Archive for Janeiro, 2009

filamento

Janeiro 17, 2009

O mundo dos blogs é uma rede com filamentos frágeis que se interconectam. Essas ligações, altamente dinâmicas, são feitas a partir de pequenas narrativas nas quais os leitores se apóiam para dar sentido, interpretar e, um nível mais perigoso deste processo, construir uma imagem da pessoa. Só que a grande maioria dos posts escritos é uma versão rápida de algum aspecto que o autor do blog deixa antever.  Ora, o post não é o autor! O post tem uma voz narrativa, também chamada de “eu narrador” ou “eu autoral” que, naquele momento, domina. Infelizmente, a maioria das pessoas não sabe ler e não entende ironias. Outra forma de misreading (leitura errônea) é o oposto: achar que todas palavras operam com duplos sentidos, o que Umberto Ecco denomina de overinterpretation, ou superinterpretação (Os limites da interpretação, 1995). Muitas vezes o duplo sentido não existe e a palavra – aquela recheada de possibilidades de significados – é apenas literal. Quando interpretamos, sempre estamos lidando com esses filamentos frágeis e fantásticos que são as palavras. Se mal entendidos podem ocorrer até mesmo em conversas, quando remetente e destinatário estão presentes, quem dirá em posts que “dialogam” sabe-se lá com que cabeças.  Temos também que levar em consideração que as pessoas escrevem sob diferentes ímpetos e circunstâncias. Muitas vezes os autores de blogs, por diversos motivos, talvez até para amenizar alguma dor, cosmetizam seus posts. Por fim, talvez o óbvio: blogs são versões autorizadas de nós mesmos.

Adivinharam: ando um pouco cansada.

Sobre vampiro e whopper

Janeiro 13, 2009

Eu e a Caro, minha filha mais nova, fomos bater perna no shopping e conferir as liquidações de verão.

Momento Vampiro: Eu mostrando as coisas pra ela na loja que ela adora. Surpreendentemente, a Caro não mostrava muito interesse. Não entendi nada, logo ela, que há 12 anos baba por roupas e bijuterias e maquiagens e tudo mais girly que se possa imaginar (ela tem 13 anos!). Até que ela falou:

– “Mãe, a batinha é linda, o brinco é a minha cara, o sapato é muito fofo, mas, eu prefiro que você compre um livro pra mim, sabe aquele da série do Twilight, o terceiro da série, o Eclipse? Ele vai ser lançado na sexta, mas já dá pra pagar e ficar na fila”.

Eu fiquei atônita.

“Como assim? Ficar na fila por um livro? Que coisa mais passée, filha”.

Logo eu falando isso, que irônico, eu sei. Mas também é porque essa febre com os vampiros-namorados-proibidos já está passando dos limites. Ou sou eu que estou perdendo o encanto de tudo? Seria o vampiro-namorado o Romeu contemporâneo? O amor proibido, o beijo do amor que pode se tornar em beijo da morte? Pode ser. Daqui a pouco vou ter que ler a tal série dos vampiros pra entender porque a minha filha (e a filha dos outros, no mundo inteiro) está, repentinamente, tão interessada em “literatura”.

Momento Whopper: Final do dia, pernas já cansadas, Eclipse comprado para o deleite histérico (!) da Caro, e o demo (só pode ser coisa do demo) baixa em mim: de repente, não conseguia pensar em outra coisa a não ser em um suculento whopper do Burguer King, algo que eu não comia há uns 5 anos! O que fazer, como iria justificar para a minha filha, já que eu sou chegada numa comidinha natureba e professo, a quatro ventos, para as meninas e marido que junk food é a pior coisa que existe, que vicia, que engorda, que é feita com ingredientes do mal, que mata. Mas gula é gula e, decidida, falei para a Caro, um tanto embaraçada:

– “Filha, jura pra mim que você vai guardar um segredo e nunca contar pra Luli e pro Dad, nunca, nunca?”.

E ela responde, curiosa:

“Claro, mãe. O que é?”

“Olha, vamos comer um whopper lá no Burger King. A gente divide o sanduíche para não ficar tão engordativo, que tal?”

Pelo menos sugeri de dividir o sanduíche. Ao invés de comer 3.200 calorias, comeríamos 1.600, já era algum consolo… Não é mesmo (…)? A reação da minha filha foi engraçada, ela quase teve um treco! Primeiro me olhou incrédula e depois não parava de rir, achou a sugestão hilária. Só espero que ela não tenha me achado um tanto hipócrita. Fomos lá, rachamos um whopper que estava delicioso. E eu pensei: 50% de um whopper não mata ninguém. Tomara que não vicie também. Tô morrendo de medo.

Top five produtinhos de 2008

Janeiro 11, 2009

2008 foi um ano maravilhoso pra mim no quesito maquiagem. Antes eu tentava me maquiar, agora, digamos que eu comecei a pegar o jeito da coisa. Aliás, vamos considerar as circunstâncias:  uma pessoa já na meia-idade (moi, quem mais seria) que anteriormente não fazia grandes coisas pela beleza, achei que estava na hora de investir um pouquinho e encontrar uns truques que me fizessem sentir bem – afinal, preciso enfrentar o envelhecimento com saúde, dignidade e alguma beleza.  Então, procurei blogs especializados e aprendi truques e dicas incríveis pra dar um super “up” no visual. Agora nada adianta se você não tem produtos bons: eles fazem toda a diferença no mundo. Mas vamos ao que interessa:

1. Smashbox primer: o meu queridinho do momento, pra quem não sabe (eu só vim a saber no ano passado), o primer é uma preparação para a maquiagem à base de silicone. Alisa a pele, deixa as rugas menos aparentes e fixa a maquiagem. Todas as especialistas juram de pés juntos que o smashbox é o melhor de todos. Eu acredito porque ele foi produto dos anos de 2007 e 2008 da Sephora. Eu adoro o produto, ele faz muita diferença e a base (foundation) fica bem mais natural e bela haha. Aliás, minhas amigas têm me perguntado o que ando passando no rosto. Acho que é este primer.

2. A base da Lancôme Renergie Lift. Ótima, a melhor que eu já passei, não que eu fosse muito fã de bases, sempre tinha a maior aflição pois parecia que eu tinha algo pastoso na cara. Um dia, num congresso que eu fui, a minha amiga de quarto olhou de manhã pra minha cara (!) e sugeriu que eu passasse essa base. Amei! Não me deu aflição coisa nenhuma e eu achei super natural porque também dá uma iluminada na face. Pronto, achei a base perfeita.

3. Eu ainda não achei um iluminador perfeito, mas, por enquanto, este da M.A.C. tá quebrando o maior galho. Trata-se do pigmento na cor Frozen White. Agora o segredo é você saber aplicar o iluminador pra acentuar algumas partes do rosto, como os olhos, as maçãs do rosto, etc. Tem vários tutorials no Youtube, com maquiadoras profissionais, que ensinam muito bem. Aliás, um dos blogs que eu leio de vez em quando é escrito por uma maquiadora profissional que escreve para a Vogue. Ela adora o iluminador Belightful da M.A.C. e este deve ser o meu próximo produtinho.

touche-eclat

Touche éclat da Yves Saint Laurent

4. Ainda na categoria dos iluminadores (porque eles merecem, acredite!), há o fantástico iluminador da YSL, o touche-éclat. Além de ser prático para usar, ele é super charmoso porque é como se fosse uma caneta dourada. Você tira a tampa e aplica o pincelzinho onde quiser acentuar. Ele também serve como um corretivo excelente e fica incrivelmente natural, pois a textura é perfeita. Já é a segunda vez que eu uso, na primeira eu não aproveitei tanto porque eu não sabia como usar. Agora que aprendi, realmente vejo que o preço salgado compensa o furo no bolso. Um dos meus favoritos.

5. Pincéis, pincéis, pincéis. Eu tenho um conjunto de pincés da MAC e mais outros que tenho usado direto. E que diferença faz, não é frescura não. Por exemplo, tente aplicar a base com o pincel de um lado da face e do outro, aplique como você costumava (com a mão ou mesmo com esponjas aplicadoras). Você vai notar a diferença: com o pincel a aplicação fica perfeita e o efeito é muito superior.

O pão que não é pão e o post que era pra ser outro

Janeiro 10, 2009

Essa receita de banana bread pode ser bread para os americanos, mas aqui, jamais. É bolo de banana e pronto. O cheiro invadiu a casa e ficou divino. Depois eu posto a receita porque, gulosa que eu sou, preciso ir lá provar o tal do banana bread.

Atualização: O pão ficou dos deuses, definitivamente um dos melhores que eu fiz até hoje. O trabalho é absolutamente nulo e o prazer, imenso (eu disse que o espírito da Nigella se apoderou de mim!). A receita abaixo é do manual da minha bread machine, uma ZORIRUSHI HOME BAKERY. Mas, pelo que eu li, a maioria das bread machines funciona de forma praticamente igual. Todas fazem pães, bolos e jeléias, portanto, tenho quase certeza que a receita pode ser usada em qualquer máquina. Além de poder ser feita no forno, logicamente.

Banana-Pecan Bread

1, 5 copos (medida americana) de farinha

1/2 copo de açucar

1 colher de chá de fermento

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de sal

1/3 copo de óleo de canola

2 ovos grandes (batidos na mão)

1/4 de sour cream (veja aqui como fazer)

1 colher de chá de extrato de baunilha. Além da baunilha, eu adicionei, por conta, 1/2 colher de chá de canela (ficou bem suave, mas banana e canela tem absolutamente tudo a ver)

Depois do bipe da máquina, adicione:

1/2 copo de banana bem madura, amassada

1/3 copo de pedaços de pecãs (eu usei nozes e ficou muito bom)

Modo de fazer:

1. Medir todos os ingredientes e despejar no recipiente da bread machine

2. Inserir o recipiente dentro da máquina

3. Clicar em CAKE course.

4. Apertar START.

5. Após 5 minutos adicione a banana e as nozes, misture tudo com uma espátula de silicone, tendo cuidado para raspar bem as paredes do recipiente.

Depois do tempo determinado pela bread machine (no meu caso, quase duas horas), ela bipa e o pão, que é um bolo, fica pronto.

O único “trabalho” que eu tive foi misturar os ingredientes, amassar a banana e picar as nozes grosseiramente no liquidificador.

what’s in a name, after all…

Janeiro 8, 2009

Vou direto ao assunto: o nome dele é Cat Kitty. Aconteceu o seguinte, aqui em casa todo mundo é hiper crítico e não conseguimos chegar a nenhum consenso quanto ao nome do nosso gatinho. Eu até forcei Orsino porque é um personagem literário que eu gosto, mas os outros três aqui torceram o nariz e botaram o pé firme. No meio tempo, tínhamos que chamá-lo de alguma coisa e daí ficou Kitty, porque, bem, porque ele era um gatinho filhote né. E não sei exatamente porque, o Kitty virou Cat Kitty. Pois é, nem vamos mais falar sobre o assunto, já deu rendeu muitas discussões aqui em casa. Sem mais delongas, apresento, então, o nosso Cat Kitty, um gatinho afetuoso que é puro charme!

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Hi, my name is Cat Kitty. Go figure.

A Tailândia aqui em casa

Janeiro 8, 2009

Algum dos meus cinco fiéis leitores deve lembrar que eu fui para a Tailândia há um ano. Foi uma viagem excepcional e eu sofri do que muitos dos teóricos que eu estudo descrevem: um puro encantamento com o exótico. Até um dos meus favoritos teóricos, Edward Said, teria algumas palavras para descrever o fenômeno que se apoderou de mim na Ásia. Mas enfim dentre as coisas que eu mais gostei na viagem está a cozinha tailandesa, uma mistura ultra sofisticada e harmônica de sabores doces,  especiarias e pimentas. Me animei tanto que fiz um curso de culinária que durou dois dias. No primeiro dia fomos para o mercado local para nos familiarizarmos com os ingredientes. Como eu já sabia, o galangale é uma das especiarias mais importantes, é o gengibre tailandês. Resumindo a história, voltamos para o Brasil com o nossos dois galangales na mala, rezando para a alfândega não nos pegar. Em menos de dois meses, eles já haviam brotado e agora eles estão imensos, inclusive com essas flores super delicadas que floresceram há 10 dias, para o meu deleite!  Como é que os restaurantes “tailandeses” aqui alegam que não há galangale no Brasil? O clima dos dois países é bem parecido e o gengibre tailandês é imprescendível para a elaboração da maioria dos pratos. Não tem galangale, não tem culinária tailandesa. Enfim,  chega de lero-lero e vamos às belezinhas tai!

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Pura delicadeza asiática!

O último pão

Janeiro 8, 2009

O pão que eu fiz hoje: broa de nozes, ou, como os franceses chamam, pain aux noix. Ficou muito saborosa, mas acho que eu deveria ter usado um pouco de farinha branca para que a broa ficasse menos compacta. Ou será que foi pouco fermento biológico? É que eu já ando alterando as receitas, mas não dá pra esquecer que fazer pão é mexer com processos químicos que são diretamente influenciados pela temperatura e humidade do ar. Nada que me desestimule: o próximo da fila será o  pão de bananas com nozes, que tem a maior panca de ficar delicioso.

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Sorvete de morango com vinagre balsâmico

Janeiro 8, 2009

Não sei o que acontece comigo pois nunca consigo fotografar os meus sorvetes. O sorvete de morango com vinagre balsâmico (strawberry ice cream with balsamic vinegar) e calda de morango, abaixo, foi uma exceção. Uma pena porque além de deliciosos, os sorvetes ficam cremosos e bonitos.

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A receita é excelente, pode fazer sem medo, e eu a encontrei aqui.

holiday goodies

Janeiro 6, 2009

“Of all smells, bread; of all tastes, salt.”
George Herbert, Poeta inglês (1593-1633)

Se no começo fico agitada por ter que ficar em casa quando não viajo, depois de uns dias vou me acostumando e (re)descobrindo alguns prazeres domésticos! Para ser mais precisa, dois prazeres, porque não precisa de mais nenhum: sorvetes e pães. Amo fazer sorvetes (ice creams e sorbets) pela facilidade e deleite: praticamente é só misturar os ingredientes e colocá-los na sorveteira, essa máquina fantástica. Quanto às receitas, me inspiro  quase sempre nas da Fer, do blog mais delicioso da blogosfera: o Chucrute com Salsicha. As que eu já copiei/adaptei da Fer foram: o sorvete de figo, o sorbet de nectarina, de morango e de pêssego e menta. Os sorbets ficam aquela delicadeza porque são pura fruta, misturada, às vezes com ervas, gotas de vinagre balsâmico, como no caso do morango, ou com um licor pra ressaltar o sabor. Mas na realidade eu fiz outros como o de cereja e chocolate que ficou absolutamente divino, ainda que um pouco calórico demais. O de morango já virou um clássico, se fizer com creme, ele é um sorvete; se for como um suco, ele é um refrescante sorbet. A grande surpresa veio com o sorbet de nectarina, realmente delicioso.

Quanto aos pães, ressuscitei minha bread making machine, pesquisei e selecionei algumas receitas que eu queria provar e mãos à obra. Até agora fiz cinco pães diferentes: o pão integral, o integral com nozes pecãs, o de multigrãos , o de aveia  (hearty oatmeal bread) e o Southwestern style cornmeal bread (que eu fiz ontem). Cada um, uma surpresa agradável. Os que eu mais gostei até agora foram o Southwestern style cornmeal bread, que é feito com fubá e tem jalepeños, cebola e queijo e na massa. Mas talvez o campeão aqui de casa tenha sido o pão integral com nozes pecã, as nozes conferem um sabor muito bom à farinha e a consistência é ótima. O que menos gostamos foi o pão multigrão porque ficou meio seco, mas eu já estou pensando em soluções para o problema, visto que é um pão muito saudável. E o cheiro de pão fresquinho, existe igual?

Mas o maior prazer mesmo é saber que essas máquinas fazem o serviço todo pra você.   Porque afinal, como uma mulher moderna, sou partidária do que a Nigella advoga: “achieve maximum pleasure through minimum effort.” E, de qualquer forma, há algo mais gostoso do que um sorvete delicioso e saudável e um pão fresquinho acompanhado de um bom café? Acho difícil, muito difícil!

P.S. Mea culpa: reconheço que ando super negligente com as minhas fotos aqui no blog e sei que tenho prometido  publicar algumas (por exemplo, as do Thanksgiving), o que nunca aconteceu. Vamos ver se consigo reverter essa situação logo!

Rushdie, de novo

Janeiro 5, 2009

Tenho a impressão que ninguém assiste aos vídeos que as pessoas disponibilizam em seus blogs. Não faz mal, eu acredito em compartilhar informações, afinal sou professora. Não é a primeira vez que eu sugiro o escritor Salman Rushdie aqui no blog e pelo jeito não será a última. Aqui ele fala sobre o lugar da narrativa nas nossas vidas e sobre a linha tênue que separa o público do privado hoje em dia. Brilhante.