Archive for Maio, 2009

Dickinson e a “infecção na sentença”

Maio 27, 2009

Concordo com Harold Bloom quando ele afirma que  Emily Dickinson “exige uma participação tão ativa do leitor que é melhor estar com a mente naquele raro melhor estado” (apud BARBOSA, p. 111). Seus poemas não são empreitada fácil: construídos por meio de paradoxos inusitados, possuem uma ironia sem par. Isso sem falar na estrutura e nas estratégias linguísticas, que romperaram com as convenções da época e prenunciaram em, pelo menos meio século, o modernismo. Eu adoro ensinar a literatura do século XIX, mas dar aulas sobre a Emily Dickinson não é tarefa tão facil: em que se pese a ementa dos Cursos de Letras que nos permite algo como duas ou três aulas, um tempo ridículo para uma autora que necessitaria de um curso somente para si. No meu caso, opto geralmente por trabalhar um ou dois aspectos de sua obra apenas e trabalho com poemas em inglês  com a versão traduzida para o português. Este semestre vou dar um poema que eu gosto muito e que ilustrará uma das questões que estou abordando, mas que não tem tradução em português… O que eu fiz? Ora, neste, como em outros casos, faço, de punho próprio, a tradução. Ideal não é, mas consiste na única alternativa prática para que os alunos que não dominam a língua inglesa possam ter noções sobre que o poema trabalha. Não preciso nem dizer que, se traduzir poesia mesmo para tradutores profissionais é uma tarefa ingrata, imaginem o que é para mim. Enfim, abaixo o poema ao qual me refiro.

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I dwell in Possibility–
A fairer House than Prose–
More numerous of Windows–
Superior–for Doors–

Of Chambers as the Cedars–
Impregnable of Eye–
And for an Everlasting Roof
The Gambrels of the Sky–

Of Visitors–the fairest–
For Occupation–This–
The spreading wide my narrow Hands
To gather Paradise–

Um dos meus poemas favoritos é este abaixo que remete à questão da autoria feminina e traz a metáfora tão explorada pelos estudos feministas: a “infecção na frase”. Como agora não tenho nem tempo nem tampouco a mente “naquele raro melhor estado” que Bloom sugere para ler Emily Dickinson (sem falar para ensiná-la), deixo-o apenas como sugestão de leitura/interpretação dos leitores interessados.

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A Word dropped careless on a Page
May stimulate an eye
When folded in perpetual seam
The Wrinkled Maker lie

Infection in the sentence breeds
We may inhale Despair
At distances of Centuries
From the Malaria —

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run, cris, run!

Maio 25, 2009

Pois é, agora que eu já fiz a inscrição, posso falar:  vou participar da corrida de 10 k, da Track&Field Run Series! Não, não é loucura — tenho corrido com uma boa frequência, só que distâncias relativamente curtas: de 6 a 8 quilómetros. Achei que poderia ousar um pouquinho e chegar nos dez. No calor da corrida, tudo pode acontecer! Confesso que dá um frio na barriga só de pensar, mas vamos lá. A verdade é que essas corridas são um agito ultra bom e especificamente a corrida da Track&Field é super bem organizada e concorrida.  E terei mais uma medalha para a minha coleção, admito que já estava com saudades da sensação.  Além de tudo, terei uma super companheira: minha filha! How cool is that?

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Paint pot da MAC

Maio 24, 2009

Sabem aqueles dias que você está sem tempo ou não está com vontade de se maquiar, mas, ainda assim, quer dar uma levantada básica no rosto? Não há nada melhor do que os paint pots da M.A.C. para abrir o olhar. Aliás, o paint pot na cor groundwork é o meu ultra queridinho da vez. Ele não craquela e assenta super bem, além de ter um poder de fixação extraordinário: você aplica de manhã e à noite ele está lá, direitinho. Em termos de comparação, prefiro os paint pots da MAC aos Shiseido hydro powder. Aliás, na realidade, tenho tido muito mais cuidado ao aplicar maquiagem ultimamente e estou doando às meninas tudo o que tem glitter e brilho. Na minha idade, definitivamente, menos é mais. Quem escuta pensa que eu sou idosa. Não sou.  Ainda. Mas também não sou mais menina. Aging hasn’t been a piece of cake but I’m trying my best.

Sink Kitty

Maio 12, 2009

Ele adora ficar no banheiro, encaixado na pia, como na foto abaixo. Fica me acompanhando no ritual de lavar o rosto, passar creme, aplicar a maquiagem. Às vezes acaba dormindo na pia mesmo. Outra que ele gosta é quando eu deixo cair umas gotinhas da torneira e ele mete a cabeça para se refrescar. É um gato que gosta de água, só detesta banho.

sink Kitty

Um texto recuperado

Maio 10, 2009

Eu publiquei o texto abaixo em 2005 no jornal Gazeta do Povo. Embora eu não goste de algumas frases, minhas idéias continuam absolutamente as mesmas.

“Considerações Pós dia das Mães”

Simone de Beauvoir, em seu célebre livro O Segundo Sexo (1949), assevera o seguinte: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Muito embora a filósofa francesa, companheira do mais ainda célebre filósofo existencialista, Jean Paul Sartre, nunca ter sido mãe, pergunto-me se sua frase se aplica à questão da maternidade. E aí, a frase leria-se desta forma: “Não se nasce mãe, torna-se mãe”. De qualquer forma, que reflexões estaria Simone fazendo se ela tivesse formulado tal pergunta?  Tal qual a pergunta feita em O Segundo Sexo, ela estaria dizendo que não, não nascemos com o talento singular da maternidade; ser mãe é uma construção sócio-cultural.

Isto me fica muito claro depois do dia das mães.  A figura da mãe é enaltecida nas músicas ensaiadas pelas crianças nas escolas, nas propagandas de televisão, nos outdoors, nas revistas e jornais. Somos bombardeados pela imagem da mamãe. Mães-esportivas, mães-intelectuais, mães-peruas, mães-executivas, mães-mais-novas, mães-mais-velhas, mães com os mais vários estereótipos. Mas todas iguais. Como assim? Prestem atenção: são todas mães lindas, graciosas, elegantes, com corpões (sim, mesmo as mais velhas!) e principalmente – característica inequívoca de toda mãe: felizes, felicíssimas.

Ora bolas, fico aqui eu pensando com meus botões…. A mãe da minha mãe não é assim. Minha mãe não é assim. Eu não sou assim.  Quem, pergunto, quem corresponde a esta imagem tão sacrosanta da mãe? Mas antes que você atire pedras, caro leitor, permita-me explicar melhor. Acredito, no mais profundo do meu eu, que há, realmente ‘algo’ que santifica a figura materna. Mas o santo não está no sorriso plástico, nem no corpo perfeito e tampouco na felicidade à toda prova. Fazer apologia à figura materna por intermédio destes estereótipos é fazer um verdadeiro desserviço às mães.

A realidade é que a sociedade constrói padrões que nos levam a querer ser, talvez, o que não podemos. No caso específico da maternidade, parece que a mulher nasceu para ser mãe. Lembro da minha reação, anos atrás, frente ao comentário de uma amiga: “Nunca quis ser mãe”: fiquei um pouco decepcionada com ela, coitada. Para mim, não querer ser mãe era uma afronta, uma espécie de falha de caráter. Hoje com anos de kilometragem materna rodada e com um senso crítico um pouquinho mais apurado (olhe que otimista!), reconheço a maturidade, sabedoria e até coragem da minha amiga. Ser mãe não é para todas. Ser mãe envolve responsabilidades, tempo, amor, dinheiro e muito, muitíssimo doar-de-si.

Quando vejo crianças ao léo, viciadas em telenovelas, grudadas nas telas do computador, crianças cujo habitat natural é o shopping center, me pergunto o que aconteceu com a infância, será que, como diz o pessimista filósofo Baudrillard, a infância e adolescência não existem mais? E as mães existem? Arrisco a dizer que sim, existem. Talvez reconfiguradas, espelhos destas novas crianças e adolescentes. A reconfiguração da mãe moderna é complexa, pois ela tenta a todo custo cumprir todos os papéis sociais que a sociedade contemporânea lhe impõe. Não consegue aquele padrão de beleza cruel, não consegue aquele sorriso plástico retocado por programas de computadores, não consegue  ser feliz o tempo todo, não consegue ser mãe perfeita. Talvez muitas devessem seguir as sábias – porém ainda polêmicas – palavras da minha amiga. A maternidade é, sobretudo, uma questão de escolha.

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O jornal publicou o artigo numa folha inteira. Ilustrando o texto tem uma mãe meio gordinha, com uma carinha de cansada (eu amei!) com os braços um tanto encolhidos como se dissesse: fiz o que pude! Por fim, a idéia de que toda e cada mãe tem que ser uma supermãe, que tenha que ser sempre companheira, protetora e generosa é uma concepção extremamente negativa para as mães, em específico. É por isso que muitas mães vivem com um eterno sentimento de culpa que só faz aumentar a frustração…

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Maio 10, 2009

Meu dia das mães foi ótimo: consegui levar meu marido para correr no parque antes do nosso almoço. Na volta, uma surpresa (sim, eles sempre conseguem!) com uma cestona da Kopenhagen para satisfazer qualquer chocólatra!  Quando abri a cesta, quase morri: um pacote da M.A.C. e outro com um par de sapatos lindos. Nada melhor como presente para esta mamãe aqui! Almoçamos em um restaurante japonês excelente com minha mãe e todos os irmãos. A happy mama today!

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A seta verde aponta para M.A.C. e a vermelha para o sapato. O chocolate sempre foi minha paixão. Sapatos e bolsas também sempre me encantaram. E a maquiagem tem me interessado cada vez mais. Principalmente a da M.A.C.!

AMEI a sacolinha vermelha ultra charmosa da M.A.C.!! Quer saber o que tinha dentro? O tão querido pincel 187 para aplicar base, duas sombras e um batom. Fora o amor dos filhos e reconhecimento do marido, o que mais uma mãe precisa para sentir-se especial?

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