Archive for the 'Aquecimento Global' Category

“Meme” de atitudes eco-conscientes.

Fevereiro 16, 2007

“Meme” das atitudes eco-conscientes

A Regina me convidou para participar da “meme” das atitudes eco-conscientes, criada pela Lúcia Malla, Denise e Allan, do excelente blog coletivo Faça a Sua Parte. Devo descrever algumas atitudes que sejam “eco-conscientes” . Receio estar muito longe de ser um modelo e confesso que tenho sentido que deveria contribuir muito mais do pouquíssimo que faço, porque, como sabemos, a situação está crítica. De qualquer forma, vamos lá:

  1. Transporte. Temos apenas um carro que usamos muito pouco. Nosso carro é pequeno e bem econômico. Ainda que eu tenha muito medo da violência, minha filha de 16 anos usa transporte coletivo com muito mais freqüência que suas amigas. O resultado é que não poluímos tanto o ar com dióxido de carbono, um dos principais contribuidores para o aquecimento global.
  2. Lixo. Há anos separamos tudo que é de plástico e de vidro para o “Lixo que não é lixo”, parte de um programa de reciclagem bem sucedido da minha cidade.
  3. Alimentação. Em casa, sempre comemos frutas e verduras orgânicas. Quem me conhece, me acha bem “natureba” com relação a alimentação. Nunca permiti que as meninas tomassem refrigerantes e só bebemos água ou suco natural. Quando eu tinha mais tempo, fazia broa integral, ricota e iogurte. Além de incentivar hábitos alimentares saudáveis, eu não usava tantas embalagens plásticas. Meu marido acabou se rendendo e, hoje em dia, come menos carne e adora saladas. Fazemos saladas com nozes, frutas e queijos, que ficam muito gostosas. Na medida do possível, reaproveitamos os alimentos que não consumimos na refeição anterior. Fora isso, planto temperos e couve. Temos também um limoeiro que rende limonadas bem fresquinhos no verão.
  4. Flores. Adoro ter flores na minha casa e, ao invés de comprá-las de grandes produtores que usam agrotóxicos, eu aproveito as minhas. E cultivo o meu jardim. 
  5. Ética. Sou professora de literatura. Nas minhas aulas e pesquisas tenho uma postura política, ou seja, sempre levanto questionamentos ideológicos sobre os textos que analiso. A ecocrítica é um exemplo de como podemos repensar o texto literário a partir do meio ambiente.  Pode parecer ínfimo mas requer que o aluno (e que o professor!) assuma uma postura crítica sobre o assunto. Acredito firmemente que uma mudança de comportamento se efetua a partir de uma reflexão ética. Esse é um dos conceitos principais que Al Gore advoga em  Uma verdade invonveniente.  Uma pequena contribuição minha pode ser lida nesse post aqui. É o post que recebe mais visitas no meu blog e fico muito feliz por isto.

Os meus pecados ecológicos são muitos e alguns são terríveis. Por exemplo, tenho usado muiiiito papel para imprimir os capítulos da minha tese que estão sendo freqüentemente revisados por mim e pela minha orientadora. Não consigo revisar textos longos no computador. Já tentei e não adianta.

Outro problema é o nosso excessivo consumo de eletricidade, apesar de usarmos lâmpadas econômicas e de não termos ar condicionado. Pelo menos dois computadores ficam ligados 24 horas por dia e a nossa conta é bem alta.

Agora convido a Edelize , a Laura e a Raquel para participar.

Atualização: O blogue “Faça a sua Parte” mantém uma lista atualizada com os links de todos que estão participando. Clique aqui para ver.

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“A terra devastada”: os efeitos do aquecimento global na literatura.

Janeiro 13, 2007

Atenção: Este texto é parte de uma pesquisa que estou desenvolvendo. Se você quiser reproduzir, citar ou usar partes do meu texto, entre em contato comigo via email: crisbs@superig.com.br . Obrigada.

(Convite irrecusável da Alline, escrevo este post para a campanha “Adote o seu planeta”, promovida por Allan, do blog  cartadaitalia e Lúcia Malla, do umamallapelomundo.)

“A terra devastada” (“The Wasteland”) de T. S. Elliot é um dos grandes poemas do século XX. Escrito em 1922, ele descreve um mundo fragmentado, onde o homem se depara com seu próprio esvaziamento e deterioração.  A natureza, tal qual Elliot a concebe, serve de metáfora para a condição humana, uma árida e desértica ilha cercada de um oceano de nadas. A expressão “the wasteland” (terra devastada), desde então, é usada também para se referir a essa condição triste e insólita.

Os escritores sempre escreveram a terra das mais diversas formas e para os mais diversos fins.  A literatura, tal qual a pintura, é fundamental na função de descrever e, consequentemente, registrar a fauna e a flora dos países sobre os quais os autores escreviam. Consiste, então, em documentação importante para cientistas e interessados, sobretudo quando levamos em conta que a fotografia somente apareceu na metade do  século XIX.

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Grosso modo, desde a emergência dos Estudos Culturais, na década de setenta, não se estuda a literatura apenas para encontrar a estética nos textos. Críticos e estudiosos da literatura se preocupam com as ideologias que perpassam o texto literário. Diferentes teorias literárias examinam as relações entre escritores, textos e o mundo. Nos estudos femininos (ou feministas), pergunta-se, por exemplo, como a mulher é descrita na literatura? Por quem ela é descrita? Por que ela, invariavelmente, figura como musa inatingível ou perigosa sedutora? Por que ela quase sempre aparece no âmbito privado, “fora” do âmbito público? São, essas construções do feminino, espelhos que refletem a realidade da mulher? Que problemas encontramos nessas representações?

Voltemos agora à questão inicial. Desde o final da década de oitenta e, mais marcadamente a partir da década de noventa, criou-se uma nova, digamos “categoria”, na crítica literária denominada “ecocrítica“. A ecocrítica expande a relação escritor – texto – mundo, quando considera que o “mundo” não se refere somente à sociedade mas envolve, também, o ecosistema em sua totalidade.  Como dizem Chery Glotfelty e Harold Fromm, se aceitamos que tudo está interconectado, “devemos concluir que a literatura não flutua acima do mundo material como um éter estético; ao contrário, ela tem um papel importante neste imenso e complexo sistema global, no qual, a energia, a matéria e as idéias interagem” (The Ecocriticism Reader, minha tradução)  

E, de fato, a ecocrítica encontrou adeptos fervorosos, pessoas que se dedicam a questionar assuntos fundamentais para o nosso querido e valioso mundinho. Por exemplo, numa aula de literatura a pergunta chavão “como o meio-ambiente reflete a personagem / o enrêdo, etc.?”, se desdobra em “como as metáforas do meio ambiente influenciam o modo que percebemos e tratamos o meio-ambiente?”. Dessa ótica, as perguntas se tornam tão variadas quanto interessantes: “De que maneira a literariedade afeta a relação do homem com o meio-ambiente?”; “Como a literatura registra a devastação ecológica que países como o Canadá, Nova Zelândia, Brasil, Austrália, etc. sofreram com a chegada do europeu no “Novo Mundo”?

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São, ao meu ver, perguntas fundamentais, uma vez que dirigem as nossas atenções para assuntos que devem ser pensados. Um dos principais motivos de termos negligenciado o nosso meio-ambiente é auma absurda falta de ética. Superar essa crise, como sugere Al Gore em Uma verdade inconveniente, requer não somente um entendimento científico de como nossos ecossistemas funcionam, mas, sobretudo,  uma verdadeira reforma ética, de conduta mesmo. A ecocrítica não vai salvar o nosso meio ambiente, é claro. Mas pode ajudar.

Para concluir, fico imaginando que textos Hemingway escreveria hoje em dia. As neves de Kilimanjaro já não exerceriam o mesmo impacto porque elas sequer existem… Green hills of Africa, seriam tão “green”? O belo romance O velho e o mar, que concedeu o prêmio nobel de literatura para Hemingway, teria sido escrito da mesma forma? Pois hoje seria muito difícil pescar um merlin do mesmo porte no Golfo do México, imagino…  Joseph Conrad seria o mesmo Joseph Conrad que eu leio nas aventuras de seus personagens na África? E a Austrália que eu li, em “primeira mão”, através das penas dos primeiros diários e cartas das esposas dos colonizadores, é a Austrália de hoje? E a nossa “Canção de Exílio” de Gonçalves Dias, exemplo maior do ufanismo de nossa terra brasilis, como fica? (Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá; /As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá, etc.)

Parece que a resposta Mário Quintana nos dá, em Canção. Um pequeno, porém eficaz protesto ecológico sobre a nossa “terra devastada”:

Minha terra não tem palmeiras…
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

global-warming2.pngTemperatura: 37oC, na sombra. Um verão com temperaturas atipicamente altas. Lat: S25o 24′ 06”   Lon: W 49o  17′ 15”