Archive for the 'Tese de doutorado' Category

Fatos de uma sexta-feira importante.

Maio 27, 2007

Para os queridos amig@s que acompanharam a minha saga nos últimos meses e torceram por mim: deu tudo certo! Foi uma tarde longa, como previsto. Eu estava muito ansiosa, como previsto. E fui aprovada, como previsto (ainda que eu só tenha acreditado quando recebi o título!). As perguntas não foram tão difíceis quanto o previsto e eu respondi relativamente bem, sem hesitação e com assertividade. A minha apresentação foi impecável visualmente — eu precisava ter uma apresentação impactante na parte visual porque um capítulo da minha tese trata da representação visual. Acho que se eu estivesse menos nervosa,  teria sido um pouco mais articulada na apresentação. Me arrependo um pouco por não ter tido um roteiro escrito, eu só me guiei pelos tópicos do powerpoint. A primeira examinadora foi a mais difícil e percebi que ela não entendeu a proposta de um dos meus capítulos e considerou que ele era uma “tese à parte”. O interessante foi que as outras três elogiaram bastante esse mesmo capítulo e aí surgiu uma pequena polêmica na banca (algo inusitado, uma vez que a banca não pode, em tese, argumentar entre si): a primeira examinadora tentou retrucar, mas, após ter escutado a opinião favorável das outras três, teve a humildade para voltar atrás e sugeriu apenas que eu apenas trocasse a sequência dos capítulos, i.e., o capítulo 2 deveria, segundo ela, virar o capítulo 3). Agradeci a sugestão, porém é claro que eu não vou mudar, hehe. Mas outras sugestões foram super válidas e algumas serão incorporadas. O legal é que não foi absolutamente nada radical, então fica tudo muito fácil. O que me deixou lisonjeada foi o comentário de duas examinadoras que eu publicasse a tese como livro. Juro que não esperava.

Enfim, um dia de muita tensão, mas agora que acabou tudo, muito alívio. Eu não seria capaz, nesse momento, de escrever um post relacionando 10 razões para você escrever uma tese de doutorado, para contradizer o post “Dez razões para você NUNCA escrever uma tese de doutorado”, como eu fiz quando iniciei o público&privado. Tenho muitas dúvidas ainda se tudo valeu a pena. Acho que só vou me dar conta daqui algum tempo.  Mas eu sobrevivi, as meninas sobreviveram e o meu casamento ficou ainda mais sólido, pois o meu marido entendeu as minhas ausências e me deu um apoio irrestrito. Por fim, é isso aí: não vou precisar mudar de identidade, nem inventar desculpas esfarrapadas, nem me exilar em outro país.  :-) Tudo continua igual e isso é muito bom.Obrigada pelos carinhosos comentários e pela força ao longo dos últimos meses.

Abraços,

Cris

Fora do ar.

Maio 20, 2007

Vou ficar fora do ar durante alguns dias. A internet atrapalha a minha concentração. Até depois!

Cris

Em tempo.

Maio 20, 2007

Uma tese é uma tese

MARIO PRATA

Quarta-feira, 7 de outubro de 1998 CADERNO 2
Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.

São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.

Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?

Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?

E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.

Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:

- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.

Os dois pararam – momentaneamente – de pensar nas teses.

- O quê? Pirou?

- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?

Pensando bem, até que não é uma má idéia!

Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?

Acho que seria uma tesão!

1998 – O Estado de S. Paulo

Sobre os próximos dias.

Maio 18, 2007

PROCURA-SE (desesperadamente)

concentração. [1. Ato ou efeito de concentrar(-se). 2. Estado de quem se concentra ou absorve num assunto ou matéria. 3. Bras. Esport. Reunião de atletas à véspera de uma partida, ou de um torneio (ger. em hotel ou clube retirado do centro), a fim de realizarem os últimos treinos, repousarem e receberem instruções.]

A minha defesa é daqui alguns dias e até agora eu não consegui me concentrar para me preparar. Precisa? Sim, precisa mesmo. É mais do que prudente imaginar as respostas para as perguntas que podem ser feitas. Sabem que eu, geralmente, até que consigo ter uma certa habilidade para prever essas coisas. É igualmente importante fazer uma ‘concentração’ nos moldes dos jogadores de futebol e começar a se preparar psicologicamente, pois a tarde será bem longa. Para quem se interessa, a coisa funciona assim:

1. o candidato faz uma apresentação oral da tese - trinta minutos.

2. Os quatro examinadores têm trinta minutos para argüir [1. Repreender, censurar, ciminar, veberar, condenar com argumentos ou razões. 6. Examinar, questionando ou interrogando.]

3. o candidato tem 30 minutos para responder cada examinador [2. Replicar, retorquir, redargüir]

A seção “ataque e defesa” numa defesa de doutorado dura cerca de 4 horas. Os quatro examinadores usarão os seus trinta minutos e tentarão fazer comentários e “argüições” diferentes. Imaginem o que é isso… É um interrogatório incessante; enquanto isso, o candidato tenta anotar todas as elucubrações da banca a fim de respondê-las a contento. 

Ai meus sais… o problema é que, quando eu fico tensa, às vezes esqueço as palavras que acabei de escutar e, além disso, fico temporariamente ensurdecida. Tenho pensado muito sobre que táticas usar; quando eu defendi a minha dissertação, até que fiz uma apresentação boa e respondi moderadamente bem, mas lembro que eu tinha me preparado muito bem. Mas cinco horas (contando com a apresentação e o intervalo) é muita coisa… Será uma tarde longa. 

Enfim, não sei como, mas eu tentarei fazer o meu melhor. Já sei até roupa que vou usar: claro que eu pensei sobre isso, comprei uma roupinha deus-nos-acuda-nesse-momento-de-dor bem básica. Se não me derem o raio do título, tento, pelo menos, sair elegante daquela sala… Mas que vou praguejar, vou! E ainda vou ficar furiosa de ter desperdiçado o meu suado dinheirinho com a tal da roupa… Mas é óbvio que isso não vai acontecer, né? Por isso nem falo, penso, — nem, muito menos, escrevo sobre isso ………..

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Mas se você observar qualquer mudança significativa na voz que ora vos fala, please, pleaaaaase, não toque no assunto, tá? Faz de conta que nada aconteceu ou que você não me conhece. Os posts sobre “o assunto” desaparecerão automaticamente, a minha obsessão com os quadrinhos do PhD comics nunca terá existido e e este blogue será reconfigurado com assuntos radicalmente diferentes. Ah, disso tenham certeza. Se eu me sentir muito humilhada, posso fechar as portas deste estabelecimento e, simplesmente, deixar de existir. Depois do trauma, talvez eu retorne com outra identidade, tendo devidamente mudado de país, para evitar o vexame frente aos colegas e alunos que não param de me perguntar sobre o ‘doutorado’. Quanto às minhas filhas, não tenho vergonha de dizer que apelarei para uma bela mentira. Aconteceu algo terrível lá no departamento, alguém enlouqueceu, sei lá. Jamais admitirei a minha derrota depois de tudo que passei. A mesma desculpa (esfarrapada, naturalmente) será repetida para a minha mãe e irmãos. Apenas o meu marido terá o infortúnio de escutar (for better or for worse, sweetie!) as verdades da minha aniquilação. Coitado do homem!

Ah, mas caso tudo continue igual, é porque tudo ficou igual. :-) Só terá sido mais uma fase importante na minha vida, feito um rito de passagem. É isso que eu quero: que tudo fique igual. Não quero mentir, não quero me exilar, não quero fechar as portas do público&privado, nem mudar de blog. Ah, e para as amig@s interessad@s, depois eu conto sobre o mais legal de tudo: a minha roupinha básica (e poderosa!!) :-) Pois eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge.  E nem mesmo um pensamento eles possam ter, para me fazer o mal…. 

Torçam por mim!!

Missão cumprida (versão I)

Maio 3, 2007

Missão cumprida: entreguei a tese ao departamento e a essas alturas algumas já foram despachadas (via Sedex!) para duas examinadoras. Mais de 1.500 cópias feitas e a bichinha estava lá, prontinha. A sensação é de dever cumprido. Isso é muito bom porque quando eu era mais jovem eu tinha dificuldades em acabar o que começava. Mas acabei. Como acabei a minha dissertação de mestrado. Como acabei 2 maratonas. É uma sensação de superação e de alívio. 

 O próximo passo é a defesa, mas não vou pensar sobre isso agora.

Mas, que é estranho você entregar algo que você se descabelou tanto em cima, ah, isso é. E eu não parava mais de revisar, foi uma coisa engraçada.

  entrega-da-tese-para-a-banca.png

C’est fini!

Abril 30, 2007

Sempre tive pavor de primeiras palavras (vide meu primeiro post aqui) acho que é por isso que eu demorei três meses para escrever a minha introdução. Só que agora descubro que tenho pavor maior das últimas palavras. Que conclusão que se chega quando você escreve uma tese na área das Ciências Humanas? Como “provar” algo que escapa experiências, testes de laboratório? Não se prova nada, lógico. O ser humano é um “dark continent”, como diz Freud, e para quem conhece a citação já sabe que estou adaptando-a. Na realidade, ele fala que a mulher é um “dark continent”. E é mesmo. Taí a graça. Daí a minha implicância com as “últimas” palavras. No meu trabalho, que tem a ver com a representação, queria somente deixar as imagens falarem, elas são, logicamente, muito mais eloqüentes do eu poderia sonhar ser. Mas é isso: mais uma palavrinha e… c’est fini! Daqui uns dias eu tento voltar a viver uma vida decente: comer, dormir, pentear o cabelo, ver o sol e sentir o vento no rosto, cuidar das minhas flores, ter um café da manhã prolongado com a família nos fins de semana, jogar conversa fora com minhas filhas, essas coisas maravilhosas que fazem com que a gente se sinta vivo e feliz. 

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“Mãe, você sabe que data estamos?”

Abril 8, 2007

Há mais de 4 anos me sinto devedora com a minha família. Sempre tenho a mesma justificativa para não participar da vida de todos: preciso ler, pesquisar, escrever, re-escrever, trabalhar mais. Faltei muita coisa importante na vida das minhas filhas por conta de tudo isso, um tempo que nunca mais vamos recuperar. Eu não aconselho a ninguém trabalhar, escrever uma tese de doutorado e além disso ser mãe e esposa. Não é impossível mas é demais.

 Por outro lado, as minhas filhas ficaram mais autônomas e aprenderam a conviver com a situação. E eu fico muito feliz por elas me respeitarem e entenderem. O mesmo vale para o meu marido que sempre foi o meu maior incentivador e me ajudou muito com as meninas, indo em reuniões de pais, me substituindo quando podia.

Daqui uns dias tudo, TUDO estará chegando ao fim e eu juro que mal posso esperar. Vai ser difícil assimilar a nova situação de ser um ser “livre”, livre para ler o que quiser, ter tempo para voltar a correr ou ir à ginástica, cuidar da minha família com mais carinho. Ficar com uma cara de dever cumprido, de quem dormiu bem. Poder programar coisas diferentes para a minha vida. Tudo isso será muito benvindo!!     

Eu sou uma chocólatra assumida e por isso, sempre gostei mais da Páscoa do que do Natal.  Sempre gostei de fazer algo especial para as minhas filhas na Páscoa, fazia cestinhas com coelhinhos, ovos e bonbons coloridos. Deixava “pegadas” do coelhinho em diferentes lugares e, em alguns anos, inventava esconderijos, brincadeiras e jogos legais. Bem verdade que, ao longo de dezessete anos, tivemos algumas Páscoas menos festivas, quase sem ovos, menos coloridas, um tanto solitárias… mas, nem por isso, eu deixava a Páscoa passar em branco.  

Nessa Páscoa eu não comprei ovinhos para ninguém, estava tão absorta escrevendo que a minha filha mais velha , delicadamente, me perguntou se eu sabia que data estávamos. Já era tarde. Que ironia, eu que sempre fiz questão de honrar o coelhinho das minhas filhas, esse ano esqueci. Hoje de manhã, acordei antes de todo mundo e encontrei o ovo que o meu marido tinha comprado para mim… Ele não havia esquecido, é claro: ele nunca esquece. Saí voando e fui ao supermercado: só encontrei ovinhos quebrados… A culpa, minha companheira de quatro anos, bateu mais forte do que nunca. Quem quer ganhar ovos quebrados? Chegando em casa, a carinha da Maria Luiza.  

(…)

Me entoquei na cozinha para fazer essa torta de mousse chocolate com framboesas de sobremesa. Era o que eu podia fazer.

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Depois do almoço, a Maria Luiza me abraçou e disse que foi a melhor Páscoa da vida dela. É que ela ganhou dois ovos do namorado… :-) C’est la vie. 

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[Mas sabem que a torta estava deliciosa e eu a fiz em 1/2 hora (tá, aparece na foto, tava meio desmonorando, eu sei!). Ela não vai ao forno, só precisa ficar umas 2-3 hrs na geladeira. Se alguém se animar e quiser a receita, eu a publico aqui no blog.]

Espero que todos tenham passado uma Boa Páscoa.

Confissões de uma desesperada.

Abril 5, 2007

O nome desse blogue não tem nada a ver. Devia ser “confissões de uma desesperada”, para dar a verdadeira noção da realidade de sua autora. As horas vão passando inexoravelmente e a minha feição está passando de cara de apatetada para desesperada. O meu olhar é de medo, de horror, de pavor. Me digam, que m**** é que eu fui me meter? Por que essa vocação para tanto sacrifício?

Para vocês terem uma noção do desespero, esses dias vi o filme/documentário super “cult” do momento aqui no Brasil, “The Secret” e, prova irrefutável do nível do meu estado mental, gostei, aprovei. Vou assistir de novo. Aliás, vou assistir todos os dias. Ocorre, então, que estou adotando-o como uma filosofia nova, inédita (nunca ninguém falou sobre o poder do pensamento positivo, né?), quase milagrosa. E estou, então, quase trocando as minhas noites mal dormidas, as minhas infindáveis revisões e correções, por essa idéia milagrosa do pensamento positivo. Então, pensem juntos comigo, se eu visualizar que tudo dará certo no momento da minha defesa, todos (inclusive aquela examinadora mais temida do mundo, a pessoa menos inclemente, mais durona e “star” da constelação acadêmica) se convencerão que a minha tese é passável, até mesmo “boazinha” e me darão, de uma vez por todas, esse diabo desse título. É assim?

E tem mais, como professora de literatura, eu aviso (salve-se quem puder!) que estou mudando de enfoque. Vou advogar a favor de livros de auto-ajuda, sendo que o Paulo Coelho que eu sempre abominei passará a ser o meu guru.  Interpretarei todos os sinais que a vida me enviar, nunca mais entenderei coincidências como apenas coincidências, chegarei a conclusão que TODO o sofrimento ensina e visualizarei o melhor do mundo. Ah, claro: que o universo conspira a meu favor, não posso esquecer! E assim, tudo dará certo. E eu conseguirei, SOMENTE DESSA MANEIRA, passar nesse troço. 

E vocês conhecem chás, banhos de ervas, poções, rezas, bençãos, simpatias, etc. para que as coisas dêem certo? Eu estou aceitando conselhos e, claro, o pensamento positivo de todos. Porque preciso. Pode ser até ridículo, mas eu preciso mesmo.

Cris S. (a desesperada)

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“De um país distante…”

Abril 2, 2007

[Para aqueles que gostam de literatura: o título vem de Hamlet e tem relação, ainda que de forma indireta, com a minha pesquisa]

Na realidade,  me sinto num “país distante” mesmo. Estou distante de tudo, totalmente fora de sintonia com as coisas rotineiras. Só saio para trabalhar na universidade e depois me enfio nos livros e no meu texto!

Então para os meus (ex)leitores, algumas rápidinhas:

- As coisas progrediram imensamente! Até a minha neutríssima orientadora concorda! Eu ando super concentrada e logo devo ter novidades!  

- Sábado passado foi o aniversário da minha filha, Maria Luiza. Fizemos a maior festa com tacos e piña colada. A garotada amou! Eu adoro conversar com os amigos da minha filha, trocar idéias e aprender com a garotada – incrível como todos estão concentrados no vestibular que vão prestar no final do ano. Na idade deles eu, francamente, não estava nem um pouco preocupada. Aliás, me preocupava com pouquíssimas coisas. Êta tempo bom.

- Sábado retrasado foi aniversário do meu marido. Fizemos uma paella (encomendei, né, porque não sou de ferro!) e convidamos vários dos nossos amigos. Foi uma festa agradabilíssima, uma noite estrelada e deliciosa, com gente divertida e inteligente e, ainda que o grupo fosse bem eclético, todos se deram bem.

E eu não sei como vocês são, mas eu sou ultra perfeccionista quando faço festas. Organizo tudo, penso em pratos, coordeno cores e arranjos de flores, bebida, tudo. É uma chatice, mas no final dá tudo certo e eu realmente sinto o maior prazer em me esmerar, receber meus amigos bem e ver que tudo funcionou. Mas acima de tudo, o que adoro é ver como a minha família fica feliz com as festas e aprecia a maneira especial pela qual recebemos os amigos.  O meu marido e as minhas filhas me ajudam sempre e acabam até curtindo o processo todo. O meu marido, em especial, adora as suas festas de aniversário: ele sempre diz que nunca havia curtido os aniversários dele antes de me conhecer. Como ele é estrangeiro, acho muito importante que ele saiba que além da família, ele tem um círculo de amigos aqui também (que aliás gosta muito dele!).

- Ando num impasse importante: falta convidar uma pessoa para a banca da minha defesa e há três pessoas em vista. Os três são convidados de fora. Todos são figurões na minha área e, obviamente, me metem medo. A primeira é uma das acadêmicas que eu mais respeito, mas ela é ultra, hiper crítica. Uma vez eu publiquei um capítulo em um livro que ela organizou e ela deve ter me enviado o tal do capítulo de volta umas dez vezes (a última foi por causa de uma única vírgula…). A fama dela em defesas, pelo que me falam, não é das melhores. A segunda é uma professora que eu não conheço pessoalmente e que trabalha com ‘inter artes’ (literatura, pintura e cinema), já publicou horrores. Está orientando uma das minhas melhores amigas que está fazendo seu pós-doutorado. O último é também o ‘seguinte’, além de ter vários livros publicados, é um tradutor conhecidíssimo. Parece que os últimos dois são ‘simpáticos’. Ocorre que, numa banca de doutorado, as coisas mais absurdas acontecem: os simpáticos se tornam monstros e os amigos têm uma amnésia súbita — um quer aparecer mais do que o outro, ninguém para de falar: é o circo! Se você já assistiu uma defesa, você sabe bem sobre o que estou falando. O mundo acadêmico é um universo de egos acirrados e nada melhor do que juntar 5 examinadores numa banca de doutorado para que isso se evidencie. Então, a idéia é a seguinte: ataque o candidato durante 1/2 hora com perguntas e comentários absurdos, alguns das quais nem versam sobre o objeto de análise da vítima. Encontre teóricos que contradizam a linha de pensamento da vítima. Quanto mais desconhecido e obscuro melhor. Exemplo: você está tratando sobre um aspecto x da civilização maia no México e o examinador encontra um polonês que trata dos aspectos x + y + z da civização egípcia. O figurinha então te pergunta de que maneira a teoria do polonês iluminaria alguns aspectos da tua pesquisa. Se você der a resposta honesta, que você nunca ouviu falar do polonês e que, francamente, você acha que a teoria dele só tem o “x” de semelhança com o teu objeto de estudo, e que esse “x” se configuraria de maneira totalmente diversa na tua pesquisa, você está ferrada. Então, de praxe, você elogia a brilhante idéia do examinador e admite que sim, obviamente, a teoria do polonês ilumina grandamente o teu estudo e confessa você foi cego (e burro!) durante todos os 4 anos da tua pesquisa, e que ele, nossa, é um gênio. Se você responder assim, o ego do fulano se infla e ele está no papo. Juro, funciona exatamente assim, aqui e nos países de língua inglesa onde eu estudei e trabalhei.  Espero só que eu funcione bem no dia e que tenha o necessário jogo de cintura. Eu sempre sou muito honesta, ainda que bastante delicada; sou também um pouco tímida. Mas gente, tudo, absolutamente TUDO para eu me livrar desse troço.

 Então, você que leu, mantenha os dedos cruzados por mim. Porque mesmo que você não me conheça, juro para você que eu mereço!! Aliás, qualquer pessoa que chegou nesse ponto merece.

E eu volto para contar qual dos três examinadores foi escolhido. Volto antes da defesa. E provavelmente depois. Ah, e ando bem desencanada com a questão do blog e da minha escrita.  Esse bloguinho será, o que será. Eclético, múltiplo, sem identidade fixa. E falará da condição feminina, de receitas, de poesia, de lavandas, de cinema, de estrelas e o que mais me der na telha.  Voilà! 

Aliás, por falar de estrelas, segue uma foto da vista do meu quintal, tirada na semana passada :-) É a famosa “Eta Carinae” (“Eta” é a estrela mais brilhante e “Carinae” é a constelação), próxima do Cruzeiro do Sul.  Portanto quando você vê a “Eta Carinae” é porque você está no Hemisfério Sul (ou próximo dele).  A foto é do meu fotógrafo e astrônomo favorito, Bill Smith, que não cansa de se maravilhar com o céu aqui debaixo do Equador.

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Tudo de bom para quem passar por aqui!

Hitch your wagon to a star” (Ralph Waldo Emerson)

Cris S.

Culpa.

Fevereiro 22, 2007

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Sem comentários…

fonte: PhDcomics

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