Archive for Outubro, 2008

running in the rain

Outubro 25, 2008

Ao longo de oito anos colecionei algumas histórias interessantes que aconteceram durante as minhas corridas, mas a de hoje foi inédita. Eu e meu marido fomos correr/andar no parque. Eu estava com muita vontade de correr e relaxar, o efeito da corrida sempre faz maravilhas. Começamos andando, mas chegou uma altura, dei o meu tchauzinho usual para o meu marido, que olhou para o céu e disse: keep an eye on the clouds! Olhei para aquelas nuvens mixurucas, encolhi os ombros e falei ahã, acionando o pernas-para-que-te-quero. E assim fui, correndo lépida, escutando uma playist mucho louca no meu Ipod. Tem de tudo: música clássica, música do mundo, rap, disco anos 70 e 80, pop, uma mistura nada harmônica, digamos. Depois de uma meia hora, começam os primeiros pingos e eu penso,  otimista, nah. Não levou muito e os pinguinhos se transformaram em pingões e dali em diante a chuva só fez crescer. Na metade do caminho, chego na encruzilhada de sempre que vai definir se será uma corrida curta (5 k) ou longa (7 k) e, a despeito da chuva, não titubiei: foi a longa. É que a chuva, apesar de grossa, estava também fresquinha e agradável. E eu, que sempre faço de tudo para evitar a chuva (apesar de já ter corrido duas vezes na neve fina),  embalada com a minha mistura musical e animada com a idéia de que o momento iria para a categoria de ‘primeira vez’, peguei, logicamente, o caminho longo! Aliás, sempre pego o caminho longo quando corro, virou uma brincadeira pessoal. Por exemplo: começo a corrida me sentindo um pouco gripada, ou cansada, ou meio atrasada para algo e vou me dizendo “bem,  aposto que desta vez você não vai pegar o caminho longo, né? Vai chegar atrasada na reunião.” E quem disse que eu pego o caminho curto? Não tem jeito. O caminho curto para mim significa, creio, uma capitulação e eu não definitivamente não gosto de capitulações. De qualquer forma, foi assim que o meu marido pensou quando chegou na encruzilhada e decidiu ir atrás de mim. Só que nessas alturas eu já estava quilómetros adiante e aí nos desencontramos: quando cheguei de volta na encruzilhada, ele não estava lá. Ensopada até a alma, dei a meia-volta e corri mais ainda, agora já repensando as minhas escolhas. Mas dali a uns minutos nos encontramos, ele tão ensopado quanto preocupado. Chegando no carro, olhamos um para a cara enxaguada do outro e acabamos rindo da nossa pequena aventura porque, no final das contas, não tinha sido nada terrível e nos exercitamos bastante.  Eu não vou virar adepta e acho perigoso correr na chuva, de qualquer forma, mas, na nossa situação só dá para lembrar do ditado: quem está na chuva é para se molhar. E molhados estávamos. E como.

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Disco furado

Outubro 21, 2008

Todo final de ano é a mesma coisa, mas este, em específico, está sendo pior. O fato é que eu ando assoberbada de coisas nas universidades e tô quase naquele ponto de dizer que não consigo dar conta (outro sintoma típico). Hoje de manhã, uma palestra. À noite, outra. Na semana que vem, a minha comunicação no congresso em BH. Sou professora há séculos, só que não sou uma pessoa que adora falar para muita gente. Além disso, preparo minhas apresentações com uma meticulosidade infernal. Não fico satisfeita se as coisas não estiverem perfeitas, é um saco, vocês não têm idéia. Então são dias de preparo. Por exemplo, a de hoje é uma análise de Romeu e Julieta e eu tenho que encontrar a epígrafe certa para cada slide, uma imagem que emblematize o tema da palestra, além de resgatar o material crítico (vários livros) mais paradigmático da história da recepção da peça (pois é, bem longa). Daí você chega lá, toda certinha e bonitinha com uma apresentação, digamos, bem rázoável,  bem pesquisada e elaborada, e, depois de tudo, você vê que realmente nada compensa. É sempre assim. E eu sempre falo que nunca mais vou me dedicar tanto. E eu sempre faço tudo novamente.  Por isso que eu amo viajar e amo as férias. A única coisa ligada à profissão que eu faço, nas férias, é ler. Mas sempre procuro ler autores desconhecidos e navegar por mares nunca d’antes navegados. E que venham as férias. Rápido, please.

Getting by

Outubro 19, 2008

Quando você não tem filhos, a coisa é mais fácil, principalmente no que diz respeito as refeições. Dá pra fazer coisas rápidas ou comer lanches não tão saudáveis; ou, ainda, comer uma besteira fora. Com crianças tudo muda e você se sente culpada – não dá para falar que não tem comida e que você não pode cozinhar nunca. E também não dá para dizer que você não sabe cozinhar, né? Todo mundo pode seguir uma receitinha básica, afinal de contas. Enfim, cozinhar para a família, pelo menos para mim, é fazer algo gostoso e saudável. Acontece que o tempo tá escasso então, ultimamente, eu reservo um dia da semana, geralmente  sábado ou domingo, para me redimir aqui em casa. Hoje foi um desses dias, confesso que em meio a uma impaciência e uma pressa que revelam a minha preocupação com os afazeres da semana e outras cositas. Bem, em dias como hoje, que existem aos milhares, confessemos, lanço mão de um cardápio estilo ultra simples, porém com um resultado ultra bom. Algo pra impressionar, enfim! Uma boa idéia é fazer um assado de uma ótima carne (mignon, maminha ou picanha) ou de um peixe, junto com um acompanhamento. O que eu fiz hoje foi uma maminha recheada com batatas e champignons assados = tempera e pôe tudo no forno. Ficou ótimo e o melhor é que tive bem pouco trabalho. Mas a sobremesa foi a estrela: um sorvete de morango com vinagre balsâmico que ficou dos deuses. Já sabendo da boa química entre os morangos e o vinagre balsâmico, foi só encontrar uma receita que eu botasse fé.  Você faz um creminho de leite e gemas e mistura com o morango batido no liquidificador com um pouco de açucar e limão e, por último, juntar 200 ml de creme de leite e uma colher de sopa (não mais) de um bom aceto balsamico. Depois é só verter tudo na sorveteira e dali a 20 minutos você tem um sorvete saudável e delicioso, que bota o Haagen Das no chinelo. Eu intercalei o sorvete com algumas camadas de xarope de morango (só o morango batido com açucar), então ele fica lindo. Se der eu posto uma foto aqui. Foi um almoço com um preparo tranqüilo e todos comeram e elogiaram. São em momentos como esse que salvo minha reputação como mãe. Pelo menos até a próxima semana…

Madonna’s divorce and a piece of Britney.

Outubro 15, 2008

Então onde há fumaça, há mesmo fogo e a Madonna está se divorciando. A cantora, que é uma mestre estrategista, por algum motivo, deve ter considerado melhor anunciar a separação agora, ao meio de uma turnê. A mídia toda em cima e qualquer passo em falso que ela dê será totalmente escrutinado. Porque se você se separa, naturalmente você deve se separar por conta de algo gravíssimo, não é mesmo? De preferência, por  causa de alguém. E aí tudo faz o maior sentido, pois ninguém nunca se separa porque o casamento não está dando certo, na lógica infame das pessoas. Se eu fosse a diva, assim que pudesse, sumiria da face da terra por um bom tempo Iria fazer algum retiro kabalístico em Israel, e depois ficaria de molho no Mar Morto, pensando na morte da bezerra. É que eu odeio gente em cima, ainda mais em momentos que deveriam ser essencialmente privados. Mas, na realidade, não temo pela Madonna, ela sempre sabe muito bem o que está fazendo. Diferente da Britney Spears, que protagonizou momentos tipo fim-de-carreira (em todos os sentidos) depois de se separar daquele mala-mor. Mas eu torço pela Britney e, de fato, ela está, aos poucos, getting her s* together e vai, com toda a certeza, recuperar os cabelos e a honra. Aliás, ela e, sem dúvida nenhuma, a Madonna. Logo, logo.

Madonna na turnê de 2008

Textos

Outubro 12, 2008

Já voltei do primeiro congresso do mês e passei quase o fim de semana todo corrigindo uma dissertação. Estou quase enlouquecida com o texto, todo fragmentado, sem pé-nem-cabeça, sem foco. Um tal de mencionar teórico dali, outro de lá, sem “sustância” alguma. Estou considerando que ele tenha que reescrever tudo. Tu-do. O que significa começar do começo. Quase nada vai dar para salvar do que ele escreveu… Que difícil, viu? Será que eu tive a mesma dificuldade quando escrevi a minha dissertação de mestrado? Na realidade, claro que sim, mas minha dificuldade foi em conseguir, de fato, sentar e escrever. Quando escrevia o texto não ficava, acho eu, tão caótico. Com a tese de doutorado foi um parto também. Aliás, escrever é muito difícil, ponto. Só que escrever algo na proporção de uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado é um exercício de humildade. Pelo menos para mim foi. Quantas páginas eu deletei sem titubear só por achar que não estava bem escrito, ou bem estrututurado? É um diabo mesmo ser tão perfeccionista. Mas é também um diabo não ser, porque uma boa dose de perfeccionismo é vital para se escrever um bom texto.

Sobre chesters e hibridismos e dar graças “our style”

Outubro 6, 2008

A primeira semana de outubro já se foi e em um piscar de olhos o ano terá acabado. Já começo a pensar nas preparações para o nosso Thanksgiving, sem dúvida alguma, um dos feriados que a minha família mais gosta. Eu e meu marido fazemos tudo: a pecan pie, a pumpkin pie, assamos os chesters, fazemos o cranberry sauce e o gravy, purê de batatas, verduras cozidas, criamos um centro de mesa com milhos secos, abóboras de tamanhos e cores diferentes, para dar o clima. Isso significa trabalho de uns dois dias, mas não faz mal porque sabemos o quanto todos gostam e a verdade é nós gostamos também. Já até nos perguntaram qual seria o significado de celebrar o Dia de Ação de Graças aqui no Brasil. A falta de sensibilidade é realmente algo espantoso. Como se o Thanksgiving não fosse uma festividade importante para o meu marido, transplantado e traduzido no Brasil. Como se nós não pudessemos dar as boas-vindas às suas tradições. E como se o Thanksgiving apenas pudesse ser comemorado na América. Hibridismo é um fator preponderante não apenas na minha família, mas em várias populações diásporicas, nesse mundo cada vez mais sem fronteiras. Meu marido é, como diria Stuart Hall, um ser traduzido, que transita entre mais de duas culturas, já que morou na Europa durante 20 anos. Fala línguas diferentes e se adapta com facilidade. As meninas também são relativamente híbridas, nós falamos inglês aqui em casa, e incentivamos o trânsito entre as culturas. Isso entra na comida, na música e até na roupa que usamos.

Nossa pecan pie (torta de noz-pecã) do ano passado.

No “nosso” Thanksgiving, sentamos em uma mesa americana com almofadas indianas e comemos comidas 90% americanas. Bebemos um vinho, provavelmente chileno, e escutamos fado, bossa-nova, jazz e rap. Conversamos, dependendo de quem estiver aqui, em duas línguas. Em pensamentos brasileiros e americanos, certamente confundindo um pouco um com o outro e achando tudo atrapalhado e engraçado,  agradecemos o que recebemos no ano. Piégas? Pode ser, mas nós aqui em casa adoramos!

Arrumando o centro de mesa para o Thanksgiving 2007