Pense duas vezes

Setembro 28, 2008

Em retrospecto, eu confirmo tudo o que falei nos meus posts sobre fazer um doutorado. Aliás, é bom ressaltar que são posts irônicos. Os comentários que os posts receberam revelam que algumas pessoas simplesmente não captaram a ironia! Agora, sem ironia e com alguma quilometragem rodada, restituo a minha tese principal, a de que doutorados não são para todos. Só para dar uma idéia, no mês de setembro, tive que escrever dois artigos (um estou terminando – dedos cruzados – hoje), li uma dissertação e estou preparando a minha argüição para uma banca de Mestrado, tenho 5 pilhas de provas olhando para mim e me lembrando que tenho que corrigi-las todas esta semana. Tenho três livros para ler,  dois congressos para ir — o que envolve viajar de avião, gastar e depois ter que repor todas as aulas que eu não dei em horários hiper esdruxulos. E tenho que entregar outro (o terceiro) artigo daqui a 10 dias. Não tenho tempo para correr há uma semana, o que me deixa sem energia. Tem a minha família, tem a casa = roupas, comida e limpeza.  Estou cansada de responder “não posso” para as minhas filhas. O jardim? Imagina se sobra tempo para ele, pobre coitado, agora totalmente rendido às ervas daninhas.

Mas voltando à questão do doutorado, a balança ainda não pende para o positivo. Se considerar apenas o status do título e a possibilidade de ampliar para atividades de pesquisa, sim, foi excelente. Apareceram, rapidamente, oportunidades fantásticas. Mas todas implicam em muito mais trabalho, dedicação e tempo.  Não há um incremento significativo em termos de salário, aliás, tenho que trabalhar ainda muitos anos para pagar tudo o que investi nas minhas 3 viagens de pesquisa para a Inglaterra e pagar todos os livros que eu encomendei, em 5 anos, da Amazon… Sem falar no fato que eu é que custeio as minhas despesas de viagem e não as universidades onde eu traalho. Além do mais, e aqui vem o mais importante: a minha vida não  se resume ao lado profissional.  Só que, desde que eu ganhei o título de doutora, a minha vida parece ser isso.  O lado profissional. Yawn, yawn. Aliás, sabe o que se fala em inglês, né? All work and no fun, makes Jack a dull boy. Down with this dullness. Xô chatice, sou mais a vida. Então pense duas vezes.

23 Respostas to “Pense duas vezes”

  1. adriamaral Says:

    Cris, comigo é exatamente a mesma coisa! Não tem um dia em que eu nao questione pq estou fazendo tudo isso….

  2. Ana Says:

    Migas eu sou da turma que nao se questiona sobre essa escolha, nem qdo comecei a fazer o segundo, porque no meu caso era a unica alternativa … Eu nao sei quais sao as estatisticas pro Brasil, mas na universidade onde fiz meu doutorado, no começo dos anos 2000, o indice de quem terminava o doutorado era de 50 %, os outros 50 começavam e nunca terminavam…porque realmente é brabo, e tem coisas que obviamente continuam depois que o doutorado termina, pq qd termina na verdade recém começou. A questao é que é complicado medir o conhecimento pelo valor monetario, eu tenho certeza que alguém que fez uma formaçao pra ser médico, deve ter investido em termos de grana e de horas mal dormidas mais do que a gente nas humanas, pelo menos aqui as dividas que as pessoas têm sao astronômicas, entao é aquela coisa qdo a gente se compara a gente se consola. E tem mais Cris, eu tenho certeza que com o passar do tempo você vai ter mais tempo, mais convites, com tudo pago, mais pesquisa e menos aulas pra dar, você vai ver, entao vale o investimento sim, o retorno vai vir. Beijocas querida e força na peruca.

  3. cris s Says:

    Mesmo Adri? Vamos fundar um clube, já visualizo as pedras sendo atiradas! Mas a vida é bem mais interessante, você não acha? Bom começo de semana!

  4. cris s Says:

    Ana, querida, acho que nunca pensei seriamente sobre o que eu deveria fazer. Começou tudo assim, com convites, primeiro para dar aulas de inglês, depois com o convite de uma amiga para eu fazer o mestrado, já que “eu lia bastante”. Depois do mestrado eu já tinha meus trinta e tinha uma filha, tive que começar a pensar sério sobre a vida. Uma coisa levou a outra e quando vi já tava trabalhando na universidade. Eu gostei de ter um contrato e tal. O doutorado foi um passo adiante. E agora já tô véia pra mudar, amiga! Se pudesse, faria outra coisa, feito a minha filha, Eng. Ambiental, algo que dá grana certa. E acho que a literatura é algo ótimo, livros ótimo e tal, mas cansa essa coisa de ter que publicar sempre. Eu não sou daquelas que vivem pra isso e que ficam super orgulhosas de coisas publicadas. Tenho mais orgulho da minha alegria e de ficar com a minha família.
    Sinceramente Ana, não sei se a coisa irá melhorar. Aqui em Terra Brasilis, vale a pena ser prof. universitária se você trabalhar nas Federais. As privadas exploram. Mas pelo menos tem sempre emprego para gente como eu e a Adri. E teria muita coisa para você, caso você quisesse voltar. Mas você vai pros Esteites e vai ter muito sucesso e eu vou estar torcendo!
    bjs (logo escrevo aquele email!)

  5. Alexandra Says:

    É como meu marido sempre diz – a vida acadêmica não é uma profissão, é um modo de vida…

    É difícil, vc trabalha como uma condenada, mas eu realmente não me imagino fazendo outra coisa e nunca questionei a escolha mas tenho muitos amigos como vc. É natural, principalmente se foi uma coisa que meio que aconteceu. Mas concordo com a Ana, com o tempo as coisas vão ficando mais fáceis. Coragem!

  6. Alexandra Says:

    PS: mas não é pra todo mundo mesmo não…

  7. Gi Says:

    Cris, nem sei como é essa “vida de doutor” ou “doutorando”. ;-)) Já basta a arrogância da minha meia-irmã de quem não verei mais a palhaça; espero! E ter de aguentá-la repetindo isso várias vezes é o fim…😉 A muié endoidou. Em qualquer conversa ela “dá uma carteirada”. Outro papo.. Posso imaginar tudo, mas tendo a ver as coisas como a Ana e a Alexandra. Não sei se as condições são mais fáceis morando no exterior e se as pessoas são recompensadas mais rapidamente, enfim. Do meu canto, achei que “dava pra coisa”, mas hoje percebo que nunca tive estrutura emocional pra poder fazer esta opção; sempre fui bastante confusa e sempre estive envolvida em mil relacionamentos e minha vida sempre mudou demais, muitas crises. A pessoa que opta por isso precisa ter uma vida “certinha” e precisa ter “destinos certos” e reservas, sejam elas financeiras ou familiares. Apesar do lar que meu pai me proporcionou, nunca me vi investindo mais do que investi numa faculdade e sem ganhar nada de volta, apenas uma experiência “da ordem do subjetivo” e só. Estou feliz com isso e não confio no país onde vivo a ponto de sair investindo e não receber nada em troca como muitas vezes me aconteceu. Por isso, até hoje nem fiz uma prova de francês que gostaria de fazer. Assumo que prefiro gastar noutra coisa. Pretendo seguir sozinha e tentar outras formas de um dia conseguir uma certa “excelência”, através de títulos ou não. Existem outras formas. No caso, o que percebo no Brasil é um certo desespero em relação a concursos e vida acadêmica. As pessoas não sabem mais pra onde correr (acho que não é seu caso, né? Você me parece ser segura do que quer) e acabam se jogando nesses dois como se fossem opções e profissões que não demandassem uma certa segurança: é isso o que desejo? Mas a vida é assim mesmo e quando vemos, muitas vezes já estamos envolvidos em algo.

    Boa sorte!

  8. Gi Says:

    Ah, Cris, a minha meia-irmã (pra mim nem é irmã) é da área de exatas. Dá aula em duas faculdades (uma no Rio e noutro município), e faz pesquisas. Ganha muuuito bem (apesar de se queixar), é totalmente desequilibrada emocionalmente, se dedicou a vida inteira a isso (não foi por falta de amor do pai!) e hoje “é o que é” profissionalmente mas totalmente desajustada. Não quero dizer com isso que é o caso de muita gente e também não quero dizer que sou “o ajuste”, muito pelo contrário, mas procuro minha felicidade e não viver caçando gente. Claro, ainda tem o item-artrite. Mas enfim.. cada qual com seus problemas. Sorte pra ela. Exatas acho que é diferente.. e ela não dá aula em universidade privada.


  9. Cris, meu questionamento eh outro, porque eu sou a nao-academica que vive com um academico e muitas vezes me pergunto se tudo isso que vivemos vai valer a pena no futuro. Aqui nao existem fases, existe sim uma constancia, que eh ele sempre correndo pra la e pra cah, descabelado, horarios amalucados, trabalho constante, sabado, domingo, feriados, dia, noite. Viagens, compromissos, responsabilidades enormes, aulas, projetos, conferencias, papers. Nunca vai melhorar, porque conheço outros professores que ja estao nessa vida ha mais decadas e eh sempre a mesma historia. Eu tenho muita paciencia e dou todo o apoio, mas tem dias que fico pensando—SERA QUE VALE REALMENTE A PENA? Sei la, mil coisas. Tudo pelo bem da ciencia.🙂 Super beijo,

  10. mi Says:

    eu diria que é melhor pensar duas vezes entre ter vida acadêmica, não doutorado. ter doutorado são outros quinhentos. vc pode ter um trabalho “normal”graças ao título de doutor e não entrar na roda viva que é a vida acadêmica. (a propósito – tenho doutorado na área de biológicas e optei justamente por não entrar na vida acadêmica propriamente dita (dar aulas, escrever projetos), apesar de trabalhar em uma universidade)🙂

  11. cris s Says:

    Alexandra,

    Não foi algo que aconteceu contra a minha vontade, logicamente. Mas acho que eu nunca me dei conta do real envolvimento que eu teria que ter. Eu sou, de qualquer maneira, super questionadora com tudo. O que persiste nessa reflexão, para mim, é a sensação que eu deixo coisas muito importantes de lado, muitas vezes, por conta da minha vida profissional. E os louros não compensam. E se o salário pudesse compensar, teria que ser definitivamente maior.

    bjs

  12. cris s Says:

    Gi,

    Eu não sei se você tem que ter todo esse lado ‘certinho’ para ser doutora/trabalhar em uma universidade. Talvez eu não seja assim! Tem um lado bem legal que são as férias, haha. Desta perspectiva, a profissão é imbatível. Ah, e a maioria é meio arrogante, sim. Mas tenho amigas que são a simplicidade reinventada. Eu não penso que não tenha do que me gabar. Será que de trabalhar feito condenada? A Ana com certeza não é, também :-)E se a tua irmã ganha tão bem aqui, ela deve, com certeza dar aulas em alguma Federal. É claro que o salário aqui não é bom, fora do BR, em algumas universidades é muito melhor. E o financiamento para pesquisa também.

    beijocas

  13. cris s Says:

    Fer,

    Eu entendo o que você está falando –no momento, também estou na fase do descabelamento! Um horror. E realmente não melhora, se há mudança, geralmente é para pior, como o que está acontecendo comigo agora. Muita responsabilidade e uma pressão brutal.Às vezes fico surpresa em ver como saio ilesa de tudo isso. Mas pelo jeito o teu marido tem mais responsabilidades e é mais ocupado ainda e aí a barra pesa muito.

    Sei lá, se você quer saber, eu acho que não vale a pena tanto trabalho. O máximo que você recebe a mais é reconhecimento na área.

    beijos

  14. cris s Says:

    Oi Mi,

    Vez por outra eu leio o teu mulherzinha, que é uma delícia! Seja benvinda.

    Mas no meu caso, o doutorado quer dizer vida acadêmica, sim. Quem acaba fazendo um doutorado na área de estudos literários só pode acabar trabalhando (ou querendo trabalhar) em uma universidade. Não há nada mais para você fazer. A grandíssima maioria de escritores, por exemplo, não possuem doutorados, ainda que alguns tenham recebido doutorados honorários. Há os que ensinam creative writing e esses geralmente iniciaram suas carreiras em grandes universidades. Em outras áreas, as coisas com certeza podem funcionar de maneiras diversas, mas na área de humanas é assim, com raras exceções.

    bjs

  15. cris s Says:

    Gi,

    Eu não sei se você tem que ter todo esse lado ‘certinho’ para ser doutora/trabalhar em uma universidade. Talvez eu não seja assim! Tem um lado bem legal que são as férias, haha. Desta perspectiva, a profissão é imbatível. Ah, e a maioria é meio arrogante sim. Mas tenho amigas que são a simplicidade reinventada. Eu não penso que não sou porque me gabar do que, de trabalhar feito condenada? A Ana com certeza não é, também :-)E se a tua irmã ganha tão bem aqui, ela deve, com certeza dar aulas em alguma Federal. É claro que o salário aqui não é bom, em alguns países fora do BR, é muito melhor.

    beijocas

  16. adriamaral Says:

    É que a Mi é da área de biológicas dai é diferente, pesquisa em lab e tal. Agora na humanas e sociais é mais complicado

  17. mi Says:

    mas com degree em humanas e socias não dá pra trabalhar em coisas tipo política, secretaria de cultura, etc? curadora de museu, imagina q máximo??? ou até agências de publicidade? de qquer forma, entendo q universidade seja a rota mais direta mesmo. pelo menos tem aquelas coisas de universida q em outros lugares não tem: flexibilidade de horário, status de scholar, férias como falaste…

    ah gostei muito dos posts, voltarei no teu blog🙂

  18. adriamaral Says:

    Olha no Brasil é meio complicado Mi, tu sabes bem, mas aos poucos algumas coisas vão se abrindo…

  19. cris s Says:

    Mi,

    Que bom que você curtiu os posts, volte sempre!🙂

    Infelizmente vou ter que fazer eco à Adri. Pois quem dera tivessemos uma cultura que abrigasse vários museus aqui ou que a secretaria de cultura fosse democrática e justa nas contratações. Agências de publicidade trabalham com o pessoal de comunicação e uma doutora em literatura é vista como um animal estranho, hehe! O povo ainda é muito limitado mesmo. Então vou começar a fechar a boca e parar de reclamar porque acho que estou no lugar que deveria estar!

    E a questão das férias e flexibilidade no horário é tudo. Imagina só você ter 3 meses de férias por ano? o máximo.

  20. Ana Lucia Says:

    Gurias, eu soh posso dizer que seja no Canada ou nos EUA, existem vagas e vagas de professor. Professor a contrato, tipo contrato pra dar tal disciplina, é barra pesada. Pra fazer um salario legal, você tem que pegar varios contratos, tem semestres que a oferta é boa, tem outros que a oferta baixa. Nesse tipo de “vaga”, vc pode até ganhar uns pilas pra ir apresentar um trabalho em um congresso, mas vc nao pode orientar aluno de mestrado e doutorado, mesmo se vc tiver 10 vezes mais publicaçoes que o cara que é professor permanente. Numa das universidades onde dava aula, publica e bem conceituada no Canada, tinha dois professores no departamento que se aposentaram e estavam dando aula a contrato, passando na frente de gente como eu…esses dois individuos brancos e homens e canadenses, nunca publicaram um livro em toda a carreira. Cada vez mais as turmas sao de 100, 150, cheguei a dar aula pra grupo de 180 estudantes, tinha assistente, mas eles soh corrigiam os trabalhos, nao tinha tutorial, e numa das universidades o departamento proibia que os exames finais fossem corrigidos pelos assistentes maravilhosos…por conta disso eu terminei ano passado com umas 50 horas adicionais…isso sem contar que povo chega com atestado frio, etc, etc e professor a contrato tem que aceitar, porque é o aluno que manda, e obvio que depois disso vem as avaliaçoes e neguinho de 18 anos que nunca veio a aula, que ixcreve axim tem o direito de te descer a lenha…

    Nos EUA tudo isso é igualmente valido, a diferença é que a oferta é infinitamente maior que no Canada, e tem universidade privada, mas também tem varios niveis. Se vc dah aula em um lugar tipo college, a carga horaria é pesada, vc pode ter algo como 12 horas aulas por semana, ser advisor, dar aula de tudo e n’importe quoi…sem contar que muitos desses colleges ficam em lugares nada convidativos…

    Eu entendo todas os questionamentos de vcs, essa vida nao é pra qualquer um, o retorno é pouco, mas no meu caso, é porque eu tenho uma grande satisfaçao de dar aula, mas principalmente de fazer pesquisa, de encontrar pessoas, de escrever, de apresentar trabalhos, é realmente pra mim um modo de vida, eu nao penso ai hoje é sabado nao escrevo, nao leio, nao respondo email, mas obvio que se tivesse filhos nao poderia ser assim, entao eu escolhi de nao ter filhos, pq adoro o jeito que eu vivo e pq sou realista, seja em termos financeiros ou em termos de tempo ia ser dificil sustentar uma decisao de ter um filho…

    Qto às férias migas, é relativo. Aqui na minha universidade, eu dou aula 9 meses, durante os 3 meses que sobram se vc tiver obtido uma grana pra fazer pesquisa, vc se libera e vai pros arquivos, vai escrever, vai fazer pesquisa de campo…se nao, vc pode dar aula no verao e ganhar também uma grana…ou seja férias mesmo de 3 meses ninguém tem…e principalmente no natal o feriado é curto e fica dificil de viajar, pq custa caro pra pouquissimos dias…

    Beijocas Cris !

  21. cris s Says:

    Ana, tem os sabaticals também, que ajudam muito. Outra coisa, o teu momento chegou! Chega da ralação toda, ainda que tenha sido importante, no Canadá. Agora você tem a oportunidade de fazer a tua carreira e eu tenho certeza que será uma carreira brilhante!!!

    beijocas, querida.

  22. adriamaral Says:

    Ai eu tb nao tenho férias de 3 meses, nas férias eu produzo o que to pesquisando pq enqto to em aula nao tem condições. Eu gosto mais de pesquisa do que de aula por isso ando dando algumas consultorias.

  23. cris s Says:

    Adri, eu tento ter férias e fazer coisas diferentes, nem sempre dá certo. Eu preciso de um tempo p/ recarregar, é vital.


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