Meme dos livros

Janeiro 2, 2009

A Adri Amaral, colega e amiga, do blog As palavras e as coisas me passou esta meme. Geralmente não gosto muito de memes, mas confesso que tive que me controlar para não escrever mais do que é sensato para a natureza de um post.

1. Livro/autor(a) que marcou sua infância:

Alguns do Monteiro Lobato, O conde de Montecristo, Vinte mil léguas submarinas de Júlio Verne, uma biografia da Joana D’arc, que me impressionou bastante. Amava e ainda amo os livros do Tintin e gostava muito do livro Tistu, o menino do dedo verde, que minhas filhas herdaram; também tentei ler O pequeno príncipe mas não entendi direito.

2. Livro/autor(a) que marcou sua adolescência:

Fora os Machados de Assis & Cia que tínhamos de ler na escola e que não me marcaram na época, agora vem a parte engraçada: eu amava os livros do Carlos Castañeda (li vários), de modo que  eles devem ter provocado danos absolutamente irreversíveis na minha formação, haha. Gostava também de livros como Mogli, o menino lobo (porque se passava na Índia), O paraíso perdido e Shangrilá (não me perguntem o nome do autor, mas tambéms se passavam na Índia e isso me bastava). Como se vê, com exceção do Kipling e do Castañeda, nem lembro dos autores dos outros dois livros. Ah, no começo da adolescência, li todos os livros com o detetive belga Hercule Poirot (Agatha Christie). Quando comecei a ler em inglês, reli os mesmos da Agatha Christie e depois fiz a mesma coisa em francês! Aqui não estamos falando exatamente de “marcar a minha adolescência”: digamos que esses livros não marcaram tanto assim a minha adolescência, pura vergonha admitir isso, mas meus interesses estavam em outros lugares.

3. Autor(a) que mais admira:

Sem hesitação, o autor que eu mais admiro é Shakespeare. Precisa falar por quê? Abrangência de temas, um amor incrível com o ser humano, uma visão ambígüa e irônica do mundo, sem precedentes na literatura. Humor, paixão, ambição, ódio, generosidade, etc sem nenhum tipo de preconceito ou julgamento mesquinho. Nada parece fascinar mais Shakespeare do que a condição humana. Com uma dramaturgia apaixonante e apaixonada, Shakespeare inventou o teatro moderno, o metateatro, reinventou o soneto, inventou o solilóquio, tudo dentro de uma linguagem poética ao mesmo tempo livre e multifacetada. Ok, don’t get me started… Next!

4. Autor(a) contemporâneo:

Autores vivos? Vou ter que incluir o Michael Ondatjee e não é só porque ele está fresquinho na memória, mas é porque ele é brilhante. Tem também o Mia Couto, O Salman Rushdie, a Jumpha Lahiri (apesar dela não entrar na minha categoria dos brilhantes). Na realidade, eu estava louca pra mencionar também o John Fowles, o E. M. Forster, o Henry James, a Virgínia Woolf e muitos, muitos outros do séc. XX, sem falar nos meus escritores favoritos do século XIX, mas eles não são contemporâneos.

5. Leu e não gostou

Um que eu comecei a ler no ano passado e desisti: Disgrace de J. M. Coetzee e outro que só li algumas páginas foi Beloved da Toni Morrison. São livros pesados demais e eu não estava querendo mergulhar muito no sofrimento dos protagonistas no momento, mas ambos merecem uma segunda chance. Um romance que eu li até o final, em 2008 provavelmente por puro masoquismo, foi Depths do sueco Henning Mankell. Nunca mais esse Mankell me pega… Agora tenho achado esse Milton Hatoun um chato mesmo. Aliás, não é por absolutamente nada, não tenho nenhum preconceito contra escritores brasileiros  contemporâneos e adoraria gostar de alguns escritores. Mas tenho tentado ler alguns romances e não sei o que acontece, simplesmente tenho dificuldades em pactuar com o narrador. O pacto é vital, se ele não ocorrer não acontece o que Coleridge chamava de “suspension of desbelief” – a suspensão da descrença. A narrativa de alguns romances brasileiros parece altamente transparente, falsa.

6. Lê e relê:

Eu explico porque essa é uma questão difícil de responder: eu sou professora de literatura e, com frequência, tenho que ler e reler o mesmo livro/peça/poema, etc. Os livros são os meus instrumentos de trabalho, enfim. Então, quando posso, corro ler coisas que nunca li. Mas só pra não ficar em branco, tenho que incluir Jane Eyre de Charlote Brontë , To the Lighthouse da Virgínia Woolf, e também Grande sertão veredas, um romance que dispensa comentários.

7. Manias:

Eu não gosto de marcar meus livros e não gosto que ninguém os marque. Geralmente faço uma discreta orelha de burro na página de uma passagem que eu tenha gostado muito ou coloco um post it quando estou pesquisando. Sempre leio a última frase do livro, depois leio as primeiras páginas. Se eu pudesse, leria do final para o começo, como faço com todas as revistas  — sinal absoluto de pura caos e ansiedade, eu sei. Quando estou adorando um livro, diminuo o ritmo da leitura e  fecho os olhos para sorver todas as palavras. Às vezes leio em voz alta, me apaixonando pela melodia das palavras e pelos personagens. Em contrapartida, muita coisa pode me irritar. Por exemplo, uma metáfora ou outra figura de linguagem forçada, alguma manobra narrativa artificial são fáceis de detectar. Aí é difícil voltar para aquele livro e para aquele autor. Não gosto de perder o meu tempo para tentar dar segundas chances para escritores de segunda categoria, tem muita coisa que eu  quero e preciso ler. Este é o meu lado crítico bem acirrado. Às vezes é chato até pra mim, mas não adianta, sou assim mesmo. Mas tenho outra faceta como leitora que talvez apenas o meu passado negro do Castañeda faz antever: quando estou viajando, não há nada melhor do que ler um bestseller trash. Por exemplo, li o Da Vinci Code em três dias entre os estados da Califórnia, Washington State e Arizona. Outro exemplo foi ler o The Beach (Alex Garland), cujo enredo se passa perto de um lugar onde estávamos na Tailândia.  (Talvez alguém tenha lembrado do filme homônimo com o Leonardo di Caprio). O livro é também uma bomba e eu li porque fui atrás de um fórum sobre a literatura que se passava na Tailândia… Pois é, entrei nessa roubada também, haha. Mas um livrinho trash em viagens longas não faz mal pra ninguém, ainda mais se for uma história de detetive.

Fica a sugestão para quem passar aqui e quiser continuar a même!

4 Respostas to “Meme dos livros”

  1. adriamaral Says:

    muito boas escolhas. tb curto um best seller trash nas férias 🙂 ah e biografias hehe

    quero ir ver o tal crepúsculo. vale a pena???

  2. cris s Says:

    Adri,
    Também gosto de biografias!

    Eu assisti aqui em casa e acabei adormecendo no final (tava ultra cansada). Acho que vale a pena, sim. Minha filha assistiu o filme umas 4 vezes, hehe!
    bjs

  3. Edelize Says:

    OMG! Este é um meme difícil para eu responder… foram tantos livros que marcaram minha infância, pois vivia grudadinha neles. São tanto os escritores que admiro… Quanto às manias, acho que tenho algumas: não leio prefácio de livro algum, seja ele escrito pelo próprio autor ou não; gosto de ler mais de um livro ao mesmo tempo; só faço anotações em livros técnicos da minha área, mas nunca escrevo nada em outros livros; não gosto de assinar meu nome ou data em livro algum; desisto de ler um livro se encontro alguma besteira ou idéia absurda (talvez explique porquê não sou ligada em livros de auto-ajuda); percebo erros facilmente e se os encontro em demasia, desisto de ler o livro; ah e adoro cheiro de livro, de biblioteca e de livraria! Faço download de livros, mas nada me dá mais prazer do que sentir e cheirar um bom livro, faz parte do processo de leitura para mim, vai entender… Beijos e que 2009 nos traga muitas coisas lindas e ótimas leituras!

  4. cris s Says:

    Edelize,
    Foi super difícil p/ mim tbém! Deixei muito livro e autor de lado, não teve jeito.
    Ah, como você, penso que nada substitui um livro e também amo livrarias. As bibliotecas às vezes me deixam um pouco nervosa — muitos livros, etc. Eu vou faço a pesquisa e vou para um lugar mais clean. Mas lembrei agora da maravilhosa biblioteca do Shakespeare Institute… vi algumas raridades no acervo deles. É uma biblioteca bem clean e comfortável, onde eu conseguia ficar o dia todo.
    beijos


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