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Gato por lebre na aula de literatura

Agosto 1, 2008

Outro dia entrei na aula segurando Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes), século XIX, enquanto deveria estar com A passage to India, século XX, nas mãos. Confusões como essa acontecem quando você tem 5 turmas de graduação diferentes, cada uma trabalhando séculos diferentes e principalmente duas culturas (a inglesa e a americana) diversas. Eu sempre dou conta de tudo (nem que seja aos trancos e barrancos) e separo o joio do trigo. O negócio é que, além da graduação, dou aulas no Mestrado e a carga de leitura que eu estipulei, diga-se de passagem, é barra pesada baby: são muitos textos literários e teóricos. Se eu não me organizar bem, nem eu consigo ficar atualizada na minha ementa. Tem ainda o (Re)Pensando a Mulher, o curso aberto para a comunidade que inicia a semana que vem. Ontem eu acabei o artigo que eu havia iniciado na segunda (!!), submeti, enviei um resumo-proposta para um Congresso de Teatro em BH em outubro, descobri que outro artigo meu foi aceito e será publicado em dezembro e também fui informada que a minha proposta de simpósio para outro congresso de Literatura também foi aceito. O que isto significa? Work, work, work. E mais: gastar o meu dinheiro com passagens e hotéis para conseguir uns pontinhos no meu Currículo Lattes para as minhas universidades. Ma-ra-vi-lha.

Mas voltando ao início, sem mais digredir, o que eu fiz no dia que eu me enganei de século e de romance? Como sempre, naturalmente, não me fiz de rogada e tracei um panorama da literatura inglesa no século XIX, usando O morro dos ventos uivantes como exemplo. Mapeei a ascenção do romance como gênero literário dominanate no século XIX e ilustrei como E. M. Foster em Uma passagem para a Índia, do aspecto formal, ao contrário de seus contemporâneos modernistas como V. Woolf e James Joyce, responde à tradição realista. Do aspecto temático, em contrapartida, o romance é revolucionário pois faz uma crítica aberta ao Império Britânico. Salvei a aula e a minha cara: sem falsas modéstias, foi uma ótima aula. Só que isso não pode acontecer mais porque, convenhamos, toda criatividade tem limite.

 

Agora me expliquem por que eu sempre tenho que escolher textos diferentes? Por que não dou os mesmos textinhos, como 99.9% dos professores que eu conheço? Este semestre eu me superei MESMO. Não preciso nem dizer que não terei muito tempo ou ânimo para o blog.  Mais, on verra, on verra.

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