Archive for Agosto, 2009

You get what you give! Yeah!

Agosto 31, 2009

Momento rock’n roll total: You’ve got the music in you! Acabei de enviar meu artigo depois de quase duas semanas de imersão. Note-se que estas duas semanas foram  apenas para dar conta de três ítens que o revisor pediu. O atigo estava pronto (nem falo quanto tempo eu levei para escrever o artigo para não assustar o povo). Mas eu quero explicar o termo imersão no meu caso: imersão é não comer direito, é comer de menos, de mais,  é comer fora de hora. Imersão é não dormir direito, ou de mais ou de menos. Imersão é deixar a minha família comer a sobremesa do meu aniversário na sala para voltar a trabalhar. Imersão é deixar de correr (porque eu não mereço), imersão é dizer não posso para o meu marido e filhas, imersão é nem se dar ao direito de um batonzinho amigo (ainda que eu não tenha aberto a mão do corretivo porque ninguém merece), imersão é deixar o cabelo e as unhas totalmente de lado.  Imersão é me deixar de lado, é não viver! Então, agora estou literalmente celebrando o meu ressurgir das trevas do meu artigo com uma música que eu adoro e que tem tudo de celebrativa (pelo menos aos meus ouvidos). É aquela que dá a maior vontade de dançar e cantar e como estou no mode de celebração é isso mesmo que eu fiz… you’ve got the music in you! E quanto o artigo, espero realmente que o “get what you give” se aplique plenamente.

You got what you give (New Radicals)

But when the night is falling
And you cannot find the light
If you feel your dream is dying
Hold tight
You’ve got the music in you
Don’t let go
You’ve got the music in you
One dance left
This world is gonna pull through
Don’t give up
You’ve got a reason to live
Can’t forget you only get what you give
Four a. m. we ran a miracle mile
Were flat broke but hey we do it in style
The bad rich
God’s flying in for your trial



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Beijing na ótica dos músicos do Silk Road Project

Agosto 27, 2009

Eu ainda estou enrolada com o meu artigo, lendo (não deveria estar lendo neste estágio), escrevendo , apagando e re-escrevendo. O prazo está acabando e a fatídica corda no pescoço ficando (bem) mais perceptível… Acho que é só assim mesmo. Só que depois de ter organizado as fotos e de me sentir realmente de volta em casa,  com rotina estabelecida e tal, bateu uma pontinha de melancolia: sinto que eu vi a China num fast-motion film. Não, eu não queria ter visto mais. Eu queria ter visto melhor.

Um país intrigante. As idiossincrasias, parte deste país tão múltiplo, e diverso, com tantas histórias, me proporcionaram muitas experiências curiosas. Uma das coisas que ainda desejo conhecer melhor é a música chinesa tradicional. Pelo que já ouvi, é extremamente melodiosa, delicada e viajante. Wishlist to dia: todos os CDs do Silk Road Project.

O vídeo abaixo vale a pena assistir se você é interessado pela China, em particular por Beijing, terra da Cidade Proibida, da Grande Muralha, do Palácio de Verão, dos Hutongs,  dos arranha-céus que pululam o centro.  É uma cidade que se esforça, dia e noite, para renascer depois de tudo o que viveu no século XX. O vídeo, narrado por americanos e chineses e com imagens excelentes, foi feito em Beijing , em 2007, pela Silk Road Project, que foi fundado pelo músico Yo Yo Ma.

And it’s back to work for me.! Zai Jian!  再见

“Stop this train” do John Mayor e o dia 23 de agosto

Agosto 23, 2009

É a única coisa que me vem a cabeça – a letra da música do John Mayor, que por sinal é bem bonita. Mas deixe-me explicar:  é que tem tudo a ver com a data. Dia 23 de agosto de 2009.  Um aniversário bem low profile pra mim porque eu estou aqui imersa em leituras e polimentos no meu texto. Mas a verdade um pouco assustadora é cantada aqui por John Mayor:

So scared of getting older
I’m only good at being young
So I play the numbers game
To find a way to say that life has just begun

Feliz Aniversário pra mim e que venham muitos. It’s been a great ride so far so…  Don’t stop this train!

é sempre assim

Agosto 18, 2009

Durante duas semanas só fiz coisas de pessoa à toa. Agora estou começando a sentir a corda no pescoço com datas e leituras atrasadas. A pior de todas, realmente a mais absolutamente grave de todas é que eu tenho que entregar o meu artigo revisado para a revista Multicultural Shakespeare. Não contei aqui, mas eu fiquei muito feliz de ter um artigo meu aceito por uma publicação européia ultra prestigiada na área shakespearena (conhecidamente uma área meio elitista e portanto mais exigente e chata). Só que a burra aqui ainda não fez as revisões que a chata do(a) revisor(a) “recomendou”. São apenas três, mas uma delas exige que eu resssuscite um material que já estava dormente na minha cabeça. E se não der tempo para encontrar tudo e estudar, o que faço eu?? Um dos problemas do povo é aceitar que você discuta Shakespeare fora do texto santificado e o meu trabalho é essencialmente interdisciplinar pendendo mais para a pintura. É o que eu gosto, aliás. O meu último artigo é sobre Shakespeare e a Astronomia, só para dar uma idéia. Este será publicado em setembro. Mas voltando ao cerne da questão. Tem dois livros. Dois livros que eu tenho que ler em uma semana. Um deles foi lido há muitos, muitos anos e eu sequer lembro. Então eu estou com a leitura extra atrasada, com a revisão do artigo extra atrasada. E fico aqui, AINDA extra à toa, escrevendo essas besteiras.  Convenhamos, já podia ter dado inicio em algo, afinal hoje é o dia dos inícios. É segunda. É na segunda que todos levam a sério a vida. Que as pessoas trabalham, estudam e lêem. É mesmo? Que nada. Pelo menos não foi nesta segunda. Pelo menos não aconteceu comigo. Deus nos acuda.

les achats

Agosto 12, 2009

Eu até ja falei aqui no blog que gostava de usar óculos do modelo aviator da RayBan e acabei comprando um modelo que eu apelidei de máscara. Eu não encontrei os aviators, meus favoritos no Duty Free em São Paulo e como não queria ficar sem óculos na viagem, comprei a máscara. Chegando em Londres, adivinha o que eu vejo? No comments.

Também tinha jurado aqui o meu amor e fidelidade aos meus óculos de corrida da Nike. Só que depois de 5 anos de lua de mel, as lentes começaram a descascar. Comprei um par de Oakley e estou verdadeiramente in love com a lente e a leveza do óculos (quem falou dos óculos Nike mesmo?). Quando se trata de óculos de corrida, se você não tem um excelente, você tem vontade de quebrar a coisa que você tem no rosto já nos primeiros 5 minutos. Justificado.

M.A.C. Obsessão. Acho que isso explica. Comprei mais três batons, e também o tal do Strobe que é um hidratante iluminador (amei) e a sombra mythic (linda de morrer). Comprei também o paintpot painterly e este foi o grande achado. Simplesmente maravilhoso, mesmo sózinho. Este é um it produtinho que não sei como só fui descobrir agora. Fora todos os hydro power da shiseido e mesmo o über queridinho urban decay eye primer. Vão por mim:  o paintpot painterly é “o” cara.

Sempre em busca do esmalte bege (nude) ideal, comprei um da Chanel (sahara dune) e outro da Guerlain (terracota)., ambos lindos. Arrematei também o rímel que eu estava de olho há tempos, o iconic da Dior (maravilhoso). Tudo obviamente mais do que a metade do preço do que você encontra no Brasil.

Base. E eu precisava de outra base? Já não tava bom ter encontrado a Lift da Lâncome? Claro que não né?  Pra matar as 7 horas de espera no Terminal 5 do Heathrow, encasquetei que precisava encontrar outra base, uma mais natural do que a da Lâncome, uma que pudesse ser usada todos os dias (como se eu fosse usar base todos os dias). Então comprei a da Bobbi Brown, por recomendação da vendedora da M.A.C. (!). É realmente ótima, natural e tem um efeito mate. Só que depois me apaixonei pela nova base “milagrosa”  da YSL, que vem numa embalagenzinha linda e ainda por cima tinha uma promoção com o Touche Éclat. Comprei e é ótima. Realmente. Mas eu precisava??

Ficou claro que nem só de literatura vive esta blogueira. Ainda bem.

shopping

Je ne suis pas ta chose

Agosto 11, 2009

Esta música grudou feito chiclete. Ainda bem que é bonitinha, mas depois da milionésima vez enche.

“I climbed the Great Wall”: nossa experiência na Grande Muralha da China

Agosto 9, 2009

Nada de tempo bom para a nossa experiência na Grande Muralha! Graças aos bons  (ou maus) céus.  Afinal, uma neblinhazinha fazia parte do meu imaginário da Muralha. Nosso tour nos levou para o trecho mais popular, o Badaling. A subida leva entre 1,5 – 2 horas e exige um certo condicionamento físico. Isso iria nos custar um alto preço. Meu marido lidera e sobe bem mais rápido do que eu. Prudente, eu vou devagar e sempre, assim como sempre faço nas minhas corridas. Nem forçando a vista dava para ver o cume, mas de qualquer maneira me animo, pois sempre gostei de subidas e o cenário não poderia ser mais imponente. A cada torre de sentinela eu paro, tomo fôlego, me hidrato, tiro fotos e, tentando me livrar da encheção dos turistas, me esforço para imaginar como as coisas eram ali 500 anos atrás, na dinastia Ming, época da construção desta parte muralha. A Grande Muralha na realidade é feita de várias muralhas, construídas por dinastias diferentes ao longo de cerca de dois milênios.  E aí o meu marido fala  que ele está com um problema no joelho. Fico bem preocupada porque o meu marido nunca, nunca reclama. Diz que não vai poder subir comigo e que eu devo seguir adiante. Pedi para ele me esperar ali mesmo, eu iria tentar subir rapidamente e depois ajudá-lo na descida. Subi mais uns 15 minutos, alcançando mais uma torre e fiquei lá ponderando se devia ou não subir sózinha, com o coração dividido. A vontade de subir a Muralha era enorme, mas  e o meu marido? Fiquei lá uns minutos e quando eu vejo tava lá o  meu marido subindo com dor e tudo! Não, ele não iria desistir. Então assim fomos. Às vezes garoava, às vezes fazia sol, ás vezes estávamos no meio da neblina, o que  confere um ar místico para o  lugar. Fomos bebendo chá verde e descansando o joelho dele. Mas a cara do pobre coitado não me enganou nem um momento. Em uma das torres de sentinela paramos para comprar as nossas camisetas “I climbed the Great Wall” e,  mais perto do final, pedimos para um péssimo caligrafista gravar os nossos nomes “Cris and Bill climbed the Great Wall”, coisa de corredores que têm que ganhar uma medalhazinha no final como recompensa. O Cris and Bill da plaquinha estão mal e mal reconhecíveis (infame!). Mas enfim chegamos ao  topo, depois de mais de uma hora e meia!! Aguardamos nossa vez para tirar a foto sem nenhum turista e começamos a nossa descida. E quem disse que a descida seria mais fácil? Além dos degraus serem totalmente desiguais, estava um pouco escorregadio. Não teve saída e descemos quase tão devagar quanto subimos. Eu sou péssima em descidas então dei graças pelo corrimão nas partes mais íngremes. Chegamos no final, nos cumprimentamos, afinal tinha sido uma subida e tanto. As estonteantes vistas da Grande Muralha, um impressionante legado cultural, histórico, artístico, arquitetônico da China tinham valido a pena para mim. Não tinha se tratado de algo como um mero “been there, done that”. Para o meu marido, no entanto, a Muralha lhe trouxe de volta problemas antigos com o ligamento de um joelho. Mas ele acha que a subida valeu a pena.

Os chineses têm um provérbio que diz: “Not been on the Great Wall, not a great man”. Se isso vigorar, o meu marido, tendo subido tudo aquilo com problemas no ligamento do joelho, deve certamente valer por dois homens. Interessante. O que leva as pessoas a empreenderem essas façanhas, mesmo à duras penas? Acho que é a sensação de desafio e superação. Certamente o meu marido não irá esquecer tão cedo desta empreitada: ele passou a viagem toda à base de analgésicos. E a dor ainda não passou.

A Edelize comentou algo interessante sobre a Muralha: “Dá vontade de continuar a subida”. Eu senti a mesma coisa. Dá uma vontade imensa de continuar a subida e ver aonde a Muralha vai te levar.


grande muralha II

great wall!

nossa excursão para a China

Agosto 6, 2009

Tá todo mundo cansado de saber que nós fomos para a China num tour da TravelQuest assistir o Total Eclipse Solar. Compramos o pacote há quase dois anos. E assim também fizeram mais umas 300 pessoas, na sua grande maioria norte-americanos. So far so good. O nosso era o grupo 1C e ficamos confinados às mesmas pessoas do grupo 1C até o final. Todos se surpreeendiam com as identificações dos nossos craxás: “Vocês são brasileiros (olhando para o meu marido)?”; “Nossa, vocês falam inglês sem sotaque no Brasil” (eu olho para o meu marido). Quando estávamos de bom humor, explicávamos que “ó, eu sou brasileira, o meu marido é americano”. Mesmo aqueles que não perguntaram, logo descobriram. “Como é morar no Brasil?” (eu olho pro meu marido). Ele responde para o curioso: “É bom, é bom. É um grande e belo país. Ademais, queremos manter a família unida.” (meu marido e o curioso olham pra mim). Como se tivesse que dar explicação para o curioso, adiciono; “É, fizemos o trajeto ao inverso: eu importei o meu marido!”  meu marido olha e ri de mim e ri da cara do curioso; eu também rio de tudo).  Informações essas estabelecidas, ou seja, marido americano, esposa brasileira, as esposas do tour, me tratavam de uma forma meio engraçada: um misto de curiosidade e estranheza. Diga-se de passagem que eu até entendo a estranheza da mulherada e não estava nem um pouco preocupada. Enquanto não estava tagarelando com o meu marido, ficava lendo sobre as coisas da China. Ou então ficava olhando aquele mundo estranho pela janela do ônibus. Os únicos amigos que fizemos foram o Nicholas e a Charlotte, dois ingleses que moram no País de Gales. Ele repórter de TV e ela trabalha em uma Universidade como pesquisadora (ela é PhD em papel). Eu conheci, também, a Judy, uma jornalista de L.A., só que ela pertencia ao grupo 1D e, portanto, nos encontrávamos rapidamente. De qualquer maneira, não imaginava que iria vivenciar a experiência de una excursão na minha idade. Naturalmente, tudo foi exacerbado pelo fato de encontrarmos multidões de pessoas em cada site que visitamos naquele calor insuportável. E que a noção de ar condicionado em muitos restaurantes da China se parece a de um brando ventilador aqui no Brasil. Que um “iced tea” deveria ser chamado de “warm tea”. Segundo a nossa guia, os chineses acham que qualquer contraste de temperatura faz mal a saúde. Deve até ter seu fundamento, mas num calor de 47C, com uma humidade horrível, você quer mais um vero iced tea e um ar condicionado a mil. Por favor.

É claro que foi tudo muito, muito interessante, mas acho que nunca mais viajaremos com uma excursão novamente.

Pontos Favoráveis (fazendo um esforço a la Polyana)

– fazer vários programos em apenas um dia (jamais organizaria uma viagem desta forma, mas reconheço que tem lá as suas vantagens)

– os guias eram todos chineses e muito bem preparados

– não precisamos nos preocupar com os traslados aeroporto – hotel – aeroporto. Se bem que isso pode ser organizado no hotel facilmente.

– não lembro mais nada! So much for my Polyanna side.

china_travelquest

Yangshuo: a cidade dos sorrisos e dos convites

Agosto 5, 2009

O famoso cruzeiro nas águas tranquilas do Rio Li, tipicamente parte de Guilin e chega, três horas mais tarde, na bela cidade de Shanzou. O dia estava escaldante, mas a paisagem era linda e compensava o cansaço causado pelo calor. Depois de Beijing e Shangai, metrópoles imponentes, Shanzou nos pareceu um vilarejo pitoresco, abrigado entre os estonteantes pináculos de rochas calcárias do Rio Li. Nos desligamos do grupo para ter mais tranquilidade e partimos para explorar o centro, cheio de lojinhas e mercados ao ar livre. De repente sinto uma mão delicada batendo no meu ombro. Era um adolescente de uns 15 anos. “Can you join us later this afternoon?”, pergunta o menino. “We are inviting you to our weekly English conversation party”. Logo vi que o meu “amigo” vinha acompanhado de alguns outros, igualmente simpáticos e sorridentes. Falei: “So you guys are meeting later to practise your spoken English? Cool! But we will be going back to Guilin at 6 pm, I’m afraid. Thanks for the friendly invitation, anyway.” E aí a professora, que parecia ter uns 16 no máximo, se apresentou e falou da escola de inglês e me deu o cartão que eu seguro na mão, na foto abaixo. Disse que se eu conhecesse alguém que quisesse praticar inglês com eles uma vez por semana, a escola forneceria acomodação e cursos de cultura chinesa em troca! De fato, é realmente isso que o cartão da escola promete.  Expliquei a ela que dei aulas de inglês durante muitos anos. Trocamos mais alguns sorrisos e eu tirei a foto abaixo, que ela pediu para eu enviar a ela.

invitation

Umas duas horas depois do primeiro convite, um pouco revitalizados do calor pela massagem,  sou abordada por chinesinha de uns 4-5 anos, que me entrega um convite de seu aniversário. Ela estava acompanhada de sua mãe e mais três amigos. Eu leio o convite (em inglês e em chinês) e a mãe diz em broken English que eles estavam escolhendo algumas pessoas na rua para a festa de aniversário da filha no dia seguinte! E eu, sabe-se lá porque, fui uma das felizardas escolhidas! A menina era muito bonitinha e, como não sabia se era próprio ou não abraçá-la, apenas me ajoelhei para ficar na altura dela e falei “Sie-sie”, “Thank you, sweetie, but I won´t be here tomorrow”. A mãe pediu uma foto ao meu marido. Posamos para a foto, todos alegres. Eu achando que era a câmera do meu marido, mas era a da mãe da menina. Então só fiquei  com a  foto da lembrança.

massagens ou não: nossas desventuras na china

Agosto 3, 2009

Juro que não tinha a  menor pretensão que fossem como as maravilhosas que tivemos nos nossos hotéis na Tailândia. Dei uma olhada nos altos preços da massagem do hotel e não me animei. Ainda em Beijing, a nossa guia fala das massagens e pergunta quem se interessaria. Ao saber o preço, logo levantei a mão e então estava combinado: massagem para mim e para o meu marido no quarto. Uma hora depois chega o “massagista”, que parecia mil coisas menos um massagista. E ainda por cima cheirava a álcool! Falamos que não, mas ele não entendia nada, nem não. Ele liga o celular e, pelos gestos, entendemos que ele iria embora. Tanto melhor. Dali a 15 minutos a campainha toca e ele traz uma mulher estranha que, como ele, parecia mil coisas menos uma massagista. Olhei para o meu marido e juntos falamos: Não. Nós queremos massagens com massagistas profissionais. Deve ter havido algum engano. O massagista tentou forçar, começou a falar alto e ligou o celular novamente, esbravejando sabe-se lá que impropérios chineses. Melhor assim, falamos. Conseguimos nos safar de uma máfia chinesa de falsos massagistas liderada pela nossa guia, só podia ser isso.

No dia seguinte, Nicholas, o nosso novo amigo inglês, fala que ele teve uma das melhores massagens da vida dele com um dos tais “impostores”. Eu e meu marido apenas nos entreolheamos. Too bad.

Dez dias depois, em Yangshuo, decidimos ficar sem o grupo e curtir algumas horas de liberdade nao centro da bela cidadezinha. Encontramos uma massage house, como várias que vimos em outros lugares. Meu marido sugeriu a massagem no pé, algo aparentemente inócuo. Tudo bem. Entramos no lugar, a moça nos leva para cima e nos direciona para um quarto iluminado com uma luz vermelha e pela tela de uma TV. Nos acomodamos meio sem jeito nas cadeiras. Chega o massagista que iria se ocupar do meu marido. Ni Hao! A mulher pede para eu sentar e me faz uma massagem nas costas. Mãos hábeis, bom sinal. Depois as pernas, usando bastante pressão. Finalmente os pés, me animei, os pièces de résistance das nossas foot massages. Quem dera! Que mãos da chinesinha! Pressionava os pontos que somente os chineses, com toda a expertise em do-ins, acupunturas e sabe-se lá o que mais, devem saber. Eu gemia de dor e ela ria, pressionando mais ainda. Meu marido, nessas alturas, nas mãos do chinês, adormeceu e ressonava. Quando o martírio da foot massage acabou, dei graças a Deus! Pagamos e fomos embora.

Interessante que eu me senti totalmente revitalizada depois. Santas mãos da chinesinha.