congresso de Estudos Literários, eu dei uma palestra sobre a sexualidade feminina na comédia hollywoodiana dos anos cinqüenta e a discussão das alunas descambou para a maternidade. Várias falaram que se sentiam culpadas por não poderem ser boas mães porque tinham que trabalhar. Para elas, que vantagens haviam em ter conseguido “toda essa liberdade”? Eu mal pude acreditar no que aconteceu — discutir a sexualidade aflorou uma culpa danada em algumas mulheres…

E eu digo ora bolas. Que venham conhecer a sua história. Que venham saber dos números da violência. Os estupros. As mortes. A discriminação. Vamos estudar as lacunas da mulher na literatura e nas artes. Vamos recuperar alguns textos e tentar entender os seus silêncios. É só assim que podemos entender o nosso lugar no mundo. E sermos mais completas.

 Woman With Arms Crossed (Picasso) Leia o resto deste artigo »

Flores e mulheres e mais

Abril 9, 2008

Repensando a mulher

Eu tenho estado muito ocupada e sobra pouco tempo para o blog, que está às moscas. Tudo está bem, eu continuo dando um duro incrível com as tarefas domésticas, porque afinal de contas, como toda boa (?) virginiana, sou a maior perfeccionista e gosto de tudo organizado. Às vezes consigo fazer que não vejo, mas a maior parte do tempo fico limpando tudo mesmo. Cada um é o que é, afinal.  Pelo menos tenho conseguido correr com uma certa regularidade e logo quero escrever sobre as minhas re-investidas na corrida, algo que está me dando muito prazer. Quanto ao jardim, o pobre coitado parece agradecer a folga proporcionada pelo outono, ainda que este esteja bem ameno, com dias azuis lindos e noites incrivelmente estreladas. De novidade mesmo no jardim, só a beleza e delicadeza das oncidiums, uma alegria para os olhos. As lavandas, nem vou falar porque me dá muita tristeza em dizer que eu ainda não resolvi o que vou fazer. Os canteiros nem sabem que são canteiros mais e logo logo terei que dar uma mexida (ouch!) por lá. Quem lê os meus posts recentes deve presumir que eu sou uma dona de casa bem dedicada. Pois eu tento, por pura necessidade e senso de responsabilidade. Mas também trabalho em duas universidades, escrevo artigos e publico, dou palestras, participo de congressos e afins, oriento alunos, corrijo provas, oriento dissertações, etc. Só que eu não tenho tido vontade de falar nas coisas do meu trabalho aqui. No entanto, eu queria contar uma coisa muito legal mesmo e que tem me deixado muito animada: é o curso que irei dar e que começa amanhã, o (Re)Pensando a Mulher. Eu trabalho com a questão da representação da mulher (principalmente na literatura e na iconografia) há muitos anos, mas sempre dentro da academia. Agora, em contrapartida, e, pela primeira vez na minha vida, vou estar em direto contato com a comunidade! É um curso ligado ao Programa de Inserção Social do Mestrado onde dou aulas. O (Re)Pensando é gratuíto e já tem várias inscritas. Sempre achei que a universidade tinha que prestar serviços para a comunidade; porém, pouquíssimo ou nada é feito nas nossas universidades. Os cursos que mais atendem as comunidades carentes são da área médica. Então amanhã vou ter a oportunidade de enfrentar uma nova e interessante empreitada. O desafiador, nestas alturas, é utilizar um vocabulário menos crítico, não usar teoria e muito menos ‘dar aulas’. O que eu quero é fazer atividades que levem a mulherada a refletir e discutir. O que eu quero é escutar e aprender com elas. O resto eu conto depois.

I hide myself within my flower,
That wearing on your breast,
You, unsuspecting, wear me too —
And angels know the rest.

I hide myself within my flower,
That, fading from your vase,
You, unsuspecting, feel for me
Almost a loneliness.

(Emily Dickinson)